terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Argentina cada vez mais parecida com a Venezuela

No Estadão Online:
Militares argentinos invadem sede de emissora de televisão do grupo Clarín, diz jornal
Evento marca um agravamento dos ataques do governo argentino ao grupo Clarín
Matéria publicada no jornal argentino El Clarín afirma que as Forças de Segurança Militares do país ocuparam a sede da Cablevisión, empresa de televisão a cabo que pertence ao grupo Clarín. 
De acordo com a matéria, mais de 50 militares chegaram à sede da Cablevisión no bairro de Barracas, acompanhados de funcionários judiciais e de câmaras do programa oficial do canal estatal. 
Conforme o jornal, a medida foi tomada devido à uma ordem emitida pela Justiça de Mendonza, localidade na qual o grupo de comunicação não possui operações. 
A ordem de invasão também teria sido motivada por uma denúncia do grupo Vila-Manzano, alinhado com o kirchnerismo e que ontem expressou seu apoio ao projeto para controlar o papel de imprensa. A matéria não revela os motivos da denúncia. 
Conforme o jornal, além da invasão, os militares estão pedindo todo o tipo de documentação aos executivos da companhia e revisando as bolsas das pessoas que entravam na sede do grupo. O evento marca um agravamento dos ataques do governo argentino ao grupo Clarín.
Comento
Ao invés do restante dos países da América do Sul contribuírem para o fortalecimento (agora resurgimento) de uma democracia na Venezuela, aparentemente é o modo chavista de governar que está se espalhando pelo subcontinente. Não que seja somente a influência de Chávez que causa todos os problemas da Argentina, porém ataques à imprensa e à liberdade de expressão são uma tática clássica dos totalitaristas. Acusações absurdas também fazem parte do método, e a Venezuela é atualmente o maior expoente de totalitarismo no subcontinente.
Contudo, não vamos esquecer que os argentinos, tal como os brasileiros, têm um pendante para o messianismo populista. Se lembram do casal Perón? Pois é, lá na Argentina eles tiveram os Perón, agora têm os Kirchner (ela no poder e ele como poderoso cabo eleitoral, mesmo falecido). Aqui no Brasil tivemos Lula, e agora estamos com Dilma. Vamos ver quanto tempo demora pra episódios como esse que está acontecendo na Argentina começarem por aqui. Tentativas não faltam.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mudanças na Política Nacional de Recursos Hidricos entrarão em debate

Vejam um extrato de uma notícia que saiu no Canal Energia:
"A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados fará audiência pública para debater o projeto de lei Lei 29/11, do deputado Weliton Prado (PT-MG), que promove mudanças na Política Nacional de Recursos Hídricos, a chamada Lei das Águas. O objetivo da lei é descentralizar a gestão por cada bacia hidrográfica. Segundo o deputado Oziel Oliveira (PDT-BA), relator da proposta de lei, o país enfrenta desafios na implantação e operacionalização de dispositivos que deem mais agilidade e eficácia na aplicação dos recursos provenientes da cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Ainda não há data definida para realização do debate."
Comento
Ainda não li o projeto de lei do deputado Prado. Lerei-o a medida que a tramitação da proposta avançar, o que ninguém acredita acontecerá esse ano. Contudo, conhecendo a Política Nacional de Recursos Hídricos, alguns órgãos gestores e trabalhos realizados na gestão de recursos hídricos no país, dá pra afirmar que é difícil piorar. Reparem que a Lei 9433/1997 já está quase completando 15 anos (é de 8 de janeiro de 1997) e qual o quadro que temos na gestão dos recursos hídricos no país?
  • Não conheço uma única UF que faça um monitoramento adequado de precipitação, vazões, sedimentos e qualidade da água.
  • Poucos estados possuem regras claras para outorga de recursos hídricos. 
  • Os que possuem regras definidas tem uma estrutura administrativa deficiente, tanto em termos materiais quanto em pessoal.
  • Os comitês de bacias estão longe de representar os usuários, são na verdade um amálgama de ongueiros que não sabem lhufas de recursos hídricos e acadêmicos que finalmente acham que podem fazer alguma diferença.
  • Os planos, como o Plano Nacional de Recursos Hídricos, Planos Estaduais e de bacias, são - na opinião da maioria dos profissionais que trabalham com RH - mal contratados, mal executados, e desconexos das realidades locais.
  • Os cadastros de usuários, que seriam o primeiro passo para a cobrança de uso de RH, não foram realizados (exceto raras exceções).
  • Em poucas UFs há articulação entre os processos de reserva de disponibilidade hídrica ou de outorga e o licenciamento ambiental.
Já falei anteriormente, mas é importante lembrar que a lei de que estamos falando está completando 15 anos. E praticamente nada foi feito, exceto um desperdício gigante de dinheiro financiando fóros de discussão entre comitês, cursos de formação para os membros dos comitês, planos e planejamentos que não servem para nada, cadastros que logo ficam prontos já estão severamente desatualizados. Dinheiro seu jogado fora. Enquanto não houver uma clara definição de responsabilidades e competências na gestão de recursos hídricos, continuará a mesma bagunça que hoje impera. Então, minha sugestão   sobre alterações na Política Nacional de Recursos Hídricos é que comecem o debate resolvendo os problemas apontados acima. 
Eu só não digo que a Política Nacional de Recursos Hídricos é inútil e irrelevante porque há vezes em que ela simplesmente é danosa, sem nenhum benefício para a população em geral. Contudo, se fossemos fazer uma análise custo/benefício, tenho quase certeza que ela apontaria que os benefícios são ridiculamente pequenos face o custo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Se o PT decreta luto, o país regozija

Extrato de notícia da Folha Online:

A Prefeitura de Santarém, maior cidade do oeste do Pará, anunciou luto oficial nesta segunda-feira (12) em decorrência da decisão dos eleitores paraenses de rejeitar a divisão do Estado. A cidade era candidata a capital do Tapajós.
A prefeita de Santarém, Maria do Carmo (PT), disse que outras cidades do Pará em que a maior parte dos votos foi a favor da criação do Tapajós e do Carajás também decretarão luto.
"Foi uma grande vitória política para o futuro Estado do Tapajós. Foi apenas uma etapa. Apenas adiamos nosso sonho, porque nós haveremos de conseguir a criação de nosso Estado", disse a prefeita. 
Não sei o que meus leitores pensam, mas eu me lembro de uma frase de autor de quem gosto muito, que diz "o que é ruim para o PT é bom para o Brasil". Eu já tinha uma opinião sobre a divisão do Pará. Vendo essa notícia, sei que estou do lado certo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Recomendação de artigo

Esse artigo de Lem Rockwell já saiu há algum tempo, mas só fui lê-lo hoje. Fica a recomendação para quem se interessa em conhecer mais sobre as relações entre marxistas e ambientalistas. Alguns trechos:
"Em todo o mundo, os marxistas estão se juntando ao movimento ambientalista. Algo que não é nada surpreendente, diga-se de passagem: o ambientalismo também é uma utopia coerciva - uma tão impossível de ser atingida quanto o socialismo e tão destrutiva quanto, em seu processo de implementação."
"Se essas pessoas fossem apenas cultistas excêntricos, do tipo que compram acres e acres de matas inóspitas para lá viverem como primitivos, não estaríamos ameaçados. O problema é que eles querem utilizar o estado, e até mesmo um estado mundial, para atingir seus objetivos e nos obrigar a viver exatamente o estilo de vida que cultuam."
"Durante a maior parte da história, a atitude normal dos humanos em relação à natureza foi bem expressa pelos peregrinos, que temiam a 'horrenda, desoladora e imensa vastidão da natureza, repleta de bestas e homens selvagens'. Apenas uma sociedade livre, que conseguiu domar a natureza ao longo de várias gerações, nos permite ter uma visão diferente da dos peregrinos."
"Poucos de nós poderíamos sobreviver na vasta imensidão selvagem e desconhecida de uma floresta por muito tempo. A natureza não é amigável ao homem. Nunca foi. Por isso ela deve ser domada."
O artigo continua nesse link.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Em boas companhias

Não é o número de pessoas que me apóia ou que concorda comigo que me dá orgulho, e sim a qualidade das pessoas que concordam comigo. Se eu me importasse com os números teria ficado quieto sobre o Gota D'Água. Afinal já há mais de um milhão de desavisados apoiando aquela bobagem. 
Nessa semana Reinaldo Azevedo, que têm o blog mais lido do país, entrou na discussão sobre Belo Monte. Com sua escrita certeira e a verve de sempre, tratou das várias bobagens expostas no vídeo, além das manifestações que se sucederam ao seu texto inicial (aqui, aqui e aqui).

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Belo Monte: Quem diria? Eu não estou sozinho.

Do Canal Energia (reportagem completa aqui), por Alexandre Canazio e Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Meio Ambiente:

Associações contestam críticas à Belo Monte 
A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia contestou críticas que estão sendo realizadas à hidrelétrica de Belo Monte (PA, 11.233 MW). Segundo Luiz Fernando Vianna, coordenador do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, os argumentos utilizados contra a hidrelétrica são infundados. O executivo refere-se a um vídeo que está circulando na internet contra a construção da usina.
"Estão criticando o baixo fator de capacidade de Belo Monte, esquecendo-se de que ela só tem um baixo fator de capacidade porque decidiu-se que não haveria reservatório. E isso foi feito justamente para atender às necessidades de licenciamento ambiental", comentou Vianna em entrevista à Agência CanalEnergia. O FMASE representa 18 associações e entidades ligadas ao setor elétrico.
Vianna afirmou ainda que não tem como Belo Monte ser substituída por usinas eólicas ou solares. "A energia eólica não é uma fonte de energia com vocação para base, ela tem que ser complementada com outras fontes, como as hidrelétricas ou as termelétricas. E a energia solar é quatro vezes mais cara que a energia proveniente de hidrelétricas", ressaltou. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Belo Monte: Mais uma gota d'água em um oceano de bobagens

Já escrevi um texto sobre esses cidadãos que aderem a qualquer causa que aumente sua publicidade. A causa da vez aparentemente é ser contrário à usina de Belo Monte. Como eu falei antes, é a Síndrome de Bono, que se alastra cada vez mais rapidamente na classe artística. Apesar de ser altamente contagiosa, ela  infelizmente  não leva à mudez. A moda du jour nas redes sociais é o tal Movimento Gota D'Água (com essa grafia estranha mesmo). Está fazendo o maior sucesso, pelo número de pessoas que adoram essa sandice no facebook (quando eu vi pela primeira vez, 15 mil, quando parei de xingar, 120 mil, agora 350 mil). 
E o que é esse tal movimento? Se formos ver a produção de argumentos deles em seu próprio site, ela é bem escassa, exceto pela capacidade de mobilizar os reais especialistas em questões ambientais: atores.
Como eu não tenho produtores nem roteiristas pra prepararem meus textos, seguirei fazendo o que sempre faço, algo naquele velho estilo perguntas e respostas. Cito o que é falado no vídeo que eles postaram e respondo. Sou obrigado a admitir que somente transcrevi uma parte do que foi falado no vídeo. Transcrevê-lo totalmente seria legitimar algo que não merece ser legitimado.

Um pequeno Q&A
Você já ouviu falar da Hidrelétrica de Belo Monte?
Sim, e não só dessa. Já trabalhei em mais hidrelétricas que você já trabalhou em novelas.
Você já foi à Amazônia?
Sim.
Você sabe o que quer dizer "energia limpa"?
Sim, e você?
Desenvolvimento sustentável? Já ouviu falar?
Sim, já ouvi falar disso.
O que eu tenho a ver com isso? 
Não sei nem se você conhece o conceito. Sinceramente, acho que você não faz a mínima idéia do conceito, e fica aí vomitando bobagens na internet.
Mas eu pago meus impostos em dia, eu reciclo o meu lixo, eu ensino meu filho a respeitar o próximo.
Bom pra você. Eu também pago um absurdo em impostos. Como não tenho filhos, tento ensinar uma ou duas coisas para vocês. Minha melhor lição: leiam mais.
Eu ainda tenho que me preocupar com uma hidrelétrica no Pará?
O mundo seria melhor se você se focasse em seu trabalho.
Olha só, se não fizer a hidrelétrica de Belo Monte, não vai ter energia.
Quem falou isso, seus bobocas? A presidanta que vocês apoiaram durante a campanha? Acreditem no que quiserem mas vejam as duas dicas acima: leiam mais e foquem em seus trabalhos.  Energia existirá, porém será de alguma outra fonte (esse artigo trata do assunto), e já adianto: não será das fontes bonitinhas que vocês querem (solar e eólica) e sim de combustíveis fósseis ou termonuclear. 
Se não tiver energia, como é que eu vou ver televisão pra assistir minha novela? 
Eu não assisto novela. Prefiro ler e pesquisar sobre minha área de conhecimento. Deve ser por isso que eu não sei quem vocês são, e vocês não entendem droga nenhuma (escrevi "droga" por educação) sobre hidrelétricas. Assim como eu não entendo de neurocirurgia. A diferença é que eu não opino sobre neurocirurgia. Já atores...
Gente, não dá pra ficar sem luz, eu sou a pessoa mais conectada!
Use sua conexão para entrar em alguma livraria virtual e comprar uns bons livros. Eu sugiro os desse link. Não se esqueça de lê-los depois.

Não sei se esse monte de perguntas no início do vídeo têm o intuito de testar se alguém é qualificado o suficiente pra ter uma opinião sobre Belo Monte ou não, mas acho que passei no teste. Eu queria ver as respostas desses atores para as mesmas perguntas que eles fazem.

A questão do financiamento
Além de todo esse apelo exaltado, uma questão que é levantada no vídeo é que grande parte do financiamento da hidrelétrica virá do BNDES. Apesar de eu não concordar com isso (acho, essencialmente, que precisamos de menos Estado na economia) essa é uma das funções do banco, não? Financiar obras de infraestrutura é uma das, senão a função mais importante do BNDES. 
Eu posso bater no peito e falar que eu nunca usei dinheiro público para me sustentar. Não trabalho para o poder público, apesar de ajudar a sustentá-lo. Já os atores do vídeo, podem dizer o mesmo? Quantas peças de teatro deles foram financiadas com dinheiro do poder público? Quantos filmes deles foram feitos com auxílio de estatais, ANCINE, Ministério da Cultura? Eles têm Lei do Audiovisual, Lei Rouanet e todo o mais, e você paga a conta. Em resumo, usar dinheiro público para sustentá-los é certo; mas usar financiamento público para investir em infraestrutura que beneficiará toda a população é errado. 

O desmatamento e os povos indígenas
Já tratei desses assuntos em outro texto, por isso não vou me repetir. Contudo, o blog do Coturno Noturno traz um dado interessante, que segue abaixo:
um bando de abobados do elenco da Rede Globo diz que 640 km2 da Floresta Amazônica serão inundados. Sabem qual o tamanho da Floresta Amazônica? 6.000.000 de quilômetros quadrados. Portanto, a área inundada representa pouco mais de 0,01% da área total. 

O Fator de Capacidade
Os atores também "argumentam" que a usina vai gerar em média um terço de sua capacidade total. Esse conceito é conhecido na área técnica como "Fator de Capacidade", e é a razão entre a energia média gerada e a potência instalada de uma determinada usina. Por exemplo, se uma usina possui Potência Instalada de 100MW e Fator de Capacidade de 0,57, ela gera em média 57 MWh. No Brasil, as usinas a fio d'água, como é o caso de Belo Monte, tem um fator de capacidade entre 0,55 e 0,65. Outras usinas, que possuem reservatório com regularização (que acumulam um volume d'água em seu reservatório, em termos leigos) possuem fatores de capacidade maiores. Esse era o caso de Belo Monte. Por pressão dos ambientalistas, Belo Monte foi alterada para um regime de operação a fio d'água. Então não reclamem disso, por favor.
Querem uma usina com fator de capacidade alto? Então vamos fazer termoelétricas a combustíveis fósseis. Essas podem gerar energia a plena capacidade o tempo todo, praticamente parando somente para manutenção.  
Outro ponto interessante é que no Brasil, o fator de capacidade das usinas eólicas, que são a vedete dos ambientalistas, gira em torno de 0,3 (apesar de haver séries históricas muito pequenas, o que, no futuro, pode diminuir esse número). Na Alemanha, a média é de 0,17. Já viram algum ator reclamar disso?

Concluindo
Por que devemos confiar em engenheiros, biólogos, geólogos e outros profissionais da área ambiental quando os atores entendem tanto ou mais de meio ambiente e energia elétrica que qualquer profissional da área? 
Assistindo os vídeos, e levando em consideração a convicção com que os atores (os poucos que reconheço, pois admito que a maioria ali eu desconheço) se pronunciam sobre questões ambientais,  eu estou sinceramente disposto a demitir todo mundo nos órgãos ambientais e substituir os técnicos por atores. Eles decidem muito mais rápido, são mais convictos, e em menos de dois dias mobilizam uma galera pra apoiá-los. E o melhor: vão economizar uma grana dos empreendedores, pois estes não precisarão gastar dinheiro fazendo estudos. Afinal os atores leram o EIA da usina? Analisaram o projeto?
Entendo que cada um têm o direito de se expressar livremente, e acho válido que as pessoas tenham uma opinião formada. Defendo que os atores possam opinar sobre o que quiserem. Porém eles fariam um trabalho muito melhor se discutissem Brecht, Beckett ou Shakespeare ao invés de se meterem em algo que não entendem. 

sábado, 12 de novembro de 2011

Parem de financiar ONGs

Tem coisas que dão até preguiça de comentar, mas lá vai. Saiu na Folha o seguinte:
Entidades pedem que bancos não financiem Belo Monte 
Entidades civis anunciaram nesta segunda-feira ter encaminhado documento a 11 bancos do país recomendando que não financiem a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA). 
Mais de 150 entidades assinam a "notificação extrajudicial", como a ONG Amigos da Terra, o Movimento Xingu Vivo Para Sempre e a Comissão Pastoral da Terra, ligada à Igreja Católica. 
Entre as instituições que, segundo elas, receberam o documento, estão BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú-Unibanco. 
O documento diz que, caso as instituições bancárias financiem a obra, serão "automaticamente" responsáveis por danos ambientais que o empreendimento causar. 
Para as entidades, o projeto de Belo Monte é ineficiente e o EIA (Estudo de Impacto Ambiental) é incompleto, o que gera uma série de incertezas sobre os impactos ambientais e sociais. 
O documento critica a concessão da licença de instalação (segunda etapa do licenciamento ambiental) sem cumprimento de todas as condicionantes da licença prévia. 
O Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental, declarou em ocasiões anteriores que o atendimento integral das condicionantes só é necessário no final da obra. 
Em nota, a Norte Energia --empresa que constrói a hidrelétrica-- afirmou que não se manifestaria porque não foi comunicada oficialmente sobre a iniciativa.
Bom, eu falei que estava com preguiça de comentar, e agora que tive que reler o texto estou mais ainda. Sério, esse pessoal não tem mais o que fazer? Há vários aspectos que podem ser comentados na notícia acima. Entre outros:
  • A irrelevância da notícia;
  • Por que a Folha achou que isso era relevante; e
  • Por que esses ongueiros acham que podem (e devem) se meter na gestão dos bancos.
Contudo, não vou discutir nada disso. Só acho que os bancos e todos nós devemos usar isso como um alerta do tipo de patrulha que os militontos ambientais, ecochatos e biodesagradáveis querem impor a toda a sociedade. 
Eu tenho uma sugestão que vale tanto para os bancos quanto para qualquer cidadão. Vamos parar de financiar essas ONGs, OSCIPs e assemelhados. Quando alguém se mete na sua vida já é algo ruim, mas quando alguém usa o seu dinheiro, o produto do seu trabalho, para lhe dizer o que você deve ou não fazer, isso é hediondo. Meu dinheiro exigiu muito estudo e trabalho para ser transformado em proselitismo barato. Imagino que o seu também.

    sexta-feira, 11 de novembro de 2011

    A Síndrome de Bono

    Parece-me que, exceto raras exceções, quanto mais aptidão artística menos afinidade com o pensamento lógico. É a Síndrome de Bono, aquela vocação para o messianismo mal-informado. A lista de artistas que se engajam em alguma causa é gigante, mas o ambientalismo é a preferida. Por cima, consigo me lembrar de Sting, James Cameron (esse mereceu até um artigo na Exame sobre isso), Sigourney Weaver, metade das bandas indie, Wagner Moura (que não se cansa de falar bobagens sobre praticamente qualquer assunto), e agora, Cristiane Torloni. Bom, eu nunca vi uma peça da Cristiane Torloni, e não assisto televisão, mas  pela visibilidade que tem imagino que ela seja uma boa atriz. Contudo, ser uma boa atriz não a torna onisciente, e como os vários outros casos acima, parece gerar o efeito contrário.  
    A Sra. Torloni concedeu uma entrevista ao Estadão na qual apresentou suas posições ambientalistas:
    Você é uma mulher pró-verde, lutou na campanha Diretas Já. Há alguma outra bandeira que pretende levantar?
    São causas que me tocam. As duas têm a ver com minha missão geracional, tanto as Diretas Já como a causa ecológica. O código florestal, se for aprovado da maneira como está agora, vai gerar prejuízos que castigarão o planeta inteiro. Belo Monte, por exemplo. A essa altura, sabemos o que significa a construção dessa hidrelétrica e o custo ambiental dessa obra, como ainda pensamos que pode ser algo benéfico? Por que o Brasil não foi convocado para votar sobre isso, para decidir se realmente quer e pode arcar com uma hidrelétrica como Belo Monte? Infelizmente, nossa democracia é muito frágil, nesse sentido.
    Pelo que entendi, o novo Código Florestal vai prejudicar o planeta inteiro. Estranho que se formos ver a legislação de outros países, eles não dispõe dos mesmos mecanismos jurídicos que nós já dispomos em nossa legislação. Porém, o mundo não acabou. O que falta é o Brasil. Quando o Brasil mudar sua legislação, o mundo inteiro vai sofrer. 
    Belo Monte, como não podia deixar de ser, também entra no bolo. A sra. Torloni deve ser daquele tipo que compartilha bobagens nas redes sociais sem ler. E, se eu entendi corretamente, ela deseja algum tipo de referendo para decidir se a população quer ou não quer Belo Monte? Se for assim com todas as hidrelétricas em estudo ou implantação no país, passaríamos mais tempo votando que trabalhando.
    Quanto à colocação da Sra. Torloni sobre a fragilidade de nossa democracia, qual a sugestão dela? Largar a democracia representativa e adotar um sistema plebiscitário? Ela só mostra que conhece tanto de democracia quanto de meio ambiente.
    Obviamente há artistas cuja opinião eu respeito. Vejam o Brian Johnson, do AC/DC, que declarou a respeito de Bono o seguinte: 
    "When I was a working man I didn't want to go to a concert for some bastard to talk down to me that I should be thinking of some kid in Africa. I'm sorry mate, do it yourself, spend some of your own money and get it done. It just makes me angry. I become all tyrannical."
    E só pra esclarecer, eu e o Brian Johnson não somos os únicos no planeta que não gostam do Bono e seus assemelhados. Esse artigo de opinião no New York Times fala um pouco mais sobre as bobagens do Sr. Paul Hewson.
    Outra celebridade que já deu seus pitacos em questões ambientais foi Michael Crichton, autor de vários best-sellers, dos quais o mais conhecido aqui deve ser Jurassic Park. Contudo, vejam a diferença entre um e outro. Os discursos e textos do Michael Crichton (há um exemplo aqui) sempre procuraram respeitar a lógica e o pensamento científico. O homem, afinal, era um apaixonado pela ciência, não um fanático por publicidade.
    Como escapar da Síndrome de Bono? Ora, simples. Procure um bom psiquiatra e diga que você é um mitômano. Ele saberá o que fazer.
    Eu pagaria ingresso em um concerto ou festival beneficente para pagar o psiquiatra do Bono e seus asseclas. Acho que todos concordamos que a conta seria altíssima.

    terça-feira, 8 de novembro de 2011

    Reitoria desocupada: que venha o trabalho da justiça

    Vocês já devem ter visto que a democracia voltou a imperar na USP, por meio da ação da polícia cumprindo determinação da justiça. Pra quem não viu o que os revolucionários da cannabis fizeram durante o tempo que passaram na reitoria, vejam essa galeria de fotos da Folha.
    Essa é a forma de debate deles: vandalismo e depredação do patrimônio público. Pois bem, então que dialoguem com a polícia, que até onde sei, fez a desocupação da forma mais pacífica possível, e ainda levou 70 vagabundos presos. Agora que a algazarra acabou, que se dê o exemplo, e se processe tanto na esfera acadêmica quanto na criminal esses delinquentes. 
    Como não poderia deixar de ser, os esquerdopatas já estão se movimentando, buscando minimizar as ações de seus colegas de baseado e outros "ritos de passagem". Aposto que até o fim do dia algum deputado ou vereador vermelhinho vai defender os vândalos. 
    Isso sem contar que já começou a retórica do outro-ladismo, dizendo que se deve ouvir os dois lados. Sou totalmente contra isso. O "outro lado" da lei é o crime. Eu não preciso da opinião de quem defende bandido, assim como não me interessa a opinião do Marcola sobre combate ao tráfico de drogas ou a opinião dos Nardoni sobre criação de filhos. As fotos são bem eloquentes. Mostram o apreço que essas pessoas têm pelo patrimônio público. Agora que já prenderam uns 70, torço pra que a justiça prossiga com seu trabalho e que esses delinquentes sejam julgados.

    segunda-feira, 7 de novembro de 2011

    Globalistas: entendendo a Nova Ordem Mundial

    Sempre que menciono este assunto sou chamado de louco paranoico, a despeito das pilhas e pilhas de documentação, atas, livros e a confissão escancarada deixadas para trás pelos perpetradores, mas vamos lá.

    De acordo com algumas dezenas de estudiosos (para citar apenas um: Shadow World, por Robert Chandler), o cenário geo-político mundial têm sido desde o final do século XIX e o é hoje o campo de batalha de três grupos que buscam a unificação global. Com métodos e modus operandi ora conflitantes, ora complementares, todos os três no fim buscam apenas uma coisa: a destruição de toda e qualquer soberania nacional, a erosão das fronteiras e a criação de um governo global.
    Não, isso não é teoria da conspiração. Acontece a olhos vistos e com os perpetradores declarando seus planos aos sete ventos. Planos estes, traçados dentro de um escopo de séculos.

    São eles:
    • Movimento Comunista
    • Islã
    • Nova Ordem Mundial
      Sobre os dois primeiros falaremos depois, por agora e na sequência que pretendo dar a meus posts é importante entender o que é e como age a Nova Ordem Mundial. E creio que uma das melhores aulas a respeito deste grupo já capturada em vídeo foi, para nossa sorte, proferida pelo filósofo brasileiro Olavo de Carvalho (me poupa o trabalho de legendar!). A sequência de vídeos abaixo tem cerca de 1hora e meia, mas é absolutamente vital para começar a entender o que é, como opera e como nos afeta a Nova Ordem Mundial.

      Apenas para resumir o que o Olavo explica em detalhes: a Nova Ordem Mundial é um grupo de bilionários dinastas que simplesmente parou de jogar pelas regras do jogo. Usando todo seu poder e influência, infiltram-se em governos e manipulam as regras por dentro, enquanto torram bilhões financiando projetos de engenharia social, ONGs e todo tipo de esquerdopatia que os ajude a preparar o mundo para sua visão de um governo global.

      Entender a Nova Ordem Mundial é fundamental para entender entre outras coisas a ONU, a União Européia, as grandes crises econômicas recentes (todas!), os cenários políticos americano e europeu atuais, as revoltas em Londres, o Occupy Wall Street e muitos outros assuntos que nos afetam diariamente.

      Sem mais demora, os vídeos: 

                                           Parte 1/10
                                               

                                          Parte 2/10
                 

                                          Parte 3/10
                                               

                                          Parte 4/10


                                          Parte 5/10
       

                                          Parte 6/10
                                            

                                 Parte 7/10


                                 Parte 8/10


                                 Parte 9/10


                                  Parte 10/10


      Comento
      Se você chegou até aqui tendo assistido aos vídeos, garanto que está um pouco mais equipado para entender as loucuras do dia-a-dia que nos cerca. Como já estou me sentindo um professor, vou passar a lição de casa.

      Visite o banco de dados financiamento da Fundação Ford  e de George Soros e veja o tipo de projetos e ONGs que eles financiam: grupos de apoio raciais, pelos direitos da mulher, pelos direitos dos gays, estudos climáticos, movimentos anti-capitalistas, pesquisas no campo de educação  etc etc etc. George Soros até mesmo declara o que está fazendo no slogan do site de sua fundação: "Construindo democracias vibrantes e tolerantes". Leia-se: engenharia social. "Vibrantes" sendo código para "socialmente engajada" e pronta para acatar e agir de acordo com os planos do governo e "Tolerante" sendo código para "politicamente correto", o double-think orwelliano aplicado.

      A primeira vista, tudo parece muito bonito, não? Só para pegar um exemplo da vasta gama de tópicos que eles usam como massa de manobra, veja o caso dos gays: afinal, o que há de errado em financiar uma ONG que "lute" pelos direitos dos gays? Eu então pergunto: que direitos são estes? Uma predileção homossexual não invalida a condição de cidadão e humano do indivíduo. Então, se ele já tem os mesmos direitos que todos os outros cidadãos, advocar pelos "direitos" dos homossexuais significa pregar que eles deveriam ter direitos extras que não se aplicam aos compatriotas heterossexuais. Cria-se assim uma classe especial de cidadãos, grata aos "movimentos sociais" por suas benesses particulares e pronta para marchar quando a nave-mãe do "movimento" chamar.  Vide Lei da Mordaça Gay. Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

      É importante perceber que eles não dão a mínima pelota se o movimento é sobre negros, brancos, amarelos, verdes, feministas, gays, punheteiros, suricates venezuelanos ou pandas com disfunção erétil! Qualquer problema real que estes grupos enfrentem não vem ao caso. O que importa é usar o grupo em questão como sua infantaria ideológica.

      Financiando estes movimentos, os bilionários da Nova Ordem Mundial conseguem criar uma cisão social dentro das nações (erodindo o sentimento de patriotismo), criar um exército de idiotas-úteis prontos para marchar e gritar os slogans que lhe forem colocados na boca, criar o clima de instabilidade que eles precisam para entranhar-se cada vez mais nas bases do poder, manipular as regras do jogo e atacar as leis de mercado que lhe ameaçam as fortunas e o poder.

      É engenharia social, pura e simples. Agora compare como era moralmente a sociedade nos anos 30, 40 e  50 e compare com o mundo de hoje. Poderia-se dizer que são planetas diferentes, não? E você acha que chegamos a este ponto por acidente?

      domingo, 6 de novembro de 2011

      Para começar, o que é direita?

      Direita? Esquerda? Huh?
      Um jargão recorrente em discussões de boteco entre brasileiros é a falácia que "direita e esquerda não existem mais". Você provavelmente já ouviu isso. Eu sei que já escutei esta mentira mais vezes do que consigo contar.

      Bem, sinto muito, mas isso não poderia estar mais errado.

      Não obstante, não é completamente surpreendente que o brasileiro mediano pense assim, afinal, quais são os exemplos ostensivos de direita na vida política e cultural brasileira? Não existem. As pouquíssimas exceções de autores e políticos direitistas no Brasil são deliberadamente caladas e/ou massacrados pela mídia.

      O que existe no mainstream brasileiro é a esquerda e a direita da esquerda (sociais-democratas, mais perto do centro, mas ainda esquerda).

      Então, afinal, que diabos é esse raio de direita? Da maneira mais direta e simplificada possível: a esquerda é coletivista e a direita é individualista. os outros rótulos aplicados à Direita X Esquerda são:
      • Conservadores X Liberais* / Progressistas
      • Reacionários X Revolucionários
      A esquerda prega o "bem comum" através da centralização do poder nas mãos de um Estado gigantesco, onipresente e controlador, a direita acredita no poder de realização e liberdade individuais, que cada pessoa tenha liberdade para seguir seus próprios interesses.

      A esquerda prega o controle ferrenho do mercado em nome do "bem comum", a direita acredita que cada um sabe o que é melhor para si e é capaz de gerir seus recursos em prol de si próprio e sua família.

      A esquerda prega que "intelectuais" esclarecidos, benevolentes e bem intencionados sabem o que é melhor para a sociedade inteira, a direita acredita que cada indivíduo é capaz de cuidar de sua própria vida.

      A esquerda prega que a moralidade do Estado deve substituir e sobrepor-se a quaisquer valores da sociedade, a direita acredita que os valores judeo-cristãos serviram à sociedade ocidental muito bem até agora.

      Então, para sumarizar os 5 pilares da direita, sem nenhuma ordem específica pois todos são igualmente importantes e interconectados, são:
      • Liberdade
      • Responsabilidade pessoal
      • Livre mercado
      • Governo limitado 
      • Moralidade judeo-cristã
      Agora compare isto com o típico jargão de frustração de um brasileiro: "[insira problema aqui] está uma droga e o governo não faz nada!". Bem, o que você esperava? 

      A pedra fundamental da questão é justamente a onipresença da esquerda na cultura brasileira, ou seja, a percepção que a responsabilidade de tudo é dos governantes. Os tais "intelectuais" esclarecidos e benevolentes são uma fantasia. O que a direita acredita é que simplesmente não podemos entregar nossa liberdade e vidas nas mãos de outros, pois o resultado sempre será estes outros cuidando de seus próprios interesses pessoais usando a população como massa de manobra. 

      Como muito bem colocado por Lord Acton: "O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente". Então por que raios nós deixamos que o partido da vez, governo após governo, concentre cada vez mais o poder? 

      Lembrem-se as lições da história. Em absolutamente TODAS as vezes que uma elite "esclarecida" e benevolente obteve o poder absoluto ou quase absoluto em nome do "povo", o resultado foi genocídio: revolução francesa, União Soviética, Alemanha Nazista, China, Camboja e Cuba mataram mais de 100 milhões de civis em nome do "bem comum" (voltarei a este tema em futuros posts).

      Em contrapartida os founding fathers americanos deixaram na constituição e na declaração de direitos (bill of rights) dos EUA mecanismos para limitar o poder do governo, garantir a liberdade individual e o livre mercado. O resultado: primeiro país na história a abolir escravidão, justiça, fartura e cultura como jamais visto entre uma sociedade humana.

      E a direita é que leva pecha de malvada e sem-coração.
      Vai entender.

      O brasileiro não sabe o que é direita porque não temos isso por aqui. Não significa que não exista em outros lugares do mundo. Você sabe o que é o Tea Party americano? Se sua única fonte de informação é a mídia brasileira, você provavelmente responderia "sim", mas eu diria que você está errado. Eu costumo dizer que português é uma prisão mental, porque o indivíduo monoglota está limitado à conhecer apenas o que lhe é permitido ver. Em conversas casuais com amigos e colegas eu fiquei chocado com algumas opiniões que ouvi a respeito do Tea Party ser "um bando de nazistas e racistas". Não! O Tea Party defende, na sua essência, que o governo esquerdista dos democratas pare de gastar desenfreadamente o suado dinheiro dos impostos em esquemas populistas gigantescos.

      Soa familiar com algo que eu mencionei acima?

      *O termo "liberal" (homógrafo no inglês) originalmente significava liberalismo econômico, e era um conceito da direita. Este uso do termo ainda resiste de certa forma no Brasil (principalmente como pejorativo contra os sociais-democratas), mas a esquerda internacional conseguiu ao longo do século XX surrupiar a palavra e hoje no contexto político internacional ela é usada como "liberalismo social", ou seja: sinônimo de esquerda.

      sábado, 5 de novembro de 2011

      Morre líder das FARC: o mundo fica um pouquinho melhor

      Na Veja Online:
      O Exército e a polícia da Colômbia anunciaram nesta sexta-feira a morte do comandante das Forças Revolucionárias da Colombia (Farc), Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano, em uma operação que o governo qualificou como "o maior golpe nesta guerrilha" nos 50 anos de batalha. "Caiu o número um das Farc. É o golpe mais contundente que se deu nesta organização em toda sua história", afirmou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em mensagem à nação em Cartagena de Indias, onde estava quando soube da notícia.
      O título é polêmico, eu sei, mas mesmo me recriminando lá no fundo por achar a morte alguém uma boa notícia, não posso deixar de pensar que a Colômbia está no caminho certo. Quem promove o terrorismo, usa o crime como método e tenta destruir a democracia a força de armas não merece a civilização que temos, muito menos a que poderíamos ter sem gente assim.
      Espero que a exemplo do que aconteceu quando as forças armadas colombianas mataram Jorge Briceno, o Mono Jojoy, se colete inteligência a respeito das operações das FARC. Também espero que, diferente daquela ocasião, que sejam presos e julgados os que auxiliam, apóiam e sustentam uma organização criminosa de narcotraficantes. Na Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador ou Brasil, ou   onde quer que estejam. O mundo fica um pouco melhor sem Alfonso Cano, mas ficará muito melhor sem seus apoiadores.

      Sozinhos são ignorantes, juntos também

      Na esteira do post do Hades sobre o movimento OccupyWhatEver, me lembrei de outra daquelas campanhas que de vez em quando aparecem nas redes sociais. Essa está totalmente de acordo com o que eu já havia escrito sobre os princípios do movimento ambientalista, e as mentiras que eles propagam na rede. Vejam abaixo:
      Eles não cansam de mentir?
      Cumprindo o dever cívico
      Eu considero uma obrigação moral contestar uma mentira, e um dever cívico quando é uma mentira dos esquerdopatas. Vamos lá: 99% da população é contra a mudança do Código Florestal? De onde eles tiraram esse número? De acordo com o Censo 2010, em torno de 15% da população do país vive em zonas rurais. Se só um terço dessa população for favorável à mudança do código, já temos 5% de pessoas favoráveis. Sem contar a população urbana que é favorável. 
      Essa história de 99% começou com o movimento OccupyWallStreet, e se espalhou pelo mundo. Obviamente nossos esquerdopatas não ficariam para trás, e como esse negócio de criar algo novo é muito cansativo, se apropriaram das palavras de ordem dos esquerdistas americanos; afinal, esquerdista não têm pátria (um dia o Hades prepara um post sobre isso). 
      Outro ponto interessante do movimento esquerdista é que assim como eles não têm pátria, eles também não possuem nenhuma agenda definida. Qualquer causa é válida, e quanto menos informação a respeito, melhor. Entrei no site para descobrir quem são os tais "Juntos". O que eu encontrei lá:
      Somos aqueles que estão sem emprego, sem educação, sem cultura, sem casa, mas também sem medo de lutar! Somos aqueles que estão em defesa da Amazônia nos atos contra a construção de Belo Monte e contra o novo código (anti-)florestal! Somos aqueles que estão nas lutas contra toda forma de preconceito, seja de genêro, etnia, idade, credo. Somos aqueles que estavam nas Marchas da Liberdade, das Vadias, no #ForaRicardoTeixeira, contra a corrupção, nas paradas LGBT. Somos aqueles que #TomamosAsRuas e lutamos por uma #DemocraciaRealJá!
      Interessante é que os esquerdistas já aprenderam a escrever, mas ainda estão a léguas de fazerem algum sentido. O negócio é arregimentar o maior número de apoiadores possível, não importa de onde eles venham. Agora que já comecei, vou extrair alguns trechos do texto acima, passo a passo, pra tentar entender quem são esses esquerdopatas. 
      sem emprego, sem educação, sem cultura
      Sem emprego era óbvio. Alguém já viu esquerdopata que fosse produtivo para a sociedade? Sem educação e sem cultura também é outra característica básica deles. Afinal, um pouquinho mais de leitura e reflexão faria com que, além de aprenderem a língua pátria (lembram dos "trabaliadores" da USP?), pensassem por si próprios. Quem sabe se eles passassem menos tempo em manifestações e mais tempo lendo, estudando e procurando trabalho, a situação deles melhoraria?
      em defesa da Amazônia nos atos contra a construção de Belo Monte e contra o novo código (anti-)florestal
      Já é conhecido que verde é o novo vermelho. São os ambientalistas-melancia: verdes por fora, vermelhos por dentro. O que eu gostaria mesmo de saber é se algum desses melancias aí já esteve na Amazônia. Duvido que algum deles entenda alguma coisa de geração de energia elétrica ou tenha lido a íntegra do relatório do Código Florestal. Caso queiram ler, está aqui.
      nas lutas contra toda forma de preconceito, seja de genêro, etnia, idade, credo
      Aqui, eles involuntariamente disseram que concordam com a constituição. Deve ser algum erro de grafia. Vou salvar um pdf da página antes que eles mudem.
      Somos aqueles que estavam nas Marchas da Liberdade, das Vadias, no #ForaRicardoTeixeira, contra a corrupção, nas paradas LGBT.  
      Se lembram do que eu falei quando disse que eles precisam passar menos tempo em manifestações e mais tempo estudando, lendo e procurando emprego? Eles mesmos admitem isso. Eles vão desde a marcha dos maconheiros (não necessariamente algo que voce vá colocar no seu CV, né?) até manifestações contra o presidente da CBF. Vale tudo, menos trabalhar e estudar.
      Somos aqueles que #TomamosAsRuas e lutamos por uma #DemocraciaRealJá!
      Eu entrei em algumas páginas que falavam sobre esse tal "DemocraciaRealJá". Sinceramente não entendi do que se tratava. Me parece uma cambada de vagabundos que ficaram brabinhos porque as coisas não saíram como eles queriam. A resposta? Vamos fazer uma manifestação, claro! Quanto ao "TomamosAsRuas", nem sequer achei nenhuma referência a isso. Deve ser algo análogo ao que falei nesse post.

      Imagina-se que já que eles defendem tantas causas, devem ter um monte de propostas para cada um dos tópicos abordados, certo? Errado! Imaginem comigo, se nem as críticas deles são coerentes, imaginem as propostas. No caso, como eles nem identificaram o problema corretamente, obviamente não há qualquer formulação de hipóteses. Metodologia científica básica. Pelo menos eles são sinceros em admitir que não têm nem educação nem cultura. Mas não precisava. Nota-se.

      Resumindo
      Toda essa estória de 99% pra lá, 1% pra cá, nada mais é que uma variação do velho "nós" contra "eles". A mentalidade dessa gente é tão fraca que pra eles não importa se 99% estão errados ou certos, mas o importante é fazer parte dos 99%. Individualmente, duvido que qualquer um deles se sustentaria em um debate. Por isso a necessidade de fazer barulho em grupelhos, em angariar qualquer um que seja para a causa deles.
      Se esses são os 99%, eu tenho o maior orgulho de fazer parte dos 1%. Aquele 1% que pensa por si.

      OccupyWhatEver: a síntese do movimento.

      Na tradição esquerdopata arruaça, bandidagem e falta de higiene sempre tiveram lugar privilegiado. Mais privilegiado até do que a causa da vez ou o motivo da mobilização. Esqueçam idéias, o quente mesmo é invadir algum lugar e acampar! Vale fazendas, reitorias e até Wall Street!

      O movimento Occupy[InsiraLugarAqui] que começou com OcuppyWallStreet a alguns meses tem suas franquias em Oakland, Chicago, Seattle e umas tantas outras é uma prova tão cabal de que esquerdopatismos em geral são frutos de esforços mentais intestinais tão transviados que chega ser tarefa monstruosa listar todas as barbaridades que conseguem cometer.

      Para quem chegou agora e não sabe do que se trata, o movimento (intestinal) consiste na ralé tomando conta de uma praça ou rua e acampando, criando comunas e basicamente permanecer ali batendo tambores, consumindo drogas, gritando slogans comunistas e defecando em tudo (inclusive carros de polícia).

      Na lista de items dos vagabundos consta desde protesto contra os grandes bancos e suporte à Obama (mutualmente excludente com a primeira, mas isso fica para mais tarde), aumento de impostos para os 'ricos' (mas não dos ricos democratas), anistia de hipotecas, anistia de empréstimos estudantis, protestos pro-palestina, protestos anti-israel, protestos pelo controle populacional, por energias renováveis, contra aquecimento global, pelo comunismo, pelo fim do capitalismo, etc etc etc!

      Basicamente, se está na agenda da esquerda, eles protestam.

      Compondo os acampamentos estão os suspeitos de sempre: universitários (quase 100% estudantes de alguma variedade de humanas) e adolescentes sem causa, sindicalistas, políticos e ativistas profissionais, desempregados (sustentados pelos vários 'bolsa-algo' do welfate state), desocupados, ladrões, traficantes, toxicômanos, hippies, punks, comunistas, neo-nazistas, fugitivos da polícia, sem-teto e doentes mentais.

      Pretendo falar mais a respeito do que acontece e seus vários aspectos intrigantes, mas por agora acho que o membro do protesto no vídeo abaixo dá uma idéia clara das bases intelectuais do movimento:




      Precisa dizer mais?

      quinta-feira, 3 de novembro de 2011

      Ainda há juízes em SP

      Li com sentimentos conflitantes a notícia no site da Veja que a justiça de SP deferiu a reintegração de posse da reitoria da USP. Por que sentimentos conflitantes? Ora, enquanto a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti deferiu o pedido, ação com a qual concordo totalmente, qual foi a decisão da reitoria? Segundo a reportagem:
      "integrantes da Comissão de Negociação da Reitoria tentarão evitar ao máximo o conflito entre alunos e PMs. Os negociadores comunicarão a determinação aos manifestantes e tentarão articular uma saída pacífica."
      Comissão de Negociação? Que estrovenga é essa? Acho incrível como a lei está em baixa no país, de forma que se trata um bando de delinquentes como se fossem meros interlocutores, debatendo "A República" de Platão. São criminosos, danificaram patrimônio público para defender uma causa bem particular: fumar maconha nos campi. Oferecem as benesses da democracia aqueles que não possuem a menor noção do que ela é. E quando foi que esses democratas invadiram a reitoria? Após serem derrotados em uma assembléia que determinou que desocupariam a administração da FFLCH.  
      Eles desocuparam o prédio da administração da FFLCH, e vejam nessa reportagem da Folha o que acontecerá com eles:
      A diretora da FFLCH, Sandra Nitrini, disse que nenhum estudante será punido. "Não vai haver [punição aos estudantes] porque com base no que a comissão verificou na vistoria não houve danos sobstanciais. Eles se comprometeram a limpar a pixação feita também." 
      Eu não sei que droga de negociação é essa que a tal comissão está fazendo, e mesmo sem conhecer o regimento interno da USP, duvido que a invasão de um prédio, com os danos materiais e transtornos no atendimento aos alunos que querem de fato estudar seja algo permitido pelo regimento de qualquer instituição que se respeite. E quanto à diretora, cabe lembrar que é dever dela, entre outros, zelar pelo atendimento a esses alunos que querem estudar, além de zelar pelo patrimônio público. Não acredito que seja seu dever passar a mão na cabeça de alunos que depredam o patrimônio público. Ou impunidade virou prática pedagógica?
      Quando a diretora e a própria reitoria não utilizam todos os meios de que dispõem para restabelecer a normalidade e impedir que isso aconteça novamente - expulsando esses vagabundos - prejudicam indiretamente a totalidade da comunidade acadêmica. 
      A reitoria da USP disponibilizou ontem na internet vídeos das câmeras de segurança da reitoria durante a invasão. Vejam o que esses dedicados alunos da USP fazem:





      Faculdade para quem quer estudar,  punição para quem merece
      Parece repetitivo, visto que já escrevi um texto a respeito, mas se esses trogloditas querem se comportar como tal, e pior, passar da vagabundagem e desperdício de dinheiro público para uma carreira criminosa, que arquem com essas escolhas. Faça-se a vontade deles, e que se aplique tanto nosso código penal quanto o regimento da USP. Que essa comissão de negociação vá fazer algo mais útil, como identificar esses delinquentes e submetê-los a processos administrativos conforme o regimento da USP. Que a comissão ofereça denúncias à justiça para que eles sejam julgados por suas ações.
      Pessoas que agem assim não só deveriam estar fora da faculdade, mas fora do convívio social. É assim que escolhemos tratar nossos criminosos, e a lei deve ser a mesma para todos, independente de sua escolaridade ou da "causa" que defendem. 

      quarta-feira, 2 de novembro de 2011

      Desconstruindo uma mentira ambientalista

      Como praticamente metade do mundo que têm acesso à internet, eu também tenho um perfil no facebook. Lá, uma das minhas maiores diversões (além de participar de grupos como o excelente grupo de discussão sobre o Código Florestal) é ver as campanhas que o pessoal compartilha. Desde pérolas como os professores pedindo condições "diginas" de trabalho (professor analfabeto deve ser demitido, na minha opinião) até as milhares (sério) de vezes que vejo algo sobre animais perdidos, as redes sociais em geral e o facebook em particular viraram terreno fértil pra todo tipo de campanhas ou defesa de quaisquer barbaridades. Antes das redes sociais, quando essas mensagens só chegavam por e-mail, isso era conhecido como spam
      Uma das melhores que vi, contudo, foi uma sobre Belo Monte. Como aconteceu desde que se declararam as intenções de implantar a usina, os protestos continuam. E pra não variar, o que menos acontece é uma discussão científica séria. Acho que todos de vocês que estão no facebook já devem ter visto esse post pelo menos uma vez: 
      Pra quem não viu, é isso aí que falam de Belo Monte
      Mentiradas ponto a ponto
      O texto da mensagem me divertiu muito mais do que normalmente pois é uma aula prática do que Schopenhauer quis demonstrar em seu livro "Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão" (eu tenho essa edição). Duvido que um texto tão pequeno mostre de forma condensada tantos dos estratagemas que Schopenhauer apresenta no livro. Portanto, comentarei-o em partes.
      "O cacique Raoni chora ao saber que Dilma liberou o início das construções de Belo Monte,
      O post mostra nosso maior especialista silvícola em abraçar celebridades precisando de uma causa, o cacique Raoni, supostamente chorando ao saber da construção de Belo Monte. Pra começar, não há uma única indicação, uma única notícia de discussão ou audiência sobre Belo Monte que reproduza essa imagem, que por sinal, não possui qualquer crédito. No mais, falar que "Dilma liberou o início das construções" é admitir que não se entende nada sobre licenciamento ambiental. Com todos os problemas do licenciamento ambiental no país (vide praticamente metade dos textos desse blog) felizmente ainda não foi instituído o licenciamento ambiental por decreto presidencial.
      mesmo após cartas dirigidas a ela que foram ignoradas, e ainda mais de 600 mil assinaturas que foram igualmente ignoradas.
      Esse povo não entende o funcionamento da democracia. Se a presidente da república decidisse baseada no número de cartas que recebe, então a HP seria o maior lobista do país. E quanto às 600mil assinaturas? Respeito o fato de se coletarem assinaturas para defender alguma causa e mostrar à classe política que aquela causa têm apoio popular (por exemplo, o Voto Distrital). Contudo, vale lembrar que ao contrário do caso do Voto Distrital, o que se faz nesse caso é desinformar, ao contrário de informar as pessoas sobre o que elas estão apoiando. Mais adiante voltarei a esse ponto. 
      Foi decretada a sentença de morte dos povos do Xingu.
      Eu não sei vocês, mas eu já vi várias bacias com hidrelétricas e índios. Até onde sei, em nenhum lugar eles foram dizimados pela existência dos aproveitamentos hidrelétricos. (N. do autor: Nem sei porque me dignei a responder essa)
      Belo Monte seria maior que o Canal do Panamá,
      Eu não sei de onde partiu a proposta de tomar o Canal do Panamá como referência para licenciamento ambiental. Os militontos ambientalistas vão propor um tratado internacional dizendo "Obras maiores que o Canal do Panamá não podem ser licenciadas"? Pela irrelevância no contexto, nem vou pesquisar as dimensões do canal.
      inundando pelo menos 400.000 hectares de floresta,
      Mentira! A área do reservatório de Belo Monte é aproximadamente 520km², ou seja, 52.000ha, bem menos que o falado no post. Obviamente a totalidade dessa área (520km², não a ilusão postada anteriormente) não é de florestas, devendo ser descontados para cálculos de supressão de vegetação o próprio leito do rio, além de áreas já antropizadas, como cultivos agrícolas.
      expulsando 40.000 indígenas e populações locais
      Mentira deslavada! Gastei 15 minutos do meu tempo e peguei os dados das Terras Indígenas (TIs) da FUNAI. Selecionei todas as TIs a uma distância de 100km de Altamira (e Altamira é um município gigante!). São 26 TIs. A soma da população dessas TIs segundo o dado da FUNAI é de 6.547 pessoas. Lembro que essa é a população total das TIs a uma distância de 100km de Altamira. Não necessariamente todos serão atingidos pela hidrelétrica. Aliás, mesmo que todas as 26 TIs a uma distância de 100km de Altamira fossem atingidas, e que todos os indígenas precisassem ser relocados, ainda assim não chegaria nem perto dos 40 mil que o post fala.
      e destruindo o habitat precioso de inúmeras espécies
      Eu não entendo muito das espécies amazônicas e seus hábitats, mas entendo de lógica, de método científico, e argumentação. E sempre que eu vejo alguém usar o termo "inúmeros" ou similares, começo a desconfiar que o argumento não está respaldado em nenhum dado concreto. Além disso, o termo correto não é "destruindo", e sim alterando. Algumas espécies podem precisar se realocar após a implantação da usina, outras (especialmente espécies aquáticas) perderão seus locais de reprodução, alimentação ou abrigo. Longe de mim ser contra os bichinhos, mas vamos colocar as coisas na sua devida proporção: segundo o sistema DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) do INPE, entre 01/01/2003 e 01/01/2008 houve alertas de desmatamento de 2199.53 km² (ou 219.953 ha) somente no município de Altamira, e isso antes de qualquer obra de Belo Monte. Onde estavam os defensores dos hábitats dos bichinhos naquela época, ou antes disso, quando o DETER não existia? Ao menos agora haverá um benefício para toda a população, e não somente para os que desmatam ilegalmente.
      -- tudo isto para criar energia que poderia ser facilmente gerada com maiores investimentos em eficiência energética."
      Isso é uma junção de ignorância e má-fé.  Não sei de onde eles tiraram a idéia que eficiência energética significa geração de energia elétrica. Eficiência energética é redução de consumo, não aumento de geração. Geração de energia elétrica continua sendo... geração de energia elétrica. Aliás, como curiosidade: 0,25% da receita operacional líquida das distribuidoras de eletricidade obrigatoriamente vai para programas de eficiência energética. Só pra lembrar, você paga a conta.

      Desinformação
      Alguma alma caridosa, que realmente acredita que todos só querem o bem mas não sabem onde se informar, pode dizer que estou sendo malvado com os ecochatos e biodesagradáveis ou estou trabalhando com informações que não são de domínio público. Não. Esses militontos simplesmente inventam dados espúrios. A prova? Para quem quiser realmente saber os dados sobre a usina, todos os estudos para o licenciamento ambiental estão disponíveis aqui no site do IBAMA. Os dados da tramitação da usina junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) podem ser visualizados aqui.
      Em resumo, tanto o processo de licenciamento ambiental (disponível no link acima) quanto os estudos de engenharia aprovados pela ANEEL são públicos. Basta fazer uma solicitação ao Centro de Documentação da ANEEL que eles mandam os dados pra você.
      Eu levantei todos esses dados e escrevi o texto acima em menos de uma hora (aproveitei trechos de meus debates no facebook). Então não pode ser tão difícil passar informações embasadas. Quem passa informação errada está querendo usar os outros como massa de manobra.

      Finalizando
      Cada um pode ter sua opinião, e pode fazer propaganda do que bem entender, porém convém ter opiniões bem informadas e não propagar textos apócrifos, sem a mínima credibilidade. Fazendo isso não se defende as florestas, os povos tradicionais nem o meio ambiente, e só os interesses de grupos que, seja qual forem seus objetivos, precisam mentir para alcançá-los, o que já não é bom sinal.

      sábado, 29 de outubro de 2011

      Faculdade pra quem quer estudar

      Vejam o estado em que as coisas estão: "alunos" da USP invadiram o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, e decidiram que não saem de lá enquanto não for revogado um convênio entre a USP a PM, permitindo que as leis que valem para o resto do país vigorassem também na USP. Pena que um estudante da USP teve que morrer para que as autoridades (as da USP, não de SP) soubessem que ali existia uma terra de ninguém.
      E qual o motivo dessa revolta contra a presença da polícia? Três pseudo-estudantes de geografia, que estavam fumando maconha dentro do campus, foram abordados pela PM, e daí começou a confusão, com outros pseudo-estudantes agredindo policias que estavam - vejam só que absurdo - cumprindo seu dever. Nessa baderna toda, três estudantes foram encaminhados à delegacia, óbvio, mas três PMs foram agredidos por cumprirem seu papel: aplicar a lei. E para lamento de alguns, a maconha, no Brasil, é ilegal.
      Os fatos que levaram à presença da PM nos campi da USP são trágicos de fato; em especial o homicídio de um aluno, e por si só, justificariam a presença da polícia nos campi. Porém, levando em consideração que vivemos - ou queremos viver - em um Estado de Direito, a presença da polícia nos campi é mais que uma necessidade imediata, e sim uma necessidade postergada anos a fio e justificada somente por uma realidade que não mais existe em nosso país. 

      O triunfo da ignorância sobre a razão
      Faço um pequeno interlúdio no texto para demonstrar quem são aqueles que desejam que as leis valham somente fora da USP (e das demais universidades federais), como o deputado federal Paulo Teixeira, que segundo essa reportagem, afirmou o seguinte:
      "O uso de drogas na faculdade faz parte de um ritual de passagem”, disse à reportagem o deputado do PT. "A presença da PM junto aos estudantes é uma química que não dá certo e gerou esse problema hoje."
      "Ritual de passagem"? O deputado acha que o uso de drogas na faculdade é natural. Pelo atentado à lógica,  eu acho que o deputado é uma vítima do uso excessivo de "rituais de passagem", se é que vocês me entendem (o deputado pode não entender). E ele não parou aí: a afirmação que a causa dos problemas ocorridos é que "a presença da PM junto aos estudantes é uma química que não dá certo" no mínimo deve demonstrar que a química que não dá certo é aquela entre os estudantes que querem estudar e aqueles que querem praticar "rituais de passagem" usando nosso dinheiro. Para ilustrar a diferença entre um e outro, reproduzo abaixo a imagem que achei em uma das reportagens sobre o assunto que achei na internet:

      Esses "estudantes" escrevem "trabaliadores"
      Concluindo
      Esses são os "estudantes"que o deputado defende: semi-analfabetos e criminosos. Minha opinião, como quem lê esse blog deve saber, é que a lei vale para todos. E mais que isso: se os cidadãos pagam pelo estudo desses poucos, que se dê aos pagantes o retorno de seu investimento. Ninguém paga seus impostos pensendo em oferecer aos alunos da USP um território livre para seus atentados contra a legislação. Ninguém paga impostos para financiar ocupações de prédios públicos. Porém, é um sinal claro dos tempos que a futura geração esteja muito ocupada defendendo os amigos maconheiros ao invés de estudar. 
      Quando os pais e professores não ensinam, só há uma resposta: polícia neles!

      sábado, 17 de setembro de 2011

      Planeta Azul em Algemas Verdes

      Retificando a informação que passei no post sobre livros que não foram publicados no Brasil, o excelente "Planeta Azul em Algemas Verdes", de Vaclav Klaus, está disponível em português. 
      Vocês podem adquiri-lo pela internet nas várias lojas listadas aqui. Por menos de 30 reais, esse livro é uma pechincha. Admito que paguei mais que isso para importar o meu, porém já comprei mais dois em português só pra emprestar pros amigos.
      Se alguém souber da tradução de algum dos outros da lista que passei anteriormente ou outro livro interessante sobre o assunto, é só mandar para o blog.

      sexta-feira, 16 de setembro de 2011

      O ambientalismo como empresa

      Em uma conversa casual durante uma festa, alguém sugeriu que eu poderia contribuir a um assunto, já que eu "era ambientalista". Respondi: "Eu trabalho com meio ambiente, não sou ambientalista". Essa é uma confusão corriqueira dos dois lados, tanto dos ambientalistas quanto do cidadão comum, honesto e produtivo. 
      Na minha concepção, ambientalista é aquele ser que acredita piamente que ele dispõe de todas as respostas para salvar as florestas, os animais silvestres, o planeta. Contudo, essas respostas sempre passam pelo sacrifício, não somente o próprio, mas dos outros. Ambientalistas sempre desejam restringir ou proibir o que para a esmagadora maioria da população são vitórias da civilização. A liberdade do indivíduo é dispensável quando confrontada com o bem do planeta. Tudo isso em nome de um futuro utópico em equilíbrio com a natureza.
      Como exercício, tentai imaginar o movimento ambientalista como empresa. O resultado está abaixo. 

      Movimento ambientalista

      Missão
      Restabelecer o equilíbrio da natureza, não importa o custo.

      Visão
      - Tornar a defesa do ambiente um imperativo categórico em qualquer debate sobre qualquer assunto.
      - Guiar a humanidade para um novo futuro. 

      Valores
      - Coletivismo.
      - Impessoalidade.
      - Messianismo.

      Filosofia
      - A ciência deve ser subordinada à ideologia.
      - Nós somos os detentores da verdade. 
      - Vozes divergentes são necessariamente contra a natureza.
      - Qualquer custo é válido para atingir nosso objetivo.
      - O uso do dinheiro público é uma ferramenta válida para defender nossa visão particular.
      - O custo deve ser pago inclusive e especialmente por quem não acredita em nossa ideologia. 

      Estratégia 
      - Criar cenários apocalipticos para alertar os não-iluminados.
      - Juntar-se em associações e organizações para evitar responsabilidade individual. 
      - Atuar de forma difusa e em tantas frentes de forma a impedir uma oposição organizada.
      - Usar o sistema judiciário para influenciar decisões que deveriam ser técnicas.
      - Descaracterizar os opositores como "inimigos do ambiente", "destruidores", ou similares. 
      - Criar conselhos, câmaras e fórums de toda sorte, preencher as vagas somente com outros seguidores.
      - Anunciar-se como "representante da sociedade" em qualquer circunstância.  
      - Doutrinar jornalistas e políticos, entregando-os (nossos) fatos e notícias prontos. 

      quinta-feira, 15 de setembro de 2011

      Belo Monte: lembram desse episódio?

      Em um debate num dos grupos de discussão sobre o Código Florestal no facebook, li esse post do Ciro Siqueira:
      A violência contra o movimento ambiental realça os estereótipos. Eles lograram convencer a sociedade que produtor rural, ruralista, é violento. Quando essa violência se evidencia eles dizem - Tá vendo só? Vejam como eu tenho razão! - Daí fazem a ligação espúria com qualquer coisa, por exemplo: Vejam como estou certo, precisamos barrar Belo Monte. A sociedade acredita porque o ato e o estereótipo se encaixaram. Nós precisamos aprender a não cair nessas esparrelas.
      Certamente concordo com o Ciro. Cada vez que um ambientalista é agredido, o estereótipo violento dos "destruidores da natureza" contra os "santos da floresta" volta à tona. Contudo, e quando não é um ambientalista, seringueiro, membro do MST ou coisa do tipo que é agredido, a justiça é feita? Acredito que não. 
      Lembram do episódio em que o engenheiro Paulo Fernando Rezende, da Eletrobrás, foi agredido por índios em uma audiência sobre a usina de Belo Monte? Para relembrar ou conhecer a história, veja os vídeos abaixo:

      Vejam só: isso aconteceu há mais de três anos. E o que foi feito para encontrar e punir os culpados? Os índios da região ao menos demonstram alguma vergonha por atacarem covardemente um homem desarmado, e que não ofereceu nenhuma resistência? Que nada! 
      • A "liderança indígena" denominada Ireô Kayapó, que confessa no vídeo ter adquirido os facões na véspera do ataque encontra-se recolhido ao sistema penitenciário? 
      • O Sr. José Ribeiro, do Cimi, foi levado a julgamento por incitação ao crime, formação de quadrilha, ou ainda está por aí usando índios como massa de manobra?
      O vídeo ainda trás alguns trechos interessantes, como o delegado Jorge Eduardo Oliveira se questionando se "facão faz parte da cultura indígena kayapó". Delegado, posso responder pra você? Não. Ou então índio só sai pra comprar itens de sua cultura um dia antes da reunião sobre Belo Monte? Delegado, defenda as leis, mas respeite a lógica. 
      Eu sou contra a violência, e acho que aqueles que cometem ou incitam a violência devem pagar por isso. Mas dos dois lados.

      quarta-feira, 14 de setembro de 2011

      Profetas do aquecimento global querem mandar no que você come

      Em 2005, George Will escreveu em um artigo no Washington Post que "ambientalismo é coletivismo travestido" (environmentalism is collectivism in drag, no original). Eu concordo, e completo: desde que o poder seja deles, claro (falarei mais sobre isso em outro post). Viver em um estado coletivista só é minimamente desejável  -- não por mim, que fique claro -- se for você quem dá as ordens.
      Uma modinha que diminuiu um pouco recentemente, mas que deve voltar com tudo no próximo ano com a conferência Rio+20 é a tal da pegada de carbono (carbon footprint, no inglês).  É o seguinte: sua respiração, a eletricidade que você usa, as roupas que veste, os alimentos que você consome, tudo isso está matando o planeta em maior ou em menor grau.   Em resumo, tudo que você faz ou consome deixaria um rastro de carbono na atmosfera, e sua pegada de carbono seria o seu quinhão no aquecimento global. 
      Pensando sempre no bem do planeta, uma ONG norte-americana resolveu calcular quais os alimentos que deixam a menor pegada de carbono. O resumo dos resultados estão nesse link. Entre outros resultados, a pesquisa afirma que se uma família de 4 pessoas deixar de comer carne e queijo um dia por semana durante um ano, isso é o equivalente a tirar um carro de circulação por 5 semanas. Além disso, eles fizeram um gráfico muito bonito elencando quais alimentos possuem maior ou menor pegada de carbono, que reproduzo abaixo.
      Clique para ampliar
      No topo do gráfico estão os alimentos com a menor pegada ecológica, enquanto embaixo em vermelho estão os com a maior pegada ecológica. Queijo, carne bovina e ovina são os três alimentos com a maior pegada ecológica. 
      Normalmente eu não me incomodaria com isso, já que não há consenso científico sobre aquecimento global antropogênico. Mas lendo esse material não pude esquecer de uma frase atribuida a Tim Maia: "Fiz uma dieta rigorosa. Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias". 

      A questão da culpa 
      Imagine que você seja culpado de algo, mas que sua culpa é independente de suas ações. Nada como gula ou avareza, não é um pecado que possa ser evitado. Você peca porque vive. Essa é a estratégia desse povo pra tentar mais e mais controlar sua vida. É uma estratégia de uso da culpa tão abrangente e bem bolada que deve deixar vários estelionatários menores morrendo de inveja. 
      Bom, eu não gosto de nenhum arremedo de coletivismo, defendo a liberdade individual, e tenho repulsa a qualquer um que queira me imputar qualquer erro que não seja condizente com meus princípios e valores. Não caio nessa de pegada de carbono ou qualquer bobajada do tipo. 
      O próprio título do gráfico diz: "sua escolha de alimento afeta o clima". Depois de 3 dias passando frio e sofrendo com uma baita gripe, já sei o que fazer. Alguém conhece uma boa receita de ovelha com queijo?

      terça-feira, 13 de setembro de 2011

      Livros sobre a questão ambiental não publicados no Brasil

      Segue abaixo algumas dicas de leitura. Ainda não li todos (não terminei o Green Hell), mas imagino que os leitores podem se interessar por algum. Há links nos títulos para adquirí-los pela Amazon.

      Estou lendo esse no momento, e ele é muito interessante. Além das opiniões do autor, há muitas (muitas mesmo!) referências e sugestões de outras leituras, de forma que mesmo os capítulos curtos do livro podem virar uma semana de leitura caso alguém queira se aprofundar em algum dos tópicos abordados. 

      Refuta os argumentos dos profetas do aquecimento global antropogênico apocalíptico. Curtinho e informativo. Leitura fácil e prazerosa pra quem quer se informar sobre o outro lado da discussão do aquecimento global.

      Escrito em 1993, esse livro é profético na descrição dos objetivos do movimento ambientalista. Controle (da sua vida). Dinheiro (do seu bolso). Poder (sem seu voto). A descrição na orelha fala que o livro "têm todos os elementos para uma ficção científica, mas não é ficção". Gostaria de tê-lo conhecido muito mais cedo.

      Um dos poucos livros que trata de meio ambiente em que a conclusão do autor é que nossa vida está ficando melhor, e não pior. Publicado em 1996. Será que seria publicado hoje em dia?

      Ever Wonder Why? And Other Controversial Essays
      Apesar dos ensaios tratarem mais sobre economia e política, Thomas Sowell trata também do ambientalismo, em especial os preservacionistas e os efeitos (danosos) que eles causam nos preços de terras e na produtividade agrícola.

      Em resumo, por menos de 100 dólares dá pra se informar (e muito) sobre o que se discute lá fora. O que choca muito lendo esses livros é quanto nossa discussão sobre meio ambiente no Brasil é atrasada e dominada pelo ambientalismo bocó. E sim, na minha opinião, há uma relação entre um e outro.

      Se algum leitor tiver dicas de outros bons livros, compartilhe conosco.