sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Síndrome de Bono

Parece-me que, exceto raras exceções, quanto mais aptidão artística menos afinidade com o pensamento lógico. É a Síndrome de Bono, aquela vocação para o messianismo mal-informado. A lista de artistas que se engajam em alguma causa é gigante, mas o ambientalismo é a preferida. Por cima, consigo me lembrar de Sting, James Cameron (esse mereceu até um artigo na Exame sobre isso), Sigourney Weaver, metade das bandas indie, Wagner Moura (que não se cansa de falar bobagens sobre praticamente qualquer assunto), e agora, Cristiane Torloni. Bom, eu nunca vi uma peça da Cristiane Torloni, e não assisto televisão, mas  pela visibilidade que tem imagino que ela seja uma boa atriz. Contudo, ser uma boa atriz não a torna onisciente, e como os vários outros casos acima, parece gerar o efeito contrário.  
A Sra. Torloni concedeu uma entrevista ao Estadão na qual apresentou suas posições ambientalistas:
Você é uma mulher pró-verde, lutou na campanha Diretas Já. Há alguma outra bandeira que pretende levantar?
São causas que me tocam. As duas têm a ver com minha missão geracional, tanto as Diretas Já como a causa ecológica. O código florestal, se for aprovado da maneira como está agora, vai gerar prejuízos que castigarão o planeta inteiro. Belo Monte, por exemplo. A essa altura, sabemos o que significa a construção dessa hidrelétrica e o custo ambiental dessa obra, como ainda pensamos que pode ser algo benéfico? Por que o Brasil não foi convocado para votar sobre isso, para decidir se realmente quer e pode arcar com uma hidrelétrica como Belo Monte? Infelizmente, nossa democracia é muito frágil, nesse sentido.
Pelo que entendi, o novo Código Florestal vai prejudicar o planeta inteiro. Estranho que se formos ver a legislação de outros países, eles não dispõe dos mesmos mecanismos jurídicos que nós já dispomos em nossa legislação. Porém, o mundo não acabou. O que falta é o Brasil. Quando o Brasil mudar sua legislação, o mundo inteiro vai sofrer. 
Belo Monte, como não podia deixar de ser, também entra no bolo. A sra. Torloni deve ser daquele tipo que compartilha bobagens nas redes sociais sem ler. E, se eu entendi corretamente, ela deseja algum tipo de referendo para decidir se a população quer ou não quer Belo Monte? Se for assim com todas as hidrelétricas em estudo ou implantação no país, passaríamos mais tempo votando que trabalhando.
Quanto à colocação da Sra. Torloni sobre a fragilidade de nossa democracia, qual a sugestão dela? Largar a democracia representativa e adotar um sistema plebiscitário? Ela só mostra que conhece tanto de democracia quanto de meio ambiente.
Obviamente há artistas cuja opinião eu respeito. Vejam o Brian Johnson, do AC/DC, que declarou a respeito de Bono o seguinte: 
"When I was a working man I didn't want to go to a concert for some bastard to talk down to me that I should be thinking of some kid in Africa. I'm sorry mate, do it yourself, spend some of your own money and get it done. It just makes me angry. I become all tyrannical."
E só pra esclarecer, eu e o Brian Johnson não somos os únicos no planeta que não gostam do Bono e seus assemelhados. Esse artigo de opinião no New York Times fala um pouco mais sobre as bobagens do Sr. Paul Hewson.
Outra celebridade que já deu seus pitacos em questões ambientais foi Michael Crichton, autor de vários best-sellers, dos quais o mais conhecido aqui deve ser Jurassic Park. Contudo, vejam a diferença entre um e outro. Os discursos e textos do Michael Crichton (há um exemplo aqui) sempre procuraram respeitar a lógica e o pensamento científico. O homem, afinal, era um apaixonado pela ciência, não um fanático por publicidade.
Como escapar da Síndrome de Bono? Ora, simples. Procure um bom psiquiatra e diga que você é um mitômano. Ele saberá o que fazer.
Eu pagaria ingresso em um concerto ou festival beneficente para pagar o psiquiatra do Bono e seus asseclas. Acho que todos concordamos que a conta seria altíssima.

Um comentário:

  1. Não esquecendo a síndrome reversa: Políticos tentando ser Bono "pop star" vendendo vídeos sobre a "verdade inconveniente".

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