sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Greenpeace não gosta dos vivos, mas alguns mortos são úteis

Se lembram da notícia de um casal - José Cláudio e Maria do Espírito Santo - assassinado no Pará ano passado? Na época, um bando de bocós  falaram por aí que eles teriam sido assassinados por causa de seu ativismo ambiental. Durante as investigações, alguns fatos começaram a aparecer, entre eles o fato que José Cláudio não era lá um santo, como pode ser visto abaixo (segundo artigo do Diário do Pará):
Inquérito presidido pelo delegado Marcos Cruz aponta que José Cláudio e os irmãos dele, Claudemir e Francisco Ribeiro da Silva, o Marabá, estariam envolvidos na morte do colono Edilon Ribeiro de Souza, o Pelado. Ele foi morto no dia 18 de setembro de 2009, quando estava no lote 17 do assentamento Mamona.
Uma disputa entre Pelado e Marabá pelo lote de 8 alqueires teria resultado no homicídio.
Depois de todo o circo armado e várias comparações com outros ambientalistas mortos no passado, o inquérito policial chegou à conclusão que a causa das mortes foi um conflito por terras, nada relacionado com o ativismo do casal. Obviamente, poucas fontes reportaram essa notícia (que pode ser vista na Veja, na Folha, ou no blog do Ciro Siqueira). 
Agora, já passado algum tempo, o que acontece? O casal é homenageado, juntamente com o diretor do Greenpeace. Vejam abaixo alguns trechos da notícia que saiu no G1:

A ONU homenageou nesta quinta-feira (9) os ambientalistas brasileiros José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinados no Pará em maio de 2011.
A irmã de Maria do Espírito Santo, Laíssa Santos Sampaio, recebeu uma medalha em nome do casal assassinado.
"Na Amazônia tem se intensificado casos de assassinato de pessoas que, como eles, defendem a floresta. A Amazônia é manchada de sangue e essa mancha continua se espalhando", disse Laíssa.
Paulo Adario, diretor do Greenpeace no Brasil, também foi homenageado. Ele recebeu o título de “Heroi da Floresta” da América Latina e Caribe, em reconhecimento ao trabalho realizado na Amazônia.
Ao receber a homenagem, ele pediu novos modelos de desenvolvimento e sugeriu um "Occupy Rio” ("Ocupe o Rio") durante a Rio+20, em junho. A referência é ao movimento “Occupy Wall Street”, que ocupou áreas próximas ao centro financeiro dos Estados Unidos para protestar contra o sistema econômico e pedir um novo modelo de desenvolvimento.
Ao receber o título, o diretor do Greenpeace no Brasil, que também já foi vítima de ameaças de morte, fez referência aos dois ambientalistas.
“[O desmatamento na Amazônia] gera vítimas todo dia. Chico Mendes, Dorothy Stang, José Cláudio e Maria Aparecida. Todos lutavam para manter viva a ideia de que a floresta e as pessoas estão interconectadas”, disse ele. “Além de pessoas anônimas, que estão lutando diariamente”, completou. 
Ele também pediu que a sociedade pressione os governos por mudanças. “Espero que os jovens peguem em suas mãos a luta pela floresta e pelo futuro. Occupy Rio”, afirmou.
Defuntos úteis
Nada como um ou dois mártires para estimular uma causa. Provavelmente por isso os ambientalistas e ongueiros em geral foram tão rápidos ao atribuir o assassinato do casal a seu ativismo. Não me entendam mal: sou contra qualquer homicídio que não seja cometido em legitima defesa. Mas também sou contra proselitismo sobre cadáveres. Especialmente nesse caso, em que o motivo das mortes não era nada relacionado com o ativismo do casal. Isso, obviamente não impediu a irmã da falecida e o diretor do Greepeace de utilizarem o discurso do ambientalismo para justificar as mortes, mesmo depois do crime esclarecido. Tudo bem que o Greepeace não tem nenhum amor pelos seres humanos viventes (somos o câncer do planeta), mas tripudiar sobre mortos já é demais. Tenham um pouco de vergonha!

Rio+20
A moda agora é associar qualquer assunto ambientalista com a Rio+20. Obviamente o diretor do Greenpeace não ia deixar passar essa oportunidade, e já martelou a idéia: Occupy Rio. Eu não entendo o que eles vêem de interessante nessas badernas todas, mas acho que o Rio de Janeiro ficará pequeno em junho com tantos desocupados juntos: entre a rodinha de violão da tal cúpula dos povos, um tribunal de mentirinha e mais uma versão do Occupy Whatever, eu fugiria do Rio nessa época do ano. É muita maconha, muita baderna e pouco banho pra que a cidade funcione. 

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