terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Belo Monte: Irmã Wenzel, vá se confessar

Estou gostando de receber as notícias do ecodebate, apesar de não ver muitos debates por lá, já que até agora só vi notícias ambientalistas. A última que li foi a entrevista da Irmã Ignez Wenzel. Ela é parte daquele tal  "Movimento Xingu Vivo para Sempre" (eu nunca soube de um rio desse porte que "morreu"). A entrevista dela chamou minha atenção não porque ela apresente algum pseudo-argumento novo contra Belo Monte, porque contenha alguma solução interessante, pelo ineditismo de suas idéias ou mesmo pelos absurdos que ela fala. A irmã chamou minha atenção pela incoerência entre sua propalada crença e suas palavras. Alguns trechos da entrevista, divididos pelos mandamentos que a irmã infringiu:

Não levantar falsos testemunhos
Reunimos cerca de cinco mil pessoas. Os indígenas coordenaram parte do evento onde todo mundo teve direito de fala, inclusive o governo e os representantes da Eletrobrás. Durante a explanação do representante da Eletrobrás os indígenas começaram a dançar, demonstrando que não estavam satisfeitos com os argumentos dele. Ao manifestar que também não concordava com os indígenas, o representante da Eletrobrás caiu no meio deles e sofreu um pequeno corte no braço. Algumas pessoas ainda respondem processo com a alegação de terem armado os indígenas. Mas não foi isso que aconteceu. Essas pessoas apenas possibilitaram os ornamentos necessários para uma manifestação digna da cultura deles. [grifo meu]
Essa é a explicação da irmã sobre o evento (que comentei em texto de setembro de 2011) em que o Engº Paulo Rezende, da Eletrobrás, foi agredido por índigenas em uma reunião sobre Belo Monte. Vejam os vídeos que estão lá. Confrontada com os fatos, a irmã não apresenta nenhuma dúvida: mente. A versão que ela apresenta é tão ridícula que se formos analisar seu discurso podemos chegar à conclusão que a culpa foi de Paulo Rezende, que não deveria ter discordado desse bando de índios pacíficos que estavam "dançando" com facões para demonstrar que "não estavam satisfeitos com os argumentos dele". Ahh, e repetindo o que já falei no outro texto: "facão faz parte da cultura indígena kayapó"? E cortar seu opositor é uma "manifestação digna da cultura deles"? Então a cultura deles é a barbárie. E nesse embate entre a civilização e a barbárie, a irmã Wenzel está com a barbárie. 

Amar a Deus sobre todas as coisas
Não usar o nome de Deus em vão
O capital fala alto, é o maior Deus do mundo.
Nenhum dos ateus que conheço são tão radicais assim a respeito do capital. Mesmo livros que tratam o ambientalismo como religião se abstêm de fazer uma afirmação tão forte assim. 
Uma das minhas posições a respeito de religião é respeitar que cada um possa escolher suas crenças ou mesmo optar por não ter crença alguma. Contudo, há duas coisas que não gosto: hipocrisia e pregação. Não gosto de gente que não pratica o que fala nem de gente que quer empurrar sua crença goela abaixo dos outros. 
No caso de uma religiosa como irmã Wenzel, é de esperar que ela tente converter as pessoas, já que sua função é espalhar a palavra. Contudo, imaginei que a palavra que ela tentasse espalhar fosse a doutrina cristão, não o evangelho ambientalista. 
O que irmã Wenzel fala não respeita a doutrina cristã. Mente, usa o nome de Deus em vão, e aparentemente coloca o capital acima d'Ele. Ou isso é uma crise de fé, ou ela precisa urgentemente se arrepender e confessar seus pecados. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Belo Monte: indígenas e MPF agora são especialistas em qualidade da água

Hoje recebi um boletim diário do site ecodebate no qual li duas notícias sobre Belo Monte, um assunto que não aparece aqui há algum tempo. Abaixo comento uma delas.
Nessa notícia lemos que um grupo de indígenas irá acompanhar a coleta de amostras de qualidade da água do rio Xingu, e provavelmente de alguns tributários, como pode ser lido no trecho abaixo:
Lideranças indígenas vão acompanhar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na coleta de amostras da água do rio Xingu, no Pará, que começou a ser barrado para a construção da hidrelétrica de Belo Monte. A coleta será realizada nos dias 1, 2 e 3 de fevereiro.
A decisão de que lideranças dos índios vão acompanhar os trabalhos foi tomada nesta quarta-feira, 25 de janeiro, em reunião promovida pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA), em Altamira.
Durante o evento, que contou com a participação de 200 representantes de povos indígenas da região, diversas lideranças das aldeias contestaram os resultados do levantamento feito pela Norte Energia (Nesa), a empresa construtora da hidrelétrica.
Segundo a Nesa, que diz ter coletado amostras no último dia 21, a qualidade da água não foi afetada. De acordo com os indígenas, no entanto, a água está extremamente barrenta, prejudicando o consumo e a pesca.
Não sei quantos membros do MPF ou das lideranças indígenas conhecem a fundo os métodos de coleta de amostras de qualidade da água, nem se eles conhecem os procedimentos laboratoriais subsequentes, mas de fato duvido que eles tenham o "Standard Methods" decorado ou mesmo que saibam identificar alguma falha na coleta. Isso é proselitismo barato. Falei com um colega que entende muito mais que eu sobre coleta e análise da água e o que ouvi foi que caso uma pessoa desonesta quisesse adulterar uma coleta, poderia fazer isso na frente de um leigo e tudo passaria como procedimento normal. Há muitas variáveis envolvidas. Eu, por exemplo, não aceitaria um trabalho desses. Como não entendo o suficiente, não me meteria a fazer algo cujo resultado não poderia defender ou invalidar. Mas como índios e membros do MPF são especialistas em qualquer coisa, essa lógica não se aplica a eles. 
Contudo, o ponto principal que eu gostaria de realçar é esse: o MPF e os índigenas partem da premissa que os resultados da NESA estão errados ou foram de alguma forma adulterados. Isso me leva a algumas perguntas:
  • Já que os rios são sistemas dinâmicos, como comprovar que os resultados estão errados se não há uma contra-prova coletada ao mesmo tempo e nos mesmos locais? 
  • Uma coleta realizada 10 dias depois comprova que a anterior está errada ou só comprova o óbvio, que a qualidade da água nos rios muda com o tempo?
  • Como serão compensadas as várias externalidades que podem afetar um resultado de análise de água, como temperatura, vazão, carga de poluentes, insolação, e outras variáveis?
Se os resultados da nova coleta  forem mesmo diferentes da anterior, o que é quase certo, e fizermos as perguntas acima, veremos que é quase impossível que se faça uma amostra que comprove sem a menor dúvida que os resultados foram adulterados ou estão de alguma forma errados. Mesmo que os resultados sejam discordantes, não há como o MPF provar com absoluta certeza que houve má-fé ou inépcia da NESA. Em resumo, abrirão um inquérito ou uma Ação Civil Pública, gastarão seu (nosso) dinheiro para nada, já que provavelmente haverá tantas dúvidas que nenhum juiz que preze a lógica dará ganho de causa para o MPF. 
Porém, e se por uma grande coincidência os resultados da nova coleta corroborarem os resultados da coleta anterior? Nesse caso, o MPF determinou que fossem gastos o seu (nosso) dinheiro para nada. No mais, se houve uma acusação e a mesma não foi comprovada, a NESA oferecerá denúncia contra quem a acusa de um crime ambiental? Quando se acusa alguém injustamente de um crime que a pessoa não cometeu, isso é calúnia. 
Em resumo, de uma forma ou de outra, está-se utilizando seu dinheiro para nada mais que agradar nossos silvícolas, agora especialistas em qualidade da água. Ahh, e financiar um passeio turístico do MPF e IBAMA pelo Xingu. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ONU alerta: navios alteram marés!

Já escrevi antes que uma das coisas que mais me incomoda nos ambientalistas é a facilidade deles em inventar bobagens e falar coisas sem fundamento científico. Vejam abaixo alguns trechos de uma notícia no site da Veja:
A Unesco solicitou nesta segunda-feira que o governo italiano restrinja o acesso dos grandes cruzeiros em áreas ecológicas e culturais importantes. A proibição busca evitar que naufrágios como o do transatlântico Costa Concordia, ocorrido no último dia 13, cause prejuízos ambientais e ao patrimônio histórico. Desde o desastre próximo à ilha de Giglio, na costa da Toscana, há o temor de que as 2.380 toneladas de combustível nos tanques do navio italiano vazem para mar.
"O tráfego de cruzeiros é particularmente prejudicial à frágil estrutura da cidade. Os navios provocam marés que danificam os alicerces dos edifícios, poluem e afetam a visão da cidade ao apequenar os monumentos no centro" da cidade, concluiu a nota. [grifo meu]
Parem os anúncios do prêmio Nobel! Temos uma grande novidade no mundo científico: aparentemente, segundo a UNESCO, navios provocam marés. Esqueçam a atração gravitacional exercida pela Lua e pelo Sol, esqueçam o movimento da Terra. São os navios. 
Li em algum lugar que a ONU é a maior ONG do planeta. E não é somente pelo fato que - como as ONGs - suas ações são mais baseadas em crenças bobas do que em dados científicos. Nem pelo fato que ela - como as ONGs - custa um dinheirão para ações que não ajudam em nada. Até os métodos são os mesmos.
A proposta é que cruzeiros não devem ir a lugares ecologicamente e culturalmente importantes (leia-se: interessantes).  Colocar uma restrição à navegação por conta de algo que tudo indica foi uma série de erros de julgamento de um capitão, em um desastre cuja probabilidade de repetição é mínima é no mínimo um descalabro.
A não ser que você, como eu, queira ir pro Zimbábue, você pode fazer um cruzeiro na costa italiana. Deve ficar bem mais barato e ter várias vagas sobrando quando não se puder ver áreas ecologicamente ou culturalmente relevantes. Ao menos você poderá assistir ao mais recente filme dos Transformers ou Velozes e Furiosos no cinema a bordo. Na verdade, já que os passageiros não podem ver nada culturalmente relevante, poderiam exibir também aquele filminho do Al Gore.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um press release do Greenpeace na Folha

Mais uma pérola da seção "Ambiente" da Folha Online: uma matéria chamada "Para ambiente, 1º ano de Dilma é pior que o de Collor". Eu discordo de tantas coisas no texto que nem vou copiá-lo na íntegra. Vou comentar por partes.
Presidente da conferência Rio +20, Dilma Rousseff teve uma atuação apagada na área ambiental em seu primeiro ano de governo. Sob alguns aspectos, pior que a de Fernando Collor, em cujo governo aconteceu a Eco-92.
Só pelo fato da Eco-92 (ou Rio-92, ou Earth Summit) ter acontecido na gestão do Collor, e a Rio+20 na gestão de Dilma, é ponto negativo para os dois. Se alguém me apontar 5 benefícios práticos que a Rio-92 trouxe para a população em geral, me retrato.  
Dilma não criou nenhuma unidade de conservação em 2011; em 1990, seu primeiro ano de mandato, Collor criou 15. 
Dilma não criou nenhuma UC? Ainda bem! Um país que já tem 732 Unidades de Conservação (UCs) federais e 1229 UCs estaduais ou municipais (segundo os dados do SIGEL) precisa de mais Unidades de Conservação? E isso sem somar as 594 Terras Indígenas. 
O desmatamento em 1990 caiu 22% em relação ao ano anterior, o dobro da queda estimada para 2011 --embora Dilma esteja melhor nos números absolutos de desmate. 
Desmatamento, per se, não necessariamente significa que houve algum crime ambiental. Há processos de supressão de vegetação baseados em estudos sérios e com finalidades nobres. Ou seja, mais desmatamento não significa que a situação piorou. Se for para utilizar um indicador, que seja o desmatamento ilegal.
Diante da repercussão internacional da polêmica obra da usina hidrelétrica de Cararaô, no rio Xingu, Collor engavetou o projeto. 
E isso por acaso é um ponto positivo para ele? O que Collor fez foi atrasar em 20 anos uma obra importantíssima, se rendendo à pressão ambientalista. Além do mais, muitas das críticas feitas ao projeto hoje (como o relativamente baixo Fator de Capacidade da usina) devem-se às alterações feitas por pressão ambientalista. 
Dilma o ressuscitou, sob o nome de Belo Monte, concedendo-lhe a licença de instalação mesmo sem o cumprimento de todas as condicionantes impostas pelo Ibama. 
Dilma não concedeu licença de instalação alguma. Como já falei em outro texto, felizmente ainda não temos licenciamento por decreto presidencial. 
Unidades de conservação e terras indígenas são indicadores importantes do desempenho ambiental de um governo, pois elas mexem na estrutura fundiária e em interesses econômicos nas regiões onde são criadas. 
Concordo com o parágrafo completo. Porém, enquanto o autor da reportagem acha que a criação de UCs e TIs é positiva, eu a considero negativa. Exatamente porque mexem na estrutura fundiária - removendo cidadãos produtivos de suas terras - e em interesses econômicos - como a produção de arroz de Roraima, que praticamente acabou com a criação de Raposa Serra do Sol. 
Enquanto ministra da Casa Civil do governo Lula, Dilma represou a criação de novas unidades, especialmente na Amazônia, submetendo-as ao crivo do MME (Ministério de Minas e Energia). 
Na Presidência, manteve o ritmo. Seu governo é o primeiro desde FHC-1 (1995-1998) a não criar áreas protegidas no primeiro ano de mandato.  
Eu não sou nem um pouco fã da Dilma, mas tenho que aplaudir quando ela faz algo certo. Se ela "represou" a criação de novas UCs, parabéns pra ela! Em um país com 1961 UCs mais 594 TIs totalizando quase 25% do território nacional, qualquer um que pare a criação de novas áreas protegidas está fazendo um favor aos cidadãos que produzem.
 Um refúgio da vida selvagem [sic] no Médio Tocantins, por exemplo, está com sua proposta de criação parada no MME, que tem interesse em construir na região a hidrelétrica de Ipueiras --um projeto que o Ibama já havia considerado inviável do ponto de vista ambiental. 
Eu já vi várias UCs serem criadas somente para embolar processos de licenciamento ambiental, inclusive um Refúgio da Vida Silvestre (este é o nome correto). Se o Ibama ou qualquer órgão ambiental considera um projeto inviável, alterações podem ser feitas a ele para que os impactos sejam reduzidos. Isso não é anormal nem ilegal.
O governo também cortou 30% do orçamento do Instituto Chico Mendes, órgão gestor das unidades.
O Instituto Chico Mendes (ICMBio) precisa de uma reforma completa. Sua criação, sobre os auspícios de Marina Silva, já foi um processo mal explicado e injustificado. Todas as vezes que vi o ICMBio se pronunciar sobre algo, sua contribuição foi massa negativa. Ou seja, quanto menos ele fizer, melhores as coisas ficam.
Porém, além das minhas críticas pessoais, há que lembrar um ponto muito importante do arcabouço jurídico ambiental brasileiro: a compensação ambiental. Todo empreendimento em licenciamento ambiental que precise elaborar EIA-RIMA deve pagar compensação ambiental, sendo que a mesma é de 0,5% do valor total do empreendimento. E sabem pra onde esse dinheiro deve ir: pra criação, implantação ou manutenção de Unidades de Conservação. E não sou em quem fala isso. É a Resolução CONAMA 371/2006.
Agora pensem comigo, de todos os empreendimentos que recebem Licença de Instalação a cada ano, se tirássemos (e isso é uma expropriação) 0,5% do valor total de cada um deles e esse valor fosse destinado a UCs, esse dinheiro não seria suficiente para mantê-las? Lembrem que 0,5% é um percentual maior que a extinta CPMF. Para que esse dinheiro não seja suficiente, há algumas hipóteses: incompetência, má gestão, ou excesso de UCs de form aque o dinheiro não seja suficiente para todas. Como a última hipótese (pouco dinheiro) me parece a menos plausível, acho que é mesmo incompetência e má gestão do ICMBio.
SEM CLIMA 
O primeiro ano de Dilma passou sem avanços na agenda de mudança climática. 
Conforme a Folha mostrou, o governo não fez quase nada para implementar em 2011 a meta brasileira de cortar até 39% das emissões de gás carbônico em 2020 em relação à tendência de crescimento atual dos gases. 
"O pacote de mudança climática ela recebeu pronto do governo Lula. Não avançou nem regrediu", disse Nilo Dávila, do Greenpeace. "Em outras coisas, ela deu continuidade para o mal." 
Redução de emissões de CO2 como solução para um problema fictício (aquecimento antropogênico) é jogar dinheiro fora e estagnar a economia sem justificativa.  Novamente, parabéns para Dilma. Se ela de fato não está implementando essas metas artificiais, agora já tenho algo a elogiar nela para meus conhecidos esquerdistas.  
Ele se refere ao maior retrocesso legislativo na área ambiental: a Lei Complementar 140, que reduz o poder de fiscalização do Ibama. 
Pelo texto aprovado no Senado em outubro, a competência de multar crimes ambientais é do ente federativo (União, Estado ou município) que licencia. Como desmatamentos são sempre licenciados pelos Estados, autuações feitas pelo Ibama poderão ser anuladas pelas secretarias de Meio Ambiente estaduais. 
Em 2009, durante a cúpula do clima de Copenhague, quando o enfraquecimento do Ibama foi inserido no projeto durante sua votação na Câmara, o presidente Lula se comprometeu a vetá-lo. 
 Dilma concordou com a promessa. Mas, no dia 8 deste mês, durante outra cúpula do clima, em Durban, a presidente sancionou o texto.
 Questionado pela Folha, o Planalto deferiu a resposta ao Ministério do Meio Ambiente. Este disse que, "na prática, o Ibama continua atuando normalmente".
A Lei de Competências Ambientais é uma boa notícia para qualquer que trabalha com licenciamento ambiental. Ela impede que você passe meses discutindo com um órgão ambiental, realize seus estudos, implante suas medidas de redução e/ou compensação de impactos e daí chegue um fiscal de outro órgão tentando lhe multar, pois a compreensão dele é diferente do órgão licenciador (ou quer te extorquir). Já vi casos desses acontecerem, e são mais frequentes que a maioria dos leitores imagina. 
Sobre a falta de criação de unidades de conservação, o ministério afirmou que está revendo a Estratégia Nacional de Conservação da Biodiversidade, com a definição de critérios para a proposição de novas áreas protegidas.
Eu tenho um bom critério: quando a maioria dos países do mundo atingirem nosso percentual de território dedicado a áreas protegidas, aí discutimos a criação de novas. Por hora, eu acho que o critério para a manutenção de "áreas protegidas" deveria ser: há uma gestão correta e profissional dos recursos naturais que retiramos dos cidadãos? Não? Então vamos devolvê-las ao uso de quem realmente produz nesse país. 

Considere a fonte
Acho uma boa prática dar uma chance aos autores dos textos que comento, por isso fui educado nesses comentários (é verdade). Contudo, lembrei de algo bem interessante: sempre que somos confrontados com algo que é estranho a nossos valores ou que nos choca muito, "considere a fonte". Assim, fui verificar qual era a fonte dessas informações todas que estão no texto da Folha. Pra começo de conversa, o autor é  o repórter Claudio Angelo  (antigo editor de Ciência da Folha).
Angelo é um velho conhecido dos ambientalistas. É como um Hunter S. Thompson do ambientalismo tupiniquim. Só que enquanto Thompson se afundava em todo tipo de substância ilícita para escrever, as drogas de Angelo (até onde sei) são outras: ambientalismo e aquecimento global. Ele inclusive escreveu um livro a respeito na esteira do sucesso do Al Gore, onde segundo a sinopse da Folha "O livro apresenta dados que comprovam o fenômeno mais preocupante da atualidade: o aquecimento global.". Faltou enviar uma cópia para o Luiz Carlos Baldicero Molion (um artigo dele está aqui); pois ele, um dos maiores climatologistas brasileiros, continuou convicto que não havia aquecimento global, mesmo depois do livro do jornalista Angelo.
Mas não vou criticar o autor. Ele tem suas posições, eu tenho as minhas e ele pode escrever um livro sobre o que quiser. Afinal, o que repórteres fazem? Reportam uma notícia. Nesse caso, como a peça não foi identificada como um artigo de opinião, imagino que seja uma notícia. O repórter Angelo deve ter consultado suas fontes. Quem são elas? Normalmente isso é difícil de dizer, mas nesse caso ficou fácil. Angelo até a citou: Nilo Dávila, do Greenpeace. Notem que não há nenhuma outra pessoa citada no texto. Há a tentativa de fazer o que a Folha considera bom jornalismo, o outro-ladismo. Imagino que Angelo tenha pego todas as reclamações do Sr. Dávila, escrito um texto, submetido à revisão do Greenpeace, e daí mandado algumas perguntas para o governo. Quem sabe eles até bolaram as perguntas juntos? De qualquer forma, aí está garantida a "imparcialidade" do texto. Eles consultaram o "outro lado".

Sejam mais sinceros
A Folha tem um ombudsman. Um familiar meu já foi ombudsman, obviamente estudou muito sobre o assunto, e compartilhou um pouco desse conhecimento comigo. Segundo o pouco que aprendi (de tudo que poderia ter aprendido) o ombudsman deve não somente ouvir as reclamações e sugestões do cliente. Deve ser uma força dentro da instituição para que se entregue ao cliente não somente aquilo que ele espera, mas o melhor que a instituição pode fazer. Então me respondam: o melhor que a Folha consegue colocar na sua página de "Ambiente" é o press release do Greenpeace? É essa a idéia da Folha de jornalismo isento?
Pelo menos mudem o título do texto e sejam sinceros. Ao invés de "Para ambiente, 1º ano de Dilma é pior que o de Collor", sejam sinceros e escrevam "Para Greenpeace, 1º ano de Dilma é pior que o de Collor". Ou então dêem logo o crédito da matéria a Nilo Dávila.  Cadê o ombudsman? 


O Greenpeace personificou o ambiente
Eu falo por mim, e só por mim. Se alguém concordar, ótimo. Se discordar, estou pronto para o debate civilizado. Os verdes, contudo, sempre falam em nome de um ideal e se pronunciam pelo bem das massas.  Já vimos isso antes: fascismo, nazismo, comunismo...  Daí veio a expressão "ambientalista-melancia": verdes por fora, vermelhos por dentro.
Em todo regime totalitarista, se elege uma figura que representa o estado. Hitler falava pela Alemanha durante o III Reich, Mussolini era a Itália personificada, Stalin era a voz da URSS. Pelo visto, Claudio Angelo considera o Greenpeace a "voz do ambiente". Com sorte acaba virando o Goebbels do Greenpeace tupiniquim. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Minhas férias no Zimbábue

Recebi da minha mais fiel leitora (ela sabe quem é) o link para essa notícia no G1:
A companhia aérea alemã Lufthansa vai repassar aos clientes cerca 130 milhões de euros (R$ 314,3 milhões) referente aos custos de permissão para emitir carbono, cumprindo as regras do novo regime do comércio de emissões da União Europeia.
A maior empresa do setor na Europa disse nesta segunda-feira (2) que vai adicionar o custo do programa à sobretaxa de combustível, se tornando a primeira companhia a dar detalhes de como planeja lidar com esta responsabilidade ambiental.
"Em face da intensiva competição, especialmente de companhias de países não europeus, cuja produção está sujeita a comércio de emissões somente a uma pequena escala, a Lufthansa terá que passar a carga via preços de passagem, como sugerido pela União Europeia", disse em comunicado.
No entanto, no curto prazo, a aérea não aumentará as existentes sobretaxas, que já sofreream aumento no mês passado - de cerca de 102 euros para 122 euros por trecho para voos intercontinentais e para 31 euros para voos domésticos e europeus - apesar de ter dito na época que a inflação dos valores ocorreu somente para cobrir maiores custos de combustível. 
A partir deste ano, todas as companhias aéreas que chegarem ou saírem da União Europeia terão que acertar as contas pelas emissões de CO2, como parte de uma expansão do maior mercado de carbono do mundo.
As empresas e suas associações hesitaram ao regime e até o desafiaram na Justiça, dizendo que o imposto ambiental tributaria uma indústria que já está sobrecarregada com crescentes preços de combustível, feroz competição e taxas nacionais. 
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estima que o custo anual geral para a indústria, resultado do novo regime de emissões, aumente para 2,8 bilhões de euros até 2020, cerca de 900 milhões de euros apenas neste ano. 
Colhem o que plantam
Lamento dizer:  colheram o que  plantaram. As empresas desafiaram na justiça a taxa? Depois do estrago feito? Ora, a hora de brigarem era quando os ambientalistas estavam inventando essas sandices. Ao invés do ouvirem o pessoal do marketing e investirem milhões no mito da "sustentabilidade da propaganda" (conhecida em círculos sérios como greenwashing), deveriam ter aderido ao debate e pronunciado um sonoro "não!" aos parlamentares europeus e às boas almas altruístas (é sarcasmo, ok?) da ONU que inventaram essa palhaçada. 
A Europa está em crise? Isso não é notícia nova. No último episódio dos Simpsons há uma frase que expressa o tamanho da encrenca: "União Européia coloca Grécia a venda no eBay". Se o custo geral até 2020 será de 2,8 bilhões de euros, será que eles financiam a compra da Grécia em 1 entrada + 96 parcelas mensais?
Por não ter vivido na Europa, achava que havia uma pitada de sanidade por lá. Agora estou torcendo pra que eles vão todos à falência. Quem sabe assim eles aprendem que a atividade econômica não é estimulada por retórica ambientalista barata.

Esse autor no Zimbábue
Eu estou planejando uma viagem para a Europa neste ano. Vou usar minhas milhagens. Se tentarem me cobrar milhas adicionais pra cobrir as emissões de carbono, vou pros EUA, Caribe ou algum lugar onde eu não tenha que pagar pra agradar os ambientalistas. 
Do jeito que as coisas vão, estou correndo o sério risco de passar minhas férias no Zimbábue. Ao menos lá a maioria das bestas ainda anda sobre quatro patas. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mr. T. é meu novo herói

Do G1:
Arara 'boca suja' é banida de sala de aula na Inglaterra
Ela deveria ser usado para promover a proteção ao meio ambiente em escolas e universidades. Mas após ter sido retirada de um santuário ecológico, os tratadores da arara Mr. T descobriram um problema: ela fala mais palavrões que um marujo.
As palavras e expressões usadas pelo pássaro incluem termos chulos como “ch...”, ‘sua p...’ e ‘f.....’. A boca suja da arara impediu que os tratadores do Tropical Inc a usassem em tours educacionais até que ela aprenda a parar de xingar, segundo o “Daily Mail”.
“Nós sempre mostramos animais exóticos em eventos em escolas, universidades e empresas para promover a consciência ecológica e estimular a preservação ambiental”, disse Steve Rowlands, do centro de tratamento de animais em Birmingham, no Reino Unido, ao “Daily Mail”. 
Mr. T. está a venda?
Uma arara que xinga sempre que a colocam em eventos "para promover a consciência ecológica e estimular a preservação ambiental"? Essa arara foi feita para mim. Nem ela aguenta mais esses ambientalistas e sua pregação. Se eles colocarem Mr. T. no eBay, eu compro e ainda o levo pra passear na Rio+20.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cidadão do RJ vale 5 vezes menos que ambientalista

Mais uma notícia da Folha:
Rio+20 terá adicional de R$ 430 mi para segurança
O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (14), em sessão conjunta da Câmara e do Senado, crédito suplementar de R$ 430 milhões para a organização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho de 2012. O dinheiro irá para o reforço do policiamento do Rio e para o controle de imigração.
A conferência deverá reunir chefes de Estado e de governo e representantes da sociedade civil, de ONGs (organizações não governamentais) do mundo inteiro e de organismos multilaterais para debater as relações entre economia e ambiente sob a ótica do desenvolvimento sustentável. 
Quanto isso custará mesmo?
Nem vou entrar no mérito da validade ou utilidade dessa conferência, mas não lhes parece estranho que se empenhem R$ 430 milhões para uma conferência entre 20 e 22 de junho? São mais de R$ 140 milhões por dia de conferência. Mesmo que se contem os dias nos quais ocorrerão os eventos paralelos, que serão de 13 a 22 de junho, são R$ 43 milhões por dia. Se os mesmos R$ 43 milhões fossem gasto a cada dia para garantir a segurança dos cidadãos do RJ, o orçamento anual de segurança do RJ seria de R$ 15.695.000.000,00. Isso são 15,69 bilhões de reais.

Quanto se gasta no RJ
Como gosto de fazer o dever de casa, fui procurar no portal da transparência do RJ o orçamento da Secretaria de Segurança do RJ para 2011. Os números disponíveis mostram que de janeiro a outubro de 2011 o orçamento foi de R$ 2.437.338.000,00 , ou 2,44 bilhões. Dividindo pelo número de dias, o resultado são 8,02 milhões por dia, ou 18,65% do que se gastará por dia em caráter suplementar para a convenção ambientalista.

Finalizando
Antes que eu me esqueça, estes são somente os recursos aprovados no Congresso no dia 14/12 para a segurança. São recursos de todos os contribuintes. Em resumo: você, independente de sua posição em relação ao meio ambiente ou se mora em Roraima, pagará a conta.
Agora o pior mesmo deve ser para os cidadãos do RJ. Uma conta simples mostra que para nossos representantes, um ambientalista desses que só dificultam e encarecem sua vida vale mais de 5 vezes o que você vale. Você que paga seus impostos vale 5 vezes menos que as pessoas que querem controlar sua vida. Se eu fosse fluminense estaria com minha auto-estima baixíssima. 

¿Por qué no te callas?

Fidel soltou mais uma (da Folha Online):
O ex-ditador cubano Fidel Castro sugeriu nesta segunda-feira que um robô seria a melhor solução para substituir o presidente Barack Obama na Casa Branca, diante da ausência de "um candidato capaz de evitar uma guerra que acabe com a espécie humana".
Quando eu digo que Fidel só fala bobagem, ainda há alguns imbecis que acham que eu pego no pé dele. Essa relíquia de uma utopia idiota que já deveria estar em nosso passado (e no inferno) deve estar ficando mais imbecil, ou quem escreve os artigos publicados em nome do Fidel não deve saber nada de história. Ora, alguém se lembra da crise cubana dos mísseis? Esse criminoso ajudou a causar uma das maiores crises geopolíticas da história recente, e agora vêm falar de "evitar uma guerra que acabe com a espécie humana".  
"Estou certo de que 90% dos americanos inscritos (para as eleições de novembro), especialmente os hispânicos, e o crescente número da classe média, empobrecida, votariam no robô", acrescentou o líder comunista, afastado do poder desde julho de 2006 por razões de saúde.
Fidel entende tanto de eleições quanto eu entendo de manutenção de aceleradores de partículas. Sabe o que eu tenho certeza? Que se fossem realizadas eleições livres entre os cubanos que já fugiram e os que ainda não conseguiram, mais de 90% das pessoas prefeririam um robô a votar em Fidel. Mas nem precisaria ser um robô que evitasse guerras. Se fosse um boneco dos Power Rangers, Fidel já perderia.
O maior perigo pra espécie humana não é nenhuma guerra atômica, nem o "aquecimento global", o fim da biodiversidade ou coisas do tipo. É a retórica de gente como Fidel, Chavez, Evo e outros do tipo; somada ao ao apoio dos imbecis que os apóiam e o silêncio dos omissos. A verdaderia guerra está aí, nas idéias. E já fez mais vítimas que todas as guerras mundiais juntas.

P.S.: E uma salva de palmas para o Rei Juan Carlos I. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dique rompe no RJ, chove dinheiro em Pernambuco

Muitas de vocês já devem ter visto as notícias sobre o rompimento do dique no município de Campos/RJ. Ok, tragédias acontecem e nós não controlamos as chuvas (apesar do que o pessoal do apocalipse climático diga). Então, isso significa que nada pode ser feito? Mentira. Há um ponto que quero apresentar aos leitores que muitos podem não saber. 
Segundo o Contas Abertas, sabem quanto dinheiro foi aplicado nos últimos anos (2004-2011) com o programa “Prevenção e preparação a desastres”? 695 milhões de reais. Parece muito? Não é. Sabe quanto foi o gasto autorizado autorizado para gastos com esse mesmo programa? 2,8 bilhões. Isso quer dizer que somente um quarto do dinheiro autorizado foi gasto. Em suma: incompetência da brava. 
Face todas os desastres que aconteceram no RJ nos últimos anos, imagina-se que grande parte desse bolo gigante seria destinado ao Rio de Janeiro, certo? Errado. 90% da verba do ano passado foi para Pernambuco, estado do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. O RJ encontra-se em 10º lugar no ranking da distribuição das verbas pelos estados (nesse link). 
Não sei quanto tempo falta para a tão propalada reforma ministerial desse governo, mas uma coisa é certa: Bezerra tem que sair.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Notícias Cubanas: Fidel fala bobagem e Yoani Sánchez segue o exemplo

Vejam a não-notícia que saiu no G1:
O líder cubano Fidel Castro afirmou que o mundo segue para um "inexorável" abismo, já que para ele "graves problemas" como a mudança climática ou o perigo de uma guerra nuclear estão longe de encontrar solução, segundo um artigo publicado na internet.
"Muitos perigos nos ameaçam, mas dois deles, a guerra nuclear e a mudança climática, são decisivos e ambos estão cada vez mais longe de aproximar-se de uma solução", afirma Castro no artigo "A marcha para o abismo", o primeiro do ano, publicado no portal Cubadebate.
Fidel falar bobagens, bem como fazê-las, não é nenhuma novidade. Mas gostei de vê-lo falando sobre mudanças climáticas. Fidel é o Sul da minha bússula moral. Se ele aponta para um lado, eu sei que o certo é o outro. Nesse caso de mudanças climáticas (leia-se: aquecimento global), estou com o Václav Klaus. Que coincidentemente é liberal.

Yoani Sanchéz
Essa vem do site da Veja:
A blogueira Yoani Sánchez, dissidente cubana que ficou conhecida no mundo inteiro por suas críticas ao regime comunista fundado em 1959 pelo ex-ditador Fidel Castro, fez um apelo à presidente Dilma Housseff [sic] para ajudá-la a deixar a ilha. Sem obter autorização do governo comunista para viajar ao exterior desde 2004, Sanchéz postou no YouTube um vídeo no qual pede a Dilma para intervir junto às autoridades cubanas.
"Por favor, interceda por mim. Já fiz tudo o que está a meu alcance. O muro do controle, o muro da censura, o muro que me impede de viajar livremente e retornar à minha ilha parece não se mover. Ajude-me, por favor”, pede a blogueira à presidente Dilma.
Não vou entrar no mérito da questão levantada por Graça Salgueiro que Yoani não é dissidente. Também me parece estranho essa dissidência tão aberta, tão livre, em um regime tão fechado. O que achei muito engraçado na notícia (e vi o vídeo no Youtube também) é que ela pede ajuda logo a quem? Dilma Rousseff e Eduardo Suplicy! É como rezar o pai-nosso para Alá.
Agora digam o seguinte: se uma "dissidente" faz um apelo desses ao mesmo governo que mandou os pugilistas cubanos de volta para a prisão de Fidel, o que se espera que aconteça? Essa mulher é louca, burra ou farsante?
Acho que em breve alguém provará que Graça Salgueiro está certa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Brasil merece

Em maio do ano passado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sancionou uma lei proibindo o comércio varejista de fornecer sacolas plásticas aos consumidores. Essa lei mostra, além daquele ambientalismo bocó que estamos acostumados a ver, o velho asco esquerdista ao livre mercado e à escolha individual. E sabem o pior? Quando a aplicação da lei foi derrubada em novembro de 2011, os empresários do setor foram  velozes em se comprometer a banir as sacolas. Isso me lembrou dos panacas úteis muito bem demonstrados em "A Revolta de Atlas" (Atlas Shrugged, no original).  

Seu bandido!
Além disso, essa aberração legal também determina que os estabelecimentos deverão afixar placas de 40cm x 40cm perto dos caixas com os dizeres "Poupe recursos naturais! Use sacolas reutilizáveis". Reparem nas ordens contidas na tal placa.  Você não é convidado a fazer algo ou a colaborar com o que alguns lobistas e grupos de interesse querem. Você é ordenado a aderir. Ou está contra a lei.
Uma amiga minha trabalha na Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Ri mentalmente só de pensar na satisfação com os rumos da carreira dela ao ter que fiscalizar a proibição de sacolas plásticas. Ou de um fiscal inspecionando um caixa de supermercado para se assegurar que ninguém ali saia com uma sacola plástica. Não moro mais em São Paulo, mas sempre que viajar para lá, vou levar umas sacolas daqui de casa. Só pra procurar um fiscal da Secretaria do Verde no supermercado. Eu sei que é mesquinho, mas pra quem está escrevendo sobre sacolas plásticas, qualquer pequena alegria conta. Será que vão me enquadrar na Lei de Crimes Ambientais?

A vanguarda do atraso
O Brasil é a vanguarda do atraso. São Paulo, em especial, é veloz em aderir a qualquer bobagem da moda que tenha virado lei em outras metrópoles. Lei anti-fumo em New York? Lá vai alguém propor isso em SP. Bicicletas para alugar nas ruas de Paris? São Paulo não pode ficar pra trás. Espero que nenhum dos vereadores, prefeitos ou secretários de São Paulo vá a Daca (capital de Bangladesh), ou logo teremos um serviço público de riquixás na cidade. 

Isso já aconteceu antes
O que mais me incomodou nessa estória toda de placas e de quererem decidir o que é melhor para você e para o comércio foi a impressão que eu já havia visto algo muito parecido com isso. Então recordei de um artigo de Lem Rockwell onde ele lembra que: 
"eles eram fanáticos por saúde, maníacos por exercícios físicos, ecologistas radicais, entusiastas de comidas orgânicas e defensores ferrenhos dos direitos dos animais, além de nutrirem profundo menosprezo por álcool e tabaco."
Não, Mr. Rockwell não está se referindo à Serra, Kassab ou outro de nossos iluminados governantes que sempre sabem o que é melhor para nós. Rockwell se refere aos nazistas. Todos sabemos como essa história acabou. 
Não estou dizendo que nossos governantes são nazistas. Mas há coincidências: a ideologia estatizante, a paixão pela burocracia, o despropósito das ações, os meios tortos para objetivos errados... 

Cadê as prioridades?
Proíbe-se o tabaco - esses fumantes são uns delinquentes - em um país onde há mais de 50mil homicídios por ano. É obrigatório manter ao menos 20% de mata na sua propriedade privada. Em torno de 40% do seu dinheiro vai para impostos. O rombo da previdência só aumenta. O país passa por um processo de desindustrialização. Nossa inteligentsia está preocupada em proibir sacolas plásticas num país onde mais da metade da população não tem rede de esgoto.
O que virá depois? Proibição de fraldas descartáveis? Banimento de plásticos de bala? 

Nós merecemos
Cada país tem os defensores que merece. Dayan repeliu os árabes de Israel. Kassab é o Dayan do lixão. Truman fez os japoneses se renderem. Serra é o Truman dos fumantes  kamikazes.
E eu? Vou ao supermercado comprar cigarros. Farei questão de pedir uma sacola plástica. Se isso é o melhor que nossos governantes conseguem fazer, vou embalar meu título de eleitor na sacola e jogá-lo fora.
No lixo orgânico.

P.S.: Obrigado a minha leitora paraense que deu a dica.