sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Greenpeace não gosta dos vivos, mas alguns mortos são úteis

Se lembram da notícia de um casal - José Cláudio e Maria do Espírito Santo - assassinado no Pará ano passado? Na época, um bando de bocós  falaram por aí que eles teriam sido assassinados por causa de seu ativismo ambiental. Durante as investigações, alguns fatos começaram a aparecer, entre eles o fato que José Cláudio não era lá um santo, como pode ser visto abaixo (segundo artigo do Diário do Pará):
Inquérito presidido pelo delegado Marcos Cruz aponta que José Cláudio e os irmãos dele, Claudemir e Francisco Ribeiro da Silva, o Marabá, estariam envolvidos na morte do colono Edilon Ribeiro de Souza, o Pelado. Ele foi morto no dia 18 de setembro de 2009, quando estava no lote 17 do assentamento Mamona.
Uma disputa entre Pelado e Marabá pelo lote de 8 alqueires teria resultado no homicídio.
Depois de todo o circo armado e várias comparações com outros ambientalistas mortos no passado, o inquérito policial chegou à conclusão que a causa das mortes foi um conflito por terras, nada relacionado com o ativismo do casal. Obviamente, poucas fontes reportaram essa notícia (que pode ser vista na Veja, na Folha, ou no blog do Ciro Siqueira). 
Agora, já passado algum tempo, o que acontece? O casal é homenageado, juntamente com o diretor do Greenpeace. Vejam abaixo alguns trechos da notícia que saiu no G1:

A ONU homenageou nesta quinta-feira (9) os ambientalistas brasileiros José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinados no Pará em maio de 2011.
A irmã de Maria do Espírito Santo, Laíssa Santos Sampaio, recebeu uma medalha em nome do casal assassinado.
"Na Amazônia tem se intensificado casos de assassinato de pessoas que, como eles, defendem a floresta. A Amazônia é manchada de sangue e essa mancha continua se espalhando", disse Laíssa.
Paulo Adario, diretor do Greenpeace no Brasil, também foi homenageado. Ele recebeu o título de “Heroi da Floresta” da América Latina e Caribe, em reconhecimento ao trabalho realizado na Amazônia.
Ao receber a homenagem, ele pediu novos modelos de desenvolvimento e sugeriu um "Occupy Rio” ("Ocupe o Rio") durante a Rio+20, em junho. A referência é ao movimento “Occupy Wall Street”, que ocupou áreas próximas ao centro financeiro dos Estados Unidos para protestar contra o sistema econômico e pedir um novo modelo de desenvolvimento.
Ao receber o título, o diretor do Greenpeace no Brasil, que também já foi vítima de ameaças de morte, fez referência aos dois ambientalistas.
“[O desmatamento na Amazônia] gera vítimas todo dia. Chico Mendes, Dorothy Stang, José Cláudio e Maria Aparecida. Todos lutavam para manter viva a ideia de que a floresta e as pessoas estão interconectadas”, disse ele. “Além de pessoas anônimas, que estão lutando diariamente”, completou. 
Ele também pediu que a sociedade pressione os governos por mudanças. “Espero que os jovens peguem em suas mãos a luta pela floresta e pelo futuro. Occupy Rio”, afirmou.
Defuntos úteis
Nada como um ou dois mártires para estimular uma causa. Provavelmente por isso os ambientalistas e ongueiros em geral foram tão rápidos ao atribuir o assassinato do casal a seu ativismo. Não me entendam mal: sou contra qualquer homicídio que não seja cometido em legitima defesa. Mas também sou contra proselitismo sobre cadáveres. Especialmente nesse caso, em que o motivo das mortes não era nada relacionado com o ativismo do casal. Isso, obviamente não impediu a irmã da falecida e o diretor do Greepeace de utilizarem o discurso do ambientalismo para justificar as mortes, mesmo depois do crime esclarecido. Tudo bem que o Greepeace não tem nenhum amor pelos seres humanos viventes (somos o câncer do planeta), mas tripudiar sobre mortos já é demais. Tenham um pouco de vergonha!

Rio+20
A moda agora é associar qualquer assunto ambientalista com a Rio+20. Obviamente o diretor do Greenpeace não ia deixar passar essa oportunidade, e já martelou a idéia: Occupy Rio. Eu não entendo o que eles vêem de interessante nessas badernas todas, mas acho que o Rio de Janeiro ficará pequeno em junho com tantos desocupados juntos: entre a rodinha de violão da tal cúpula dos povos, um tribunal de mentirinha e mais uma versão do Occupy Whatever, eu fugiria do Rio nessa época do ano. É muita maconha, muita baderna e pouco banho pra que a cidade funcione. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Depois da maior rodinha de violão, Rio+20 poderá ter o tribunal mais inútil do mundo

O senador Cristovam Buarque é uma daquelas figuras de quem não consigo ter antipatia. Minhas lembranças mais marcantes do senador são de sua passagem não tão memorável pelo ministério da educação e sua campanha presidencial monotemática pela educação. Porém, além do vício de falar sobre educação (e alguém é contra educação?), ele é repetitivo na sua prática como parlamentar. Só o vi defendendo projetos de cunho altamente oportunista, como a proposta de transformar corrupção em crime hediondo, a criação do "dia nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas" ou a proposta de obrigatoriedade dos filhos dos políticos estudarem em escolas públicas (e suas filhas estudaram em escolas particulares, como o Selso Costa me avisou). Ainda assim não consigo ter antipatia por ele.

Lembrança de infância
Toda vez que vejo o senador falando aquelas rematadas bobagens que ele costuma dizer, lembro de uma vez que fui com meus avós em um evento de arrecadação de fundos para um ansionato. O evento aconteceu no próprio ansionato, e me lembro de, com quase dez anos, achar simpáticos aqueles velhinhos sorridentes que tentavam pegar nos bustos e derrières das meninas que já haviam atingido a puberdade. Também era compreensível com aqueles que diziam que tudo era melhor antes, apesar de já naquela idade eu achar que vivia na melhor das eras.
Era salutar para aqueles velhinhos fingirem uns para os outros que o que faziam ou diziam significava alguma coisa. Por mais  inadequado fosse o que fizessem ou falassem, eu delegava em minha mente pueril uma certa licença para que eles fizessem aquilo. Não sei se por pena, se por respeito àqueles cabelos brancos ou só pela satisfação de saber que um dia eu também poderia ter um comportamento inadequado e inconveniente sem que ninguém me repreendesse.  E eu não era o único. Ninguém os repreendia.  Nem as meninas, que só riam do esforço inútil dos velhinhos que nunca atingiriam seu objetivo, mas gostavam de se exibir uns para os outros.

Voltando ao presente
Lembro disso pois vi um artigo do senador publicado em O Globo no qual ele ressuscita uma idéia estúpida daquele tempo em que "tudo era melhor" e a adapta aos tempos modernos. Nos idos da Guerra do Vietnã, Bertrand Russel criou uma farsa muito engraçadinha que Buarque, naquelas épocas estudando na França, deve ter achado uma ótima idéia: criou um tribunal de mentirinha para julgar crimes de guerra ocorridos no Vietnã (depois expandido para outras veredas). Se ele - como eu e os governantes americanos daquela época - só achasse essa idéia engraçadinha, tudo bem, mas o que o senador propõe? Leiam abaixo trechos do artigo:
Quarenta anos depois, outro senhor, ainda mais velho, está despertando os jovens do mundo para indignarem-se contra outra guerra também maldita: a guerra da má economia, que destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos, condenando, sobretudo, os jovens a uma vida sem futuro, como os jovens soldados americanos no Vietnã.
É Stéphane Hessel. Com um pequeno livro, intitulado "Indignai-vos", desperta os jovens em reação aos crimes contra a humanidade cometidos pelos responsáveis pela economia. Publicado em diferentes idiomas, o livro incentiva jovens em diversos cantos do mundo a ocuparem praças e ruas.
Para se transformar no Russell dos dias atuais, Hessel precisa dar um passo adiante e convocar o mundo para criar outro tribunal. Desta vez, para julgar os crimes contra a humanidade provocados pelo modelo econômico, pelo tipo de crescimento que constrói muros, exclui multidões, apartando os que têm dos que não têm acesso aos modernos bens e serviços. Um modelo econômico que escraviza a humanidade, uma parte pela dívida contraída para poder aumentar o consumo de bens supérfluos, a outra pelo desemprego que impede de consumir até os mais essenciais bens de consumo para uma sobrevivência digna.
O mundo tem um Tribunal de Haia que julga legalmente os crimes contra a humanidade: torturas e genocídios. Mas não tem um tribunal que, mesmo sem poder legal, tenha a força moral para dizer que também é crime contra humanidade destruir a natureza, tratar com irresponsabilidade o sistema financeiro internacional e as finanças dos governos, deixar os jovens sem emprego e os velhos sem aposentadoria. Na guerra do Vietnã, os alvos de Bertrand Russell eram o presidente americano e seus ministros da Defesa e do Sistema Industrial Militar. Hoje, seriam governantes das grandes potências, como o G-8 e Comunidade Européia, presidentes de Banco Centrais, ministros, banqueiros, especuladores e industriais, grandes construtoras.
O Tribunal Hessel seria um conjunto de pessoas como ele próprio e outros nomes com a força moral de pessoas como Gro Harlem Brundtland, da Noruega; Kumar Pachauri, Índia; Ricardo Lagos, Chile; Mário Soares, Portugal; Edgar Morin, França; Frederico Mayor, Espanha; Amartya Sen, Índia; Domenico De Masi, Itália; Sebastião Salgado, Brasil; Kofi Annan, Gana; Boutrous Boutros-Ghali, Egito; Helen Clark, Nova Zelândia; Desmond Tutu, África do Sul; Ignacy Sachs, França, entre outros homens e mulheres de consciência e respeito, que sem força do Estado, sem poder de polícia, nem política, apenas com a credibilidade moral diriam: BASTA de brutalidade do sistema econômico, como Russell disse um BASTA à brutalidade da guerra do Vietnã.
Bertrand Russell não tinha internet nem redes sociais. Ele precisava caminhar nas ruas. Russell não teve a chance de uma Cúpula como a ¨Rio + 20¨, quando a sociedade civil hoje, no lado de fora da sala do poder legal, poderá lançar o grito da força moral de Basta, com o simbolismo de criar o Tribunal Hessel para julgar os crimes contra a humanidade, cometidos em nome de um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente.
Buarque é coerente
Já falei que detesto hipocrisia, por isso tenho uma certa condescendência com o senador Buarque. Ele é extremamente coerente com o anacronismo das idéias que defende e até com os métodos utilizados na época que "tudo era melhor". Enquanto Russel criou um tribunal cheio de seus amiguinhos esquerdistas, Buarque não fica atrás. Escala para o "Tribunal Hessel" uma penca de amiguinhos da ONU (na qual o senador participou de vários organismos), como Brundtland, Mayor, Annan, Clark, Boutros-Ghali, e por aí vai. Como o tal tribunal deve ser internacional e pegaria mal o senador se auto-indicar, quem ele escolheu como representante do Brasil? O fotógrafo Sebastião Salgado, nosso hagiógrafo dos pobres, de quem admito desconhecer as obras sobre direito internacional e economia. Buarque quer julgar os crimes do sistema capitalista convocando como juízes e júri aqueles que sempre foram e atuaram contra esse mesmo sistema. Além de poder promover um encontro de seus velhos amigos as custas de sei-lá-quem.

Buarque é meu velhinho tarado
Passados 20 anos, nunca voltei àquele ansionato de que falei no começo do texto. Apesar de não ser necessariamente velho (pelos termos politicamente corretos um homem na "melhor idade"), elegi Cristovam Buarque como meu "simpático velhinho tarado". Sempre que vejo alguém reclamando de alguma baboseira que ele profere, eu digo "deixa ele, não sabe mais o que faz", ou "tadinho, está gagá, não sabe o que fala". Pode parecer que estou sendo duro com ele, mas acreditem, é uma reverência ser tratado como café-com-leite. Tenho a impressão que grande parte do eleitorado pensa como eu. 
Não sei o que o senador pretende com a proposta de criação desse tribunal farsesco, nem o que será alcançado se eles de fato produzirem alguma coisa, mas sei que qualquer coisa que saia disso provavelmente será tratada como uma ata de reunião do ansionato de idéias falidas. 
O senador Cristovam, por mais que tenha largado o PT (ou como ele disse, que o PT o tenha abandonado) continua com suas idéias esquerdistas. Só que agora decidiu que não basta ser contra o capitalismo, pode ser também a favor do meio ambiente. E que palco melhor para defender qualquer causa boba que a Rio+20? Depois que o circo já foi armado com um acampamento de dez mil idiotas úteis, agora o senador Buarque quer criar um "tribunal" com duas dúzias de idiotas inúteis. 
Por isso digo: não critiquem o senador Buarque. Como os velhinhos que agarravam as bundas das menininhas, é muita iniciativa e nenhuma possibilidade de alcançar o objetivo, mas eles ficam satisfeitos se exibindo uns para os outros. Dá a eles uma sensação que ainda fazem algo útil. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A maior rodinha de violão do mundo

O que acontece quando se junta uma porção de boas intenções (daquelas que enchem o andar de baixo), dois dedos de desprezo pela democracia, duas colheres de ambientalismo, uma pitada de totalismo, 5 litros de ódio ao capitalismo e livre-mercado, tempera isso tudo com dinheiro público e serve para um público de militontos? A Cúpula dos Povos.
Imagino que a maioria dos leitores não saiba o que é isso. Eu também não sabia o que era até topar com o site desse negócio na internet. A primeira vista, é só um encontro paralelo à Rio+20, a ser realizado entre 15 e 23 de junho. Achei que até seria interessante ocorrer um encontro paralelo à tal conferência, já que não concordo com praticamente nada que se discutirá lá e não fui convidado. Ou melhor: achei interessante até ver o que é essa tal cúpula, quem a organiza e qual sua programação. Não vou discutir todos os absurdos que encontrei lá, até porque eles atualizam bastante o site, e pelo que vi, terei bastante assunto no futuro.

O que é esse evento?
Em uma página muito didática no site da "Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental" (esse é o nome oficial), eles mesmos explicam o que são e o que não são. 
A Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns, é:
  • Um evento a ser realizado entre 15 e 23 de junho de 2012 no Aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), organizado por entidades da sociedade civil brasileira e internacional.
  • Um contraponto à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) – a Rio+2o oficial –, com críticas ao modo como os governos têm tratado as questões socioambientais e com propostas para evitar um colapso global.
  • Um evento paralelo e independente da Rio+20 oficial.
  • Crítica ao conceito de economia verde, palavra-chave da conferência oficial da ONU. A organização da Cúpula considera esse conceito insatisfatório para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumo capitalistas.
  • Uma oportunidade de tratar dos problemas enfrentados pela humanidade de forma efetiva.
  • Demonstração da força política dos povos organizados.
  • “Um espaço de experimentação e visibilização concreta das práticas que queremos ver no mundo.“
  • Anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica.
  • Um chamado para reinventar o mundo.
  • Um evento dos e para os povos.
  • Um espaço sem presença de corporações.
  • Uma afirmação do direito aos bens comuns.
  • Uma referência ao Fórum Global, evento organizado pela sociedade civil que aconteceu durante a Eco 92, a Cúpula da Terra, também no Aterro do Flamengo.
  • Parte de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais.
A Cúpula dos Povos não é:
  • A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD). Ou seja, a Cúpula dos Povos não é a Rio+20 oficial, organizada pela ONU.
  • Ligada à Rio+20 oficial ou à Organização das Nações Unidas, de qualquer forma. Algumas organizações presentes na Cúpula também têm cadeiras na conferência oficial, mas o evento é em si autônomo e independente.
  • Um espaço de corporações ou de mercantilização da natureza.
  • Um lugar de falsas soluções, mas de soluções já criadas pelos povos para os problemas vividos hoje no planeta.
  • Intergovernamental, mas internacional.
  • Uma reafirmação da economia verde como solução para o desenvolvimento sustentável – ao contrário.
  • Mais do mesmo.
Essa auto-definição pelos organizadores parece-lhes meio sem propósito, algo como uma maçaroca de causas separadas na qual cada um escreveu uma linha e depois juntaram tudo em uma página da internet? Essa foi a impressão que eu tive, então fui buscar mais informações.

Quem são os organizadores?
Um evento contra tantas coisas precisa de alguém que o organize, não? Então quem é responsável por isso? O site da cúpula também tem uma página onde encontrei a lista abaixo:
  • Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong);
  • Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB);
  • Articulação do Semi-Árido (ASA);
  • Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
  • Central Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT);
  • Fórum Ecumênico ACT Brasil;
  • Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq);
  • Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen);
  • Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES);
  • Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS);
  • Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU);
  • Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo do Fórum Social Mundial (Grap);
  • Grupo de Trabalho Amazônico (GTA);
  • Forum Nacional de Entidades Civis de Defesa do ConsumidorInstituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (FNECDC);
  • Jubileu Sul;
  • Kari-Oca;
  • Marcha Mundial de Mulheres;
  • Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca);
  • Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais (Rede Brasil);
  • Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea);
  • Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip);
  • Rede Cerrado
  • Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rejuma);
  • Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA);
  • Via Campesina (VC);
Até aqui eu já estava espantado. Mas forte de estômago como sou, passei para a programação do evento. 

A programação
A agenda do evento ainda não é definitiva, mas pelo quadro apresentado no site dá pra ter uma idéia do que será feito.

15 e 16 de junho: Atividades organizadas pelos movimentos sociais locais, que estão em luta permanente de resistência aos impactos das grandes obras.
17 de junho: Marcha de abertura da Cúpula dos Povos.
18 e 19 de junho: Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos.
20 de junho: Dia de Mobilização Internacional. Uma grande manifestação no Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil e do mundo para expressar a luta dos povos contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns
21 e 22 de junho: Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos.
23 de junho: Mensagem final da Cúpula dos Povos, que expresse os acúmulos e acordos construídos pelos povos em luta por justiça social e ambiental.
Minhas impressões
O que interpretei do que li é que essa cúpula nada mais é que uma reunião de pretensos revolucionários, ecochatos, biodesagradáveis, índios, feministas, comunistas, gayzistas, camponeses que não sabem segurar uma enxada, sindicalistas e por aí vai. O que os une não é nada relacionado com o ambiente. Cada um deles defende seus próprios interesses usando uma desculpa aparentemente nobre para isso. O único ponto de convergência é que todos, sem exceção, são contra o capitalismo e o estado democrático de direito.  Alguém além de mim notou que não há uma única referência a "ciência" nesse evento? Ninguém quer discutir questões ambientais. Entre o que é a tal cúpula e seus participantes, há mais ódio ao estado democrático de direito e menos intelectualidade que no PCC. Ao menos Marcola leu Nietzsche, Santo Agostinho, Victor Hugo e Voltaire.
Não achei nenhum lugar que diga quantas pessoas participarão de fato do evento, mas no site do MMA há uma reprodução de um texto do Valor Econômico onde se lê:.
As estimativas são de ter 10 mil pessoas acampadas, mas não no Aterro, em parques próximos. Em 1992, o uso intenso da área estragou a grama. O Aterro é patrimônio, e a negociação com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pressupõe que as áreas gramadas não podem ser usadas e, se houver estragos, as ONGs terão que arcar com o custo da restauração. O plano prevê um acampamento com 5 mil jovens, outro com 2 mil camponeses, e dois espaços com 800 e mil índios.
Esse é de fato um feito louvável. Dez mil pessoas! Eu já sofro para receber 30 pessoas na minha festa de aniversário. Fui obrigado a procurar como eles fariam isso. Achei então uma entrevista de Fátima Mello, um dos membros do comitê organizador do evento, onde ela diz:
O abastecimento alimentar da Cúpula dos Povos, com cerca de 10 mil acampados, será feito pela produção familiar e camponesa. Teremos um espaço de mídia digital livre, além de trocas aceitas através da economia solidária; haverá geração de energia limpa; todo o tratamento do lixo será feito pelo movimento de catadores.
Achei a solução para minhas festas. O que falta é comprar insumos da produção familiar e camponesa, usar só energia limpa e tratar o lixo pelo movimento de catadores.  Um monte de falácias! Alimentar dez mil pessoas concentradas por nove dias com "produção familiar e camponesa"? Quem cuidará dessa logística? Utilizar só energia limpa? Se for energia do Sistema Interligado Nacional, pode ter certeza que algo ali virá de uma térmica a combustível fóssil. E a pior mentira de todas: "todo o tratamento do lixo será feito pelo movimento de catadores"? Em todos os lugares em que estive, catadores coletam majoritariamente - quando não exclusivamente - papelão e alumínio. Ou alguém já viu catador levar seu lixo orgânico? Essa é uma utopia tão boba e desconectada da realidade quanto o sonho deles de acabar com o capitalismo.
Já na programação do evento, o negócio fica ainda mais sério. É como uma admissão que ninguém, nem mesmo - e especialmente - os organizadores, sabe o que se fará lá. A tabela abaixo mostra minha leitura e tradução da programação:


Data
Atividades programadas
Tradução
15 e 16 de junho
Atividades organizadas pelos movimentos sociais locais, que estão em luta permanente de resistência aos impactos das grandes obras
Dois dias de baderna, sexo casual e consumo de entorpecentes enquanto se fala mal das obras que permitem o conforto dos mimados
17 de junho
Marcha de abertura da Cúpula dos Povos
Baderna e consumo de entorpecentes na rua, reclamando do capitalismo e da democracia que permite que esse evento ocorra
18 e 19 de junho
Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos
Cada um faz o que quer por dois dias enquanto o pessoal de ressaca discute  porque “tudo que está aí” está errado
20 de junho
Dia de Mobilização Internacional. Uma grande manifestação no Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil e do mundo para expressar a luta dos povos contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns
Passeio pela orla. Banho de mar e consumo de entorpecentes no Posto 9 a favor do livre plantio e consumo de herbáceas
21 e 22 de junho
Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos
Cada um faz o que quer por dois dias enquanto o pessoal de ressaca chega à conclusão que a culpa de tudo é do capitalismo
23 de junho
Mensagem final da Cúpula dos Povos, que expresse os acúmulos e acordos construídos pelos povos em luta por justiça social e ambiental
Toneladas de lixo, pontas de baseado, garrafas de bebida e umas 20 páginas de copia-e-cola do que os organizadores já haviam decidido que seria a conclusão da cúpula.


Resumo da ópera
Computando o que é (na definição deles) essa cúpula, a aparente heterogeneidade dos organizadores e a (falta de) programação, já dá pra saber o que será de fato esse evento: um circo criado para tentar legitimar a proposta esquerdista de "outro mundo possível". Outro mundo onde eles decidem o que é melhor para você, para sua família, para sua carreira, para a economia e para o planeta. Essa proposta já está redigida há anos. Esse circo é só pra divertir os idiotas úteis que voltarão para casa com a satisfação que fizeram mais que se entorpecer e conceber uma leva de bastardos da Rio+20.
Quem lê meus textos já deve ter notado que tenho um hábito repetitivo de sempre perguntar: quem paga por isso? Nesse caso, faço minhas as palavras do fictício Capitão Nascimento: "é você que financia essa p... toda!" E o pior, se formos estudar o léxico ambientalista, veremos que tudo esse povo defende significa mais poder para eles e menos liberdade para você, que financia "essa p... toda".
Enquanto a intelligentsia esquerdista solapa sua liberdade, você financia a maior rodinha de violão do mundo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

África é pobre? A culpa é dos Bantu

Reproduzo abaixo trechos de uma notícia no site da Veja:
Homem já interferia no clima há 3.500 anos
A interferência do homem no clima da Terra pode ser bem anterior à Revolução Industrial do século XVIII. Segundo uma pesquisa publicada no site da revista Science, o surgimento das savanas na África, entre 3.500 e 4.000 anos atrás, coincidiu com o início da exploração da agricultura no local. A análise de sedimentos no fundo do Rio Congo, um dos maiores do continente, permitiu concluir que a região passou por mudanças climáticas abruptas.
Não há dúvida quanto a relação entre a queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, e mudanças climáticas. Mas o desmatamento é a segunda causa global de liberação de gases que causam o efeito estufa na atmosfera. E foi isso que o povo Bantu, uma das mais antigas etnias africanas, fez no vale do rio Congo. Eles desmataram áreas de florestas tropicais para plantar palmeiras, milheto e inhame, culturas que demandam muita luz do sol. As análises do leito do rio mostram que houve um aumento significativo no depósito de sedimentos na época do advento da agricultura no local. 
Eu me espanto com a capacidade que o pessoal do aquecimento global antropogênico têm de sempre achar uma relação entre as atividades do homem e qualquer mudança climática. Nesse sentido, é interessante ver o documentário The Great Global Warming Swindle, que infelizmente nunca encontrei para venda aqui no Brasil, mas que alguém teve a bondade de colocar no Youtube. Um dos entrevistados fala algo no mínimo preocupante: para conseguir financiamento de pesquisa, basta colocar qualquer coisa relacionada a aquecimento global no estudo, e pronto. Achei o documentário muito melhor embasado que tanto o filmeco quanto o livrinho do Al Gore.


Ao contrário do pessoal que roda os modelos climáticos catastróficos e sabe o que irá acontecer daqui a 100 anos, eu não sei nem o que vou comer no jantar de hoje. Como não sou nenhum grande entendido em clima e atmosfera, mandei o link da notícia por email para uma amiga meteorologista. Sua resposta resume bem melhor o que eu poderia dizer a respeito:
 "De cara, o quadro trata efeito estufa como algo antrópico. E de tudo, só digo isso: se o homem vem modificando a coisa [não estava escrito "coisa"] toda há 4 mil anos e, olha só, ainda estamos aqui, não preciso me preocupar muito, não é?"
Concordo plenamente.
O que gostaria de ver agora é todo mundo que falou que a África só é pobre por conta da ação dos belgas, franceses, holandeses, ingleses e europeus em geral se desculparem pelo que falaram. E reescreverem os textos, colocando a culpa nos bantus. 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Desmatamento diminui. Brasil comemora, Ongolândia chora.

Fiquei espantado com essa notícia da Veja, da qual reproduzo trechos abaixo:
A Mata Atlântica, o mais desmatado dos biomas brasileiros, registrou taxa de abate da vegetação nativa próxima de zero entre 2008 e 2009, segundo o mais recente monitoramento por satélite, apresentado nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente. Seis dos estados que compõem o bioma não registraram nenhuma área desmatada maior que 4 hectares (40 quilômetros quadrados), limite de "visão" das imagens de satélites.
Na média, a Mata Atlântica, que reúne parte do território de quinze estados, teve 0,02% de desmatamento, ante 0,25% registrado entre 2002 e 2008. Até 2009, o bioma havia perdido 75,9% da vegetação nativa.
Em outros dois biomas que passaram a ter o desmatamento monitorado por satélites, o ministério também constatou queda no ritmo do desmatamento: o Pantanal perdeu 0,12% de sua vegetação nativa entre 2008 e 2009, e o Pampa, que já perdeu mais de metade (54,12%) de sua vegetação, registrou desmatamento de 0,18% no período.
"É uma boa notícia. O ritmo é muito menor que o registrado até 2008, mas a pressão ainda existe e precisamos aperfeiçoar a metodologia de monitoramento para orientar a fiscalização e a política de recuperação ou supressão legal da vegetação", disse a ministra Izabella Teixeira.
Monitoramento - A Amazônia e o Cerrado têm dados de monitoramento mais recentes, por serem os biomas que mais perdem vegetação nativa no país. O Cerrado é o recordista em desmatamento - perdeu, entre 2008 e 2009, 7 600 quilômetros quadrados de vegetação nativa ou 0,37% de sua área total. No mesmo período, a Amazônia perdeu 7 400 quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a 0,17% de sua área.
Apesar dessas quedas, o comando da área ambiental do governo aponta preocupação com a dinâmica do abate da vegetação nativa. No Pantanal, por exemplo, o desmatamento que avançava nas bordas do bioma passou a ser registrado nas áreas mais centrais. Corumbá foi o município que mais desmatou.
 "É uma situação preocupante, comandada principalmente pela conversão da vegetação nativa em pastos para a criação de gado zebu", disse o secretário de Biodiversidade, Bráulio Dias, que deixou ontem o cargo para ocupar o posto de secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica das ONU. 
Que surpresa boa!
Imagino que qualquer pessoa que como eu não é contra o meio ambiente (já me acusaram disso, como se eu fosse contra o oxigênio) acharia que essa notícia é muito boa. E o melhor, está sendo divulgada pela imprensa, o que também é bom. Pelo menos não somos somente bombardeados com as notícias apocalipticas plantadas pelas ONGs (ONU entre elas, claro) que o mundo vai acabar na próxima semana. 
Por sorte tive pais esclarecidos e que me ensinaram muito bem, senão compartilharia da idéia que a mata atlântica estava acabada, que tinha que visitar o cerrado e a amazônia antes que eles também se acabassem, e que o homem destruiria o planeta. Nos últimos anos, tive a oportunidade de visitar quase todos os biomas do país, e vi que essas previsões eram exageradamente catastróficas. 
Por mais que imaginasse e visse pelas imagens de satélite das regiões onde trabalhei que o desmatamento não era tão extenso quanto se pregava nos press releases das ONGs, por vezes imaginei que o pequeno  desmatamento que eu via era uma exceção. Achei que estava longe de onde o desmatamento acontecia, por isso minha percepção estava equivocada. Eu não via o desmatamento, por mais que o procurasse. Achei que estava olhando nos lugares errados.
Quando vi essa notícia da qual reproduzo um trecho acima, pensei "aí está um baita 'cala-boca'! " para as ONGs catastrofistas, mas continuei a leitura, e com o que me deparo? Com o trecho abaixo:
Na Mata Atlântica, Dias explicou que os dados oficiais divergem dos divulgados pela entidade SOS Mata Atlântica porque o ministério considerou o limite estrito do bioma e não apenas a vegetação de florestas. As informações deverão reforçar o apoio do governo à reforma do Código Florestal já aprovada pelo Senado, que prevê a recomposição de parte das áreas de preservação permanente desmatadas. A votação na Câmara está prevista para o início de março.
Limite Oficial - Para a SOS Mata Atlântica, apesar de os dados trazerem uma boa notícia, eles pedem algumas ponderações. De acordo com Márcia Hirota, diretora da entidade, o monitoramento não levou em conta os limites oficiais do bioma, definidos na Lei da Mata Atlântica, de 2006. Ela incluiu as chamadas matas secas de Minas Gerais, Bahia e Piauí, mas essas áreas ficaram fora do cálculo.
"São áreas protegidas por lei, mas que têm sofrido forte ameaça", diz. Segundo a ONG, nos últimos anos, os maiores desmatamentos do bioma vêm sendo observados justamente nessas regiões. Em nota oficial, a SOS Mata Atlântica também criticou o posicionamento da ministra Izabella sobre o Código Florestal: "Reforça o equívoco, pois, com a aprovação do atual texto, a Mata Atlântica estará irremediavelmente condenada".
Quanto pior, melhor
Como os leitores habituais devem ter reparado, eu sou sempre desconfiado de ambientalistas. Ou eles têm uma agenda oculta ou não sabem o que estão falando. Como falei no texto de ontem sobre o ONU, a maior ONG do mundo, não sei se quando os indicadores mostram resultados otimistas eles comemoram ou acham que a melhoria se deu por ação deles. No geral, eu acredito que para eles, "quanto pior, melhor". 
Esse é um dos grandes problemas do ambientalismo moderno: a falta de foco. Porém, os ambientalistas não podem perder aquela "causa pra chamar de sua". Então, mesmo que o problema no qual se baseia sua causa esteja aparentemente resolvido, é hora de achar alguma outra questão, outra causa a defender. E é isso que faz a representante da SOS Mata Atlântica: na falta de números que corroborem sua causa, procura outro problema. Afinal, ela precisa manter seu emprego, não é?  Nada contra alguém querer manter seu emprego ou resistir a evidências que mostram que sua escolha de carreira (no caso, proteger a mata atlântica) talvez tenha sido baseada em dados errados. Entendo essa boa intenção. Mas resolvi fazer umas contas. 

Aritmética 101
De posse desses dados da notícia, usei todos os conhecimentos ultra-avançados de aritmética que aprendi até a terceira série do primário para calcular por quantos anos os biomas se manteriam caso a taxa de desmatamento continuasse constante. O resultado é no mínimo animador:
  • Mata atlântica: a 0,02% de desmatamento anual, e considerando que 75,9% já haviam sido desmatados anteriormente, seriam necessários mais de 1200 anos para acabar com o bioma.
  • Pampa: considerando que 54,12% do bioma já foi "devastado", a uma taxa de desmatamento de 0,18% ao ano, seriam necessários mais de 250 anos para acabar com o bioma. 
Obviamente essas são contas simplificadas, mas não me parece que os biomas em questão estejam lá muito ameaçados ou que alguma intervenção é urgente.

Mudança de foco
Algo que pode passar despercebido a qualquer um que leia a notícia é a última frase do texto, na qual a SOS Mata Atlântica exerce toda a sua posição de profeta do apocalipse.  Reparem no que fala a representante da ONG:  "com a aprovação do atual texto [do novo Código Florestal], a Mata Atlântica estará irremediavelmente condenada".
Por mais que eu não seja um grande especialista em questões florestais, e sim um curioso minimamente informado, é de espantar que a mínima mudança que está sendo feita no Código Florestal (em minha opinião a mudança deveria ser maior e mais abrangente) vá "condenar" a mata atlântica. Não sei se o repórter estava com preguiça de perguntar a quê a mata atlântica estaria condenada ou se ele suprimiu alguma fala da representante da SOS Mata Atlântica, mas essa é uma dúvida que eu tenho.
Presumo que seja condenada a ser utilizada por aqueles que nela residem, produzem e dela se sustentam. Com exceção daqueles que se usam de sua destruição para seus próprios fins, aqueles para quem quanto pior, melhor. Até agora, não vi uma objeção sensata à mudança do Código Florestal na mata atlântica, no cerrado, na amazônia ou no pampa.
Os únicos contra a mudança do Código Florestal vivem na Ongolândia.


Nota de rodapé: Para saber mais sobre o debate a respeito do novo Código Florestal, visitem: www.codigoflorestal.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ONU é uma reunião de arautos do apocalipse

Sabem aquelas notícias que dão preguiça de comentar?  Topei com essa aqui no site da Info. Bom, qualquer notícia que relacione ONU e alimentos, água ou energia já é previsível. E quando se juntam na mesma equação ONU + alimentos + água + energia, o que pode acontecer senão o fim do mundo como o conhecemos? 
A ONU, que é a maior e uma das mais inúteis ONGs do mundo possui essa vocação para fazer previsões catastróficas que sinceramente me angustia. Eu não tomei o tempo para pesquisar todos os relatórios pretéritos da ONU, mas tenho a impressão que desde que ela se meteu a falar de meio ambiente o mundo vai acabar. Só pra vocês não acharem que estou chutando, lembrem-se dessas obras primas da ONU:
- Conferência de Estocolmo (1972);
- Relatório Brundtland / Nosso Futuro Comum (1987);
- Rio 92 / Eco 92 (1992); e
- Todo e qualquer relatório do IPCC.

Há 40 anos a ONU vem alertando para o iminente fim do mundo, a cada década postergando a data do juízo final, e o que vemos? Maior produtividade agrícola, menos fome, mais saneamento, menos desmatamento, menos mortos por epidemias, menos mortos por desastres naturais, e a lista vai. Quem quiser ter uma boa idéia disso deve ler O Ambientalista Cético, do Lomborg (170 reais na república da banânia ou 20 dólares no mundo civilizado). 
A ONU já publicou tantos documentos advertindo contra catástrofes de todo tipo - e não param de publicar novos - que chegará um dia em que qualquer catástrofe já terá sido prevista pela ONU. De resfriamento global a aquecimento global; falta de comida e água pela superpopulação; a falta de terras aráveis; o sumiço da ararinha-moleca-do-banhado; o buraco da camada de ozônio; a falta de alimentos da África; a obesidade nos países desenvolvidos; as catástrofes causadas pelos transgênicos; a extinção de milhares de espécies por ano; a excassez de crianças para adoção pela Srta. Jolie, praticamente tudo está em algum lugar nos documentos da ONU. A única coisa que falta é que todas, ou ao menos um número razoável dessas previsões se concretizasse.
Uma dúvida que tenho é se o pessoal da ONU fica na torcida para que as previsões deles se concretizem ou se quando a comunidade científica prova que eles estão errados eles ainda pensam: "ainda bem que agimos a tempo". A ONU alguma vez publicou uma retratação por suas previsões erradas? Os países que apóiam a ONU precisam seriamente rever a quantidade de dinheiro que é gasta com esse órgão ineficaz, sem autocrítica e sem função. A partir daí, podemos começar a prever o fim da ONU. Pessoalmente, entre a ONU e a ararinha-moleca-do-banhado, eu prefiro que a ONU seja extinta.

P.S.: Obrigado à Ellen pela idéia do post.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Belo Monte: Delinquentes vandalizam fachada do IBAMA

Quando eu digo que os ecochatos não conseguem manter um debate razoável, alguns acham que eu exagero ou pego pesado com eles. No caso de Belo Monte, desde o início do processo há uma série de demonstrações que só corroboram o que digo. A última é de um grupelho de delinquentes que decidiu que seria uma boa idéia vandalizar a fachada do prédio do Ibama. Vejam o vídeo abaixo:


Depois de Sting, James Cameron, Sigourney Weaver, os palhaços do Gota d'Água, os índios que atacaram o engº Paulo Rezende, irmã Wenzel e mais um monte de gente que fala sem ter a menor noção, agora esses acéfalos decidem se meter no assunto de Belo Monte. Em qualquer país sério, esses delinquentes seriam presos e processados por vandalismo. Aqui no Brasil provavelmente há um milhão de outros acéfalos que irão aplaudir. 
Não sei se não consigo compreender o simbolismo da manifestação deles, mas qual o sentido de jogar peixes no prédio do IBAMA? Eles não querem proteger os peixes do Xingu? E com logotipos da Norte Energia atrás de suas capas de chuva? Qual o significado? Que a Norte Energia paga as taxas do IBAMA, ou as indenizações de terras inundadas com peixes? Com toda sinceridade, não entendo a mentalidade deles.
Outro ponto que achei digno de nota é o total desconhecimento até dos princípios básicos do licenciamento ambiental, o que fica claro na descrição do vídeo no youtube e na fala daquela menina que parece ter cheirado algo além de peixe podre: "Parabéns IBAMA pelo segundo aniversário da licença prévia para a construção de Belo Monte!" Se essa descerebrada tivesse estudado um pouquinho de licenciamento, saberia que não existe "licença prévia para construção".
Como vergonha pouca é bobagem, eles ainda afirmam "exigimos a abertura de discussão e a revisão da matriz energética". Obviamente eles não entendem nada de revisão, ou seu texto não seria tão ruim, e a forma de "discussão" deles está bem exposta ali no vídeo. Além disso, em uma democracia, bandido não exige nada! 
Que sejam presos, julgados e condenados.