sexta-feira, 30 de março de 2012

MAB: Corrigindo uma injustiça

O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) ganhou um pouco de publicidade gratuita aqui no blog na semana que eles entitularam "Jornada de Lutas". Escrevi alguns textos a respeito (aqui, aqui, aqui e aqui), e recebi alguns comentários a favor do que havia escrito e outros contrários. Além daqueles que apoiaram o que escrevi, alguns vermelhinhos disseram - naquela língua que lembra vagamente o português - que eu não sabia sobre o que estava escrevendo. Não posso dar nome aos bois, pois todos são anônimos, mas acho que eles gostarão de saber que eu li os comentários, como esses abaixo (eles em vermelho, eu em azul):

É isso ai... ninguém pode falar daquilo que não convive. essas pessoas falam daquilo que não sabem, eles não sabem que foi a empresa que sabendo da invasão do MAB iria ocorrer ateou fogo no próprio escritório. Pura estratégia para não pagar as contas, para atrasar... e o povo ainda acha que eles são sérios, ao invés de trabalhar eles querem explorar, roubar, e os retardados ainda concordam com isso.
Se você sabe que foi a empresa que colocou fogo no escritório, de duas uma: ou você trabalha para a empresa e ajudou a colocar fogo no escritório, ou você testemunhou alguém ateando fogo ao escritório.
Opa, me lembrei que há uma terceira alternativa: você está falando de algo que não sabe, exatamente o contrário do que você escreveu.
Minha sugestão: caso você viu algo ou participou do incêncio, vá à delegacia mais próxima. Caso você esteja falando sem saber, vá ter umas aulinhas de lógica antes de falar bobagem por aqui.
Muito infeliz seu comentario, antes de ficar escrevendo abobrinha na internet vai fazer uma pesquisa etinografica sobre o movimento que ai sim vc pode opinar
Desconsiderando a (falta de) acentuação do "texto", que desculpei pois provavelmente esse anônimo estava usando um celular, o que achei realmente infeliz foi que o cidadão escreveu "etinografica". Já ouvi em algumas ocasiões que o excesso de ciências humanas estava emburrecendo a população, mas quando o nosso suposto antropólogo não sabe escrever corretamente o nome da pesquisa que ele sugere que eu faça, o objeto da pesquisa deveria ser ele. Quem sabe uma pesquisa sobre o uso da internet por débeis mentais.

Como sou um entusiasta do método científico, não pude deixar de considerar a hipótese que eu estivesse errado. Assim, o que fiz? Procurei o MAB, e mandei-os o email que segue abaixo na íntegra (em azul):

Subject: Informações sobre o MAB
From: Davi de Souza Schweitzer <[apaguei intencionalmente]@floripa.com.br>
Date: 22/3/2012 21:14
To: mab@mabnacional.org.br, imprensa@mabnacional.org.br

     Boa Noite,

Escrevo para um blog (http://vamosserracionais.blogspot.com.br/) que trata de assuntos ligados a meio ambiente, e como tal, não passou despercebida a Jornada de Lutas do MAB realizada na semana passada. Contudo, alguns dos comentaristas do blog insinuaram que eu pudesse estar mal informado a respeito.
Nesse ínterim, aproveito a oportunidade de contato que a internet nos oferece para submeter-lhes algumas dúvidas, cujas respostas certamente poderão me ajudar a compreender melhor o movimento e evitar possiveis injustiças:
  1. Existe algum documento detalhando a história do MAB além do material disponível no site?
  2. Onde posso encontrar o estatuto de criação do MAB?
  3. Quantos integrantes o MAB possui?
  4. Qual a distribuição deles nas Unidades da Federação?
  5. Como o MAB é uma ["entidade", esqueci disso no original] autônoma, isso significa que o movimento não recebe, direta ou indiretamente, recursos públicos?
  6. Caso positivo, quais as fontes de recursos do MAB?
  7. Quem são os responsáveis legais pelo movimento?
  8. Qual o CNPJ do MAB?
Agradeço antecipadamente a atenção dispensada, e aguardo suas respostas.

Atenciosamente,

Davi de Souza Schweitzer

Eu admito que posso estar errado. E eles?
Bom, imagino que muitos dos meus leitores compartilhem as mesmas dúvidas. Outros, por sua parte, parecem ser mais esclarecidos que eu, como aqueles acima. Contudo, lembro do seguinte: eu ao menos considero a possibilidade que possa estar errado, e baseado nisso, peço que me forneçam os dados para provar que eu estou errado. Se eu estiver errado, aceito a correção. E me comprometo a publicar qualquer resposta que o MAB me envie aqui. 

Criminoso não deixa cartão
Sabem porque fiz tanta questão de perguntar quem eram os representantes legais do MAB? Porque é método do MAB e de seu irmão MST não designar nenhum responsável legal. Eles nem possuem CNPJ (provem que estou errado). Essa estratégia visa fugir da justiça. Da mesma forma que um ladrão rouba sua casa e não deixa nome, telefone nem endereço, MAB e MST invadem e depredam propriedade privada sem que a justiça possa responsabilizar um ou outro indivíduo. Os cabeças do movimento se escondem sob o manto da mentira ("com direção coletiva em todos os níveis", diz o site deles) para que não possam ser responsabilizados pelos crimes cometidos pela massa de desinformados que são enganados pelos dirigentes. Duvidam? Vejam a página intitulada "Quem somos" no site do MAB.

O MAB não reflete o sentimento da população
O MAB e seus entusiastas defendem que:
  • As barragens que fornecem eletricidade para a população são ruins;
  • As barragens que fornecem água para a população são ruins;
  • As barragens que irrigam a agricultura são ruins; e
  • A matriz energética nacional está errada.
Enquanto o MAB defende mais energias limpas e renováveis, qualquer um com boa vontade pode pesquisar e ver que, em comparação com outros países, nossa matriz energética é uma das mais limpas e com a maior participação de energias renováveis do mundo.
Eles mentem descaradamente. Mas o que esperar de pessoas que não tem sequer a decência de assumir seus atos?
Minha sugestão: perguntem ao MAB por que eles não respondem a essas perguntas. Os emails de contato do site deles são  mab@mabnacional.org.br e imprensa@mabnacional.org.br. Quem sabe se for outra pessoa perguntando eles respondam. 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Terra pra quem trabalha

Em 28/03/2000, o deputado Almir Sá, de Roraima, apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000. Somente agora, 12 anos depois, ela foi apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A CCJ, por sinal, aprovou a PEC. Para quem não sabe do que se trata, a PEC 215/2000 tira do executivo a prerrogativa de demarcar Terras Indígenas e a transfere para o Congresso. Apensa a esta PEC, há outras duas, a  161/2007 e 291/2008, que também transferem ao Congresso a demarcação de Unidades de Conservação e áreas de quilombolas. 
Adivinhem quem votou contra? Anthony Garotinho e Sarney Filho. A princípio, se Sarney Filho e Garotinho são contra alguma coisa, eu já tendo a achar que aquilo é inerentemente bom. Nesse caso, após ler o conteúdo da PEC (disponível aqui), minha opinião é que ela não é boa. É ótima! É necessária. 
Contudo, os indígenas e ambientalistas não gostaram dela. Vejam abaixo trechos de uma notícia que saiu no G1.
Sob protestos de indígenas, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (21) Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira do Executivo a autonomia para demarcar terras indígenas, de quilombolas e zonas de conservação ambiental.
Pelo texto, caberá ao Congresso Nacional aprovar proposta de demarcação enviada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A PEC agora será apreciada por uma comissão especial antes de ir à votação no plenário da Casa.
Atualmente, o Ministério da Justiça edita decretos de demarcação a partir de estudos feitos pela Funai, segundo o 1º vice-presidente da CCJ, Alessandro Molon (PT-RJ). Para o deputado, a proposta aprovada na comissão é inconstitucional e viola o direito dos índios e quilombolas. "O texto viola a separação de poderes. É uma tentativa de tirar do Executivo uma atribuição que é dele. Também viola garantias e direitos fundamentais".
Para Alessandro Molon, a aprovação da PEC demonstra a "força" da bancada ruralista no Congresso, que também pressiona pela votação do projeto que modifica o Código Florestal. "É uma demonstração de força da bancada ruralista. Depois do Código Florestal, essa é a nova fronteira dos ruralistas", afirmou.
Comento
A rigor, a demarcação de Terras Indígenas, assim como de Unidades de Conservação, acontece por um ato do executivo. Já vi a criação de Unidades de Conservação (UCs) que foram feitas com estudos mambembes por pura e simples pressão das ONGs. Isso sem contar a criação de UCs por encomenda, só para inviabilizar empreendimentos. Na prática, a demarcação de TIs e UCs não possui critérios objetivos. No caso das TIs, já vi exemplos de famílias que ocupavam e plantavam em uma propriedade há mais de 100 anos serem expulsas porque a FUNAI resolveu criar uma TI para abrigar índios que vieram do Paraguai. É o samba do antropólogo doido. Com a aprovação da PEC 215, todas as demarcações deverão ser revistas. E isso também é bom.
Porém, a questão fundamental pela qual acho a PEC 215 certíssima e necessária é que a decisão de criar uma TI ou UC não deve ser tomada nos corredores da burocracia estatal. Ela deve ser debatida com a sociedade. E o foro para isso é o Legislativo. Quem é contra isso quer concentrar poder, como é o caso do deputado Alessandro Molon. 
Outro ponto importante é que esta PEC já demorou para ser aprovada. Lembram-se que ela foi apresentada em 2000? Se ela tivesse sido apreciada antes, vários descalabros poderiam ter sido evitados, como o emblemático caso de Raposa Serra do Sol. Um país com 1961 Unidades de Conservação e 594 Terras Indígenas precisa discutir se esse é de fato o uso que a população quer dar ao território. Porém, os ambientalistas e indigenistas de miolo-Molon querem poder decidir quem é desapropriado na sala do cafezinho da FUNAI ou do ICMBio. UCs e TIs não geram riqueza para o país, restringem a atividade econômica, retiram produtores de suas terras e criam áreas onde a República e suas leis tem pouca ou nenhuma influência, como é o caso das TIs.
E antes que algum comentarista irado venha aqui dizer que eu não entendo nada disso, já estive tanto em UCs quanto em Terras Indígenas. Nas UCs, o que vi foi falta de planos de manejo, nada de regularização fundiária, fiscalização débil (quando existe) e um monte de gente proibida de produzir para... nada. Nas TIs, minha experiência reflete o sentimento de grande parte da população brasileira: retira-se pessoas que produzem para entregá-las a índigenas que ficam o dia todo fazendo coisa nenhuma, que não plantam um pé de mandioca e vivem mamando nas tetas do Estado. Não gosta da minha opinião? Mostre que a maioria das 1961 UCs e 594 TIs são diferentes do que eu vi.
A PEC 215 resolve a questão das TIs e UCs? Na minha opinião, ainda não. Mas é um bom começo. Quem sabe podemos devolver o território brasileiro para quem trabalha pelo país.

domingo, 25 de março de 2012

Greenpeace no país dos outros é refresco

Vi uma notícia no G1 que sou obrigado a comentar de forma mais detalhada, até porque envolve o Greenpeace, uma das maiores fontes de baboseiras faladas sobre meio ambiente nas últimas décadas. Tomem um plasil e vejam a notícia (em itálico). 
O Greenpeace lançou na manhã desta quinta-feira (22), em Manaus (AM), uma campanha para que o governo crie uma lei com a proposta de zerar a taxa de desmatamento no Brasil.
"Desmatamento zero"?? Só pode ser coisa boa. Até me interessei. Vamos esperar pra ver do que se trata.
O evento aconteceu a bordo do navio Rainbow Warrior (Guerreiro do arco-íris, na tradução do inglês), que está atracado no Porto de Manaus, e contou com a presença do diretor-executivo mundial da organização ambiental, Kumi Naidoo.
Legal, eles trouxeram um dos manda-chuvas pra apresentar o projeto. 
De acordo com o Greenpeace, o objetivo é coletar assinaturas para levar ao Congresso Nacional a proposta de criação da lei, por meio da iniciativa popular, que reduza do desflorestamento no país, principalmente na Amazônia.
Segundo a ONG, que se juntou a outras instituições ambientais e sociais, ao menos 1,4 milhão de assinaturas serão coletadas pelo país e haverá a veiculação de vídeos sobre o tema estrelados por atores como Marcos Palmeira e Camila Pitanga.
Além de ambientalistas, eles são videntes. Ou há algum erro de reportagem ou o Greenpeace já sabe quantas assinaturas irá conseguir.
E o que falar sobre a campanha estrelada por Marcos Palmeira e Camila Pitanga? Tem gente que não aprende. Depois de participarem daquela bobagem do Gota d'Água, como se superar? Só estrelando um vídeo para o Greenpeace.
O lançamento da campanha nacional em Manaus coincide com o início do Fórum Mundial de Sustentabilidade, que segue até o próximo sábado. "As razões para lançarmos a campanha em Manaus foram muitas: a cidade está no coração da Amazônia [...] e estaremos aqui até termos certeza de que a Amazônia está definitivamente protegida para o bem de todas as gerações", disse.
Ele comentou que a presença de líderes empresariais durante o encontro é importante para que a mensagem de combate ao desmatamento seja melhor propagada. "A mensagem que eu levaria para eles é que o Brasil quer um futuro sem destruição das florestas e essa realidade começa com a lei do Desmatamento Zero".
"O Brasil quer um futuro sem destruição das florestas". Pelos últimos comentários no blog aparentemente eu sou um desmatador-capitalista-desavergonhado, mas tenho amigos conheço ambientalistas, e consultei-os hoje pela internet. Todos me disseram que podem pensar por si mesmos (duvido) e que não precisam que um sul-africano os defenda. Quem diria? Até o ambientalismo tem seus feudos.  
Economia verde e Código Florestal
Em entrevista ao G1, Kumi Naidoo afirmou que o país não precisa desmatar as florestas para se desenvolver. "O Brasil é hoje a sexta maior economia do mundo. Ele se tornou a sexta maior economia vendo uma queda no desflorestamento. Isto é uma prova de que não é preciso destruir florestas para continuar sendo forte no cenário internacional. No entanto, este país ainda é o segundo maior desmatador, depois da Indonésia".
Enquanto Naidoo está passeando no seu Rainbow (ui!) Warrior, os amazônidas e produtores rurais do país estão produzindo para que o Brasil se desenvolva. O Brasil é o segundo maior desmatador? Que tal medir qual o percentual de áreas florestais dos países? Lição de lógica gratuita: Não se desmata onde não há o que desmatar. Voltarei a esse ponto abaixo. 
Sobre o Código Florestal brasileiro, Naidoo ressaltou que as mudanças feitas são ultrapassadas. "As mudanças são todas sobre o passado: esquecer os crimes ambientais do passado e abertura de novas áreas de desflorestamento. É muito errado. A lei do Desmatamento Zero é uma iniciativa de pessoas juntas, relacionada ao futuro. A mensagem é clara: precisamos de leis para proteger a floresta e as gerações futuras", destacou.
Nossa mudança é ultrapassada? Eu também acho. Eu iria muito mais além na reforma do Código Florestal, abolindo a Reserva Legal. Enquanto os "ultrapassados daqui tem que preservar a floresta para as gerações futuras, na terra natal de Naidoo agricultura é bonito.  
Na cerimônia, a vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Sônia Guajajara, ressaltou que o Brasil vive um momento de retrocesso.
"Ontem foi aprovada a PEC 215/00, que trata da demarcação de terras indígenas, na Comissão de Constituição e Justiça, na Câmara dos Deputados. Índio sem terra não é nada, ele não existe. Queremos território, queremos biodiversidade. Esta aprovação representa somente os interesses de uma classe econômica que só pensa no capitalismo. Não podemos permitir isto", afirmou.
Escreverei um texto específico sobre isso, mas imagino que entre os três neurônios da dona Sônia, dois acham que se ela decidisse a demarcação das terras indígenas o país seria melhor. Ao menos para ela. 
De acordo com o procurador-geral da República no Pará, Felício Pontes Júnior, a lei de iniciativa popular é importante por medir o que a sociedade brasileira espera para o futuro do país.
"Nós, brasileiros, conseguimos desmatar cerca de 20% da Amazônia nos últimos anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Amazônia é menor que a media nacional e é, por si só, uma vergonha. Vivemos em um modelo de desenvolvimento predatório. Este é um grande teste de maturidade do povo brasileiro", disse.
Teste de maturidade é encarar um desafio como os amazônidas enfrentaram quando ocuparam aquela porção do território que o procurador quer que vire improdutiva. E os amazônidas passaram no teste. Já esse procurador escreveu e falou tanta bobagem sobre meio ambiente que cheguei ao ponto de (infelizmente) lembrar o nome dele sem pesquisar. E o que ele fala? Que brasileiros desmataram "20% da amazônia nos últimos anos". Quantos anos, procurador? E quais os motivos que levaram essas pessoas a desmatar? Eles o fizeram só porque são "maus" como o vírus da gripe? Ou porque o Estado do qual você é procurador, na época em que a maioria da ocupação da amazônia aconteceu, estimulou as pessoas a ocuparem aquele território? Como disse o Selso Costa, "O IDH da Amazônia é baixo justamente por que, além de haver pouca gente e ser longe dos mercados consumidores, lá há mais mato do que agricultura, pois mato por mato não gera riqueza nenhuma, ou o senhor procurador compra 'mato' na prateleira do supermercado??"
O procurador deve plantar cebolinha na sacada do seu apartamento e achar que é moleza pegar um terreno inóspito - e não se enganem, a natureza é inóspita - no meio do nada e começar a criar seus orgânicos sem nenhum dano ao meio ambiente. Os amazônidas não estão em suas terras por acidente, e não estão esperando por suas benesses, procurador. E ainda bem que não o fazem, pois pelo visto, morreriam de fome. 

Peraí! Desmatamento Zero?
Eu não sei quais os termos dessa proposta de lei que o Greenpeace quer apresentar para o bem do povo brasileiro, mas sempre desconfio de quem tem intenções muito nobres com explicações muito vagas. Desmatamento Zero? Ora, qualquer um que tenha estudado história, geografia, sociologia ou que tenha alguns neurônios sabe que não existe desmatamento zero. Odeio ter que falar o óbvio, mas a humanidade depende de produtos florestais. Por meio da ciência, e não do ativismo, desenvolvemos técnicas para produzir mais madeira em menos espaço, e assim prover a sociedade com os insumos que ela precisa. Eu não ajudei para que isso acontecesse, nem Naidoo. Mas eu não sou contra minha mesa de madeira de reflorestamento. 

E em Naidooland?
Se, conforme o que Naidoo fala, somos o segundo maior desmatador do planeta, isso não seria possível sem que tivéssemos uma das maiores áreas florestadas do planeta. Mas como falei em outro texto (link aqui), a cartilha que eles pregam para nós não se aplica ao que eles fazem. Vejam abaixo uma imagem que salvei do Google Earth. 
Lá no país do diretor-executivo do Greenpeace é assim. Por quê ele não propõe "desmatamento zero" lá?
Essa imagem acima é da África do Sul, país famoso por sua luta contra o domínio estrangeiro. É de lá que Naidoo vem para nos ensinar como devemos cuidar de nossas florestas. Ora, ele fala que nós viramos a sexta maior economia do mundo com uma diminuição do desmatamento? A grande pegadinha está em achar que a legislação ambiental ajudou a nos tornarmos uma economia forte. Nós viramos uma economia relativamente pujante não por causa da legislação ambiental, mas apesar da legislação ambiental, que é ultrapassada, com critérios arbitrários, sem embasamento científico e totalmente alheia a princípios individuais básicos, como o da propriedade.
É fácil propor desmatamento zero em um país onde praticamente toda a terra arável já está sendo utilizada, como no país natal de Naidoo. Mas se nos demos relativamente bem até agora, por qual motivo não poderíamos continuar a crescer sem desmatar, pergunta Kumi Naidoo? Desmatamos, espertão, porque temos o que desmatar (enquanto vocês já desmataram tudo), porque as pessoas precisam de um lar, de comida, de madeira, de conforto. Em suma, as pessoas precisam de uma vida digna. O que elas não precisam é do seu proselitismo hipócrita.
É moleza falar isso de dentro de seu barco, mas vá dizer isso para um cidadão que se mudou para a amazônia estimulado pelo governo, e que precisa de mais alguns hectares de pasto porque a família aumentou. Enquanto Kumi Naidoo está passeando no barquinho do arco-íris, o amazônida está de enxada na mão. São duas realidades. Enquanto o Greenpeace quer que o produtor morra de fome, ninguém diz para Naidoo e os manés do Greenpeace como eles devem viver suas vidas.
Então digo eu: voltem pra casa e resolvam seus próprios problemas.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Lá fora é bonito... e não é de hoje.

O mais recente post do blog fez um sucesso tremendo. Em número de visitas nas primeiras de 24hs, só perde para o que fala das mentiradas das campanhas sobre Belo Monte no Facebook, e ainda pode ultrapassá-lo. O Selso Costa, do Verde Rural, já havia feito um post parecido, só que sobre a California, utilizando imagens de satélite. E isso, em 2010, quando esse blog nem existia. 
Sugiro tanto aos que gostaram, e especialmente aos que não gostaram de ver como as APPs são em outros lugares do mundo que vejam o post do Selso. Quem sabe assim finalmente entenderão que as cartilhas dos ecochatos de lá são feita para enganar trouxas. No caso, os ecochatos daqui.

Lá fora é bonito, aqui é proibido

Já faz algum tempo que vi no site da Exame uma matéria sobre "Os 10 países mais verdes do mundo". Na época, achei engraçadinho, mas estava escrevendo outros textos então deixei essa notícia para depois. Bom, o resumo da ópera é o seguinte: as universidades de Yale e Columbia bolaram um "Índice de Performance Ambiental", e o utilizaram para eleger os 10 países mais verdes. Os resultados seguem abaixo:
  1. Suíça;
  2. Letônia;
  3. Noruega;
  4. Luxemburgo;
  5. Costa Rica;
  6. França;
  7. Áustria;
  8. Itália;
  9. Reino Unido e Suécia (empatados em 9º).
Achei a matéria da Exame bem ilustrada, com uma foto para cada país, sempre fotos muito bonitas. Porém notei algo estranho. Se os mesmos lugares retratados fossem no Brasil, acho que não seriam exemplo de "país verde". Vejam abaixo:

Paisagem da Áustria: Cadê os 20% de Reserva Legal em cada propriedade? E aquele topo de morro sem APP?
 
Letônia: Cadê os 30 metros de APP na beira do rio?
Noruega: Se fosse aqui, alguém já diria que "os ricos estão destruindo a natureza".
Itália: Ah um IBAMA por lá, hein?






Mais uma da Áustria: Eu queria um Ministério Público lá pedindo pra derrubar todos os prédios, destruir o molhe e demolir aquele castelo no topo do morro.

E o Brasil?
Sabem em que posição o Brasil ficou? 30º. Os resultados estão disponíveis nesse link
Eu queria que eles fizessem um novo índice, algo como "Índice de leis ambientais absurdas". Nesse o Brasil sairia ganhando disparado. Já viram quantas leis ambientais existem no país? Se aplicassem nossas leis ambientais por lá, garanto que nenhuma dessas fotos existiria, ou estariam sendo utilizadas como prova pelos IBAMAs e Ministérios Públicos de lá para processar os proprietários. E isso, não se enganem, é parte significante do nosso atraso em relação a eles. Não sou especialista em direito, mas quem sabe algum leitor mais esclarecido pode me dizer se nesses países há algum equivalente a nossas APPs ou o que acho a maior aberração jurídica, a Reserva Legal. Até onde sei, nesses países, se o Estado quer conservar algo para todos, ele paga por isso, com o dinheiro de todos.
Como já falei antes, somos a vanguarda do atraso. Aqui, o Estado decide que vai proteger algo para todos, na SUA propriedade, e caso você não concorde com isso, adivinha quem é o responsável? Você! Eles retiram parte significativa da SUA propriedade para todos, mas você não ganha nada por isso. Ao contrário, se você não devotar seu tempo para fazer tudo como o Estado determina, você pode pagar por isso, ou mesmo perder sua liberdade. 
Essa é a democracia que os ambientalistas de Alphaville, eleitores da Marina e ongueiros que nunca plantaram um pé de mandioca defendem: o produtor rural preserva por sua própria conta (e prejuízo), é uma das categorias mais desvalorizadas do país,  fornece uma das comidas mais baratas do mundo, e ainda é culpado pelos males do país. Com o apoio das ONGs européias, que acham bonito preservar aqui, mas gostam de plantar por lá.
Minha sugestão aos ecochatos: da próxima vez que forem à Europa, façam como fez a senadora e presidente da CNA, Kátia Abreu, e defendam que todos aqueles palpiteiros de lá adotem os mesmos critérios de nossa legislação ambiental. Outra alternativa seria que começassem a pensar em como melhorar nossa legislação. Mas a melhor de todas as alternativas para o Brasil é que nossos ambientalistas de miolo mole, na próxima visita a esses "países verdes", ficassem por lá. Será o maior dever cívico que farão pelo país.

domingo, 18 de março de 2012

Mais uma do ambientalismo melancia

Um amigo compartilhou no Facebook uma notícia da Carta Capital. O título? "RJ: Milionários destroem mata nativa com mansões". Então vi que o texto original é da Bloomberg (link aqui), e foi escrito por Adriana Brasileiro. É sério, o sobrenome dela é este, e ela escreve no Brasil. E o título original é ainda pior: "Ricos do Brasil não tem vergonha em construir casas em áreas de preservação natural" (tradução minha). 
O resumo da ópera é esse: milhares de cliques para dizer que alguns ricaços construíram casas em APPs. Como sempre, a justificativa para que consigam fazer isso é que eles são ricos e possuem bons advogados. 
Obviamente sou contra a ocupação de áreas protegidas pela legislação, porém sou a favor da isonomia. Minhas sugestão para a Bloomberg: faça uma série de reportagens sobre áreas ilegalmente ocupadas. Abaixo, sugiro alguns dos próximos textos (podem copiar, não me importo):
  • Pobres brasileiros constróem barracos em áreas de preservação natural;
  • Organizações criminosas se instalam em áreas ocupadas ilegalmente;
  • Agricultores brasileiros plantam em áreas de preservação: 'preciso disso pra viver', diz desavergonhado.
Como falei, sou contra que se ocupem ilegalmente áreas protegidas, e acho que é necessário que a legislação mude. Mas tratar do assunto como se somente os ricos desrespeitassem as leis é mostrar só parte da questão. E nesse caso, omitir é mentir.
Isso é clássico do ambientalismo melancia - verde por fora e vermelho por dentro - usar o ambiente como meio para luta de classes. Quando um rico ocupa uma APP é um escândalo. Quando um pobre faz um barraco no mesmo morro, é culpa da "desigualdade social". Para mim, bandido é bandido independente do saldo da conta.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Balanço da Jornada do MAB contra as barragens

Sobre a tal  "Jornada Nacional de Lutas" do MAB, não há muito o que falar, exceto o diagnóstico que já fiz antes: esse movimento está se acabando, definhando perante a constatação de sua própria inutilidade. 
Vamos fazer um balanço de quem notou a movimentação do MAB nesses últimos dias:
  • Os trabalhadores de Eletrobrás, Furnas, CHESF, Eletrosul, e outras empresas invadidas, que tiveram seus locais de trabalho invadidos por um bando de desocupados;
  • O pessoal da engenharia da UHE Garibaldi, que teve seu prédio incendiado;
  • Meia dúzia de jornalistas simpáticos ao movimento;
  • Os membros do MAB;
  • Eu e meus leitores; e claro, sem esquecê-los
  • Os donos dos botecos perto da Eletrosul.
Vendo as notícias dos grandes portais, só há uma constatação a se fazer: Só se falou em outra coisa!

O milagre da multiplicação de atingidos

Em 2009 escrevi um artigo que questionava os números de atingidos por barragens divulgados pelo MAB. Na época, as estimativas deles já estavam em 1 milhão de atingidos. Achei aquele número muito alto, e tinha uma grande dúvida: de onde saíu aquele número? Perdi aquele arquivo, então fui atrás de tudo novamente hoje.
O que encontrei foi um crescimento gigante do número de atingidos. Se em 2009 eles estimavam o número de atingidos em "mais de um milhão" (link aqui), agora em 2012 o número de atingidos já foi para 1,5 milhão de atingidos. É espantoso!
Eu proponho um desafio ao MAB: apresente a fonte de seus números. De onde eles vieram com essa maluquice de 1,5 milhão de atingidos? Nem me dignei a pesquisar nas bases de dados do IBGE, mas imagino que o crescimento de atingidos por barragens é muito maior que o crescimento da população do país como um todo. Tenho algumas hipóteses para explicar esse fenômeno:
  • A condição de "atingido por barragem" é hereditária, e eles se reproduzem como coelhos;
  • Foram feitas muito mais barragens que noticiado pela imprensa, pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e se você não viu é porque você é um pelego a serviço do grande vilão, o capital;
  •  "Atingido por barragem" é qualquer um que passou por uma ponte sobre um reservatório;
  • O MAB mente.
Cá entre nós, ou o MAB mente ou ele inventou novos métodos estatísticos que infelizmente escolheu não compartilhar com o resto da população. 50% de crescimento! Quem dera eles compartilhassem essa fórmula com meu gerente do banco.
Já pensei em outra hipótese para complementar aquelas acima: "atingido por barragem" é qualquer um que viu uma foto de barragem. Deve ser isso.

Se você está lendo isso, você viu a foto de uma barragem.
Agora que você chegou até aqui no texto e já viu a foto acima, decida: ou ver a foto de uma hidrelétrica o qualifica como "atingido por barragem" ou os números do MAB são mentirosos. Qual parece a hipótese mais provável?

quarta-feira, 14 de março de 2012

MAB decepciona (como sempre)

Pelo agito todo que fizeram nos últimos dias, imaginei que o tal "Dia Internacional de luta contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida" seria mais agitado. Porém, acho que os eventos só foram significativos nos locais ocupados, e a situação ficou quente mesmo na UHE Garibaldi, com um incêncio que muito coincidentemente aconteceu após a chegada do MAB. Eu esperava mais. Pelo menos algum novo pseudo-argumento contra barragens, alguma novidade pra tornar minha escrita mais divertida, e nada.
Sabem o que acho? Que esses movimentos só prosperam e resistem porque existe uma parcela do jornalismo e da política que adora um pobre-coitado pra chamar de seu. E obviamente, para usá-los como massa de manobra. E os otários aqui, que pagam seus impostos, financiam essa porcaria toda. E como eles usam o nosso dinheiro? Alugando ônibus para levar essa massa pra lá e pra cá, confeccionando faixas, comprando barracas novinhas em folha pra esse pessoal acampar e fazer baderna.
Se vocês verem a galeria de fotos do MAB, além daquelas fotos normais de um monte de desocupados carregando faixas, podem ver o que falei acima: barracas novinhas, ônibus com ar condicionado, e aparentemente até um fotógrafo oficial. Não sou contra ônibus com ar condicionado, na verdade adoro ar condicionado, e tenho um baita orgulho de trabalhar no setor elétrico toda vez que ligo o meu. Mas o meu foi pago com meu trabalho. E os do MAB? De onde vem o dinheiro para pagar por isso? Outro ponto legal que vi na galeria do MAB foram as câmeras que eles usam. As fotos da invasão da Eletrobrás, por exemplo, foram feitas com uma Sony DSLR A580, uma câmera que eu nunca vi nem conheço ninguém que tenha uma parecida. Afinal, ela custa, segundo o que vi no Mercado Livre, quase 4 mil reais (veja você mesmo)! Quando a câmera que eles usam pra bater as fotos das badernas custa mais que muitos agricultores ganham em seis meses, algo me parece errado.
MAB, MST, a exemplo das ONGs, deveriam apresentar suas fontes de renda, ter seus balanços auditados. Se o governo dá o nosso dinheiro para eles, merecemos saber. Afinal, quem ganha com a existência do MAB e com essas ações criminosas deles? Como meu escritório fica perto da Eletrosul, passei por lá para ver o movimento. Nada demais. A única mudança significativa que vi foi um aumento do movimento nos botecos da região.
Pelo menos alguém se beneficiou com isso.

P.S.: Queria ter algo mais polêmico ou interessante para escrever, mas com uma oposição desse baixo nível intelectual, ficou difícil.

Ainda há juízes em Abdon Batista

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se vangloria de invadir propriedade privada nas suas "ocupações" protestando contra isso ou aquilo. Para eles, isso é uma vitória, algo que deve ser colocado em evidência. E não achem que estou falando isso por minhas opiniões. Fui ao site do MAB, onde vi essa notícia sobre a ocupação do canteiro de obras da UHE Garibaldi, no município de Abdon Batista, em Santa Catarina.

Essas coincidências...
Segundo o MAB e seus papagaios na imprensa, 500 pessoas ocuparam o canteiro de obras da UHE Garibaldi. E vejam que coincidência: segundo o Diário Catarinense, ocorreu um incêndio no canteiro de obras na mesma madrugada em que os "manifestantes" do MAB "ocuparam" a obra. 

Coincidência? Onde fui criado isso tinha outro nome, (Fonte: DC)

Um profissional que trabalhe com hidrologia (do tipo que trabalha pra hidrelétricas) detêm algum domínio dos conceitos de probabilidade, porém qualquer cidadão, baseado no senso comum, pode supor que há alguma coincidência entre a chegada do MAB e o incêndio. Por sorte, o conceito de propriedade privada ainda possui algum valor no Brasil, e no judiciário ainda temos juízes que lembram da Constituição. 

Respeitem a Constituição
A juíza Mônica Grisólia de Oliveira determinou que a UHE Garibaldi deve ser desocupada. Ou seja, mesmo que naquele município não exista qualquer vara da justiça, ainda há juízes em Abdon Batista. A lei vale para todos. E essa é a mensagem que deve ser passada para MAB, MST, Movimento-qualquer-coisa, ou o raio que os parta. Vocês podem protestar contra quem ou o que quiserem, mas as leis valem - ou deveriam valer - para todos, da mesma forma. Independente, como fala a Constituição, de "origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Ou minhas noções de direito estão erradas ou nossa carta magna não garante o direito de cometer crimes quando nos julgamos injustiçados. Para lidar com aqueles que não concordam ou não conseguem conviver com as regras estabelecidas, foram criadas  ferramentas e mecanismos, entre eles a polícia e a prisão. 
Aprendam a conviver com a democracia.  Em um Estado democrático e de direito, qualquer parte pode procurar a justiça caso sinta-se lesada por outrem. Ou isso, ou meus conceitos de direito estão totalmente errados. Proponham quaisquer mudanças que acharem necessárias, mas não atentem contra o regime (democrático) que lhes proporciona a possibilidade de mudar as regras. A juíza Mônica Grisólia de Oliveira já lhes deu uma lição. Aprendam com ela, antes que outros sejam menos lenientes e usem os mecanismos que a sociedade criou para protegê-la de pessoas que não respeitam a lei: a cadeia. E não culpo aquela massa de manobra que lá está "ocupando" a usina. Imagino que sejam trabalhadores - na melhor das hipóteses - enganados por gente que lhes roubou o pensamento próprio, substituindo-o por uma noção tupiniquim (e burra) da luta de classes. 

Más influências
Dizem que as prisões são criadouros de bandidos. No caso de encarcerar os líderes do MAB, minha maior dúvida é: eles sairão piores que entraram, ou convencerão o ladrão de galinhas que o melhor mesmo é formar uma organização criminosa com um véu de "justiça social"? Temo que seja a segunda opção. Se prenderem os líderes de MAB, MST e afins, imagino que logo teremos um Movimento dos Presidiários Sem TV a Cabo.

E a imprensa nisso?
Como acontece em outros casos, a exemplo dos press-releases das ONGs ambientalistas, MAB e MST também possuem uma claque de jornalistas simpáticos a suas "causas". E são  eles que fornecem a publicidade necessária para esses movimentos se manterem. De outra forma, já teriam definhado e sumido. Eles podem ocupar usinas, mas a ocupação que realmente importa é a das notícias. Quem dera um dia ocupassem o banco dos réus por suas ações criminosas.



P.S.: Para saber um pouco mais sobre a expressão que originou o título do post, "Ainda há juízes em Berlin", leiam esse link.

Aviso: O dia mais divertido do ano

Alguns dos meus leitores devem saber que hoje é o "Dia Internacional de luta contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida". Para mim, que trabalho com recursos hídricos e meio ambiente - com um foco bem claro e declarado em geração de energia - esse dia é como um 1º de abril particular. Tantas mentiras são ditas de tantas formas diferentes que a diversão é descobrir de que forma estão tentando nos enganar.
Fiquem ligados, hoje o dia promete.

terça-feira, 13 de março de 2012

E quem defende os humanos?

Fiquei sem publicar algo por um tempo, o que gerou algumas reclamações de um terço da minha meia dúzia de leitores. Esse hiato se deu em parte pela carga de trabalho, que está alta, e uma constatação: não há muito o que comentar nas notícias que saíram recentemente. Não que faltem novidades relacionadas à questão ambiental, mas o problema é que não quero ser repetitivo. Quase todas as notícias tratam da mesma coisa: alguém (geralmente a ONU) está dizendo que algo que fazemos está errado, e que o mundo vai acabar.
Não sei se é a proximidade da Rio+20, falta de proteína animal ou consumo excessivo daquela erva que o ex-ministro de meio ambiente gosta, mas os ambientalistas estão repetindo as mesmas notícias. Vejam alguns exemplos de notícias que separei nesse tempo que fiquei sem publicar:
O que todas elas possuem em comum? Todas são pautadas pelo discurso ambientalista. Caso tenham estômago para lê-las, me respondam: o que elas são, além de mais e mais variações dos mesmos mantras ambientalistas? 
  • "O homem está acabando com o planeta"
  • "Temos um problema de superpopulação"
  • "Precisamos mudar nossos hábitos ou o acabaremos com o ambiente"
  • "O aquecimento global [antropogênico, claro] está mudando tudo"
Fica uma dica pra algum historiador ou jornalista que queira fazer uma pesquisa interessante: vejam com que frequência essas notícias se repetem. Parece-me que periodicamente as mesmas notícias aparecem. Só isso já seria um trabalho de pesquisa razoável. Se quiserem se aprofundar, podem fazer também uma análise do discurso, e atestar um fenômeno que ao menos lá fora já foi em grande parte explicado (vide post sobre livros recomendados): a falta de conteúdo do discurso ambientalista. Citando do The Greening: "Environmentalism is a mile wide and an inch deep."
Eu até entendo que os grandes jornais e portais não publiquem nada muito crítico aos ambientalistas. Normalmente suas editorias de "Ambiente" só possuem dois tipos de notícias: aquelas culpando os humanos de qualquer coisa que os ambientalistas digam que acontece, e as histórias de bichinhos. Por exemplo, eu abri a página do "G1 Natureza" alguns minutos atrás e o que vi? Uma história sobre golfinhos encalhados, outra sobre uma perereca imune a fungos (até achei legal), uma sobre a apreensão de répteis, e uma notícia incrivelmente importante sobre a transmissão ao vivo pela internet do nascimento de um condor. Na parte de baixo da página, uma história inteira com fotos sobre os ursos polares do zoológico de Moscou brincando na neve. Como uma amiga diz, é a "mastofauna carismática". Eu não entendo muito de jornalismo, e imagino que os editores saibam qual seu público e o que ele deseja ler, como as fotos dos ursinhos polares. Mas e nas matérias que se querem "científicas", ou mesmo nos artigos de opinião, custava ter alguém que não seja ambientalista "desde criancinha" escrevendo ao menos um contraponto? 
Não sei se é uma quimera quixotesca, mas imaginei que o cidadão comum - membro da raça humana - fosse se cansar de ser culpado por tudo que os ambientalistas dizem que acontece ao planeta. Você usa energia elétrica? Bandido! Carrega suas compras em sacolas plásticas? Irreponsável! Come carne? Assassino! Vai para o trabalho de carro? Burguês! Defende a comida barata que o agronegócio produz? Herege! Um dia, imaginei que a população se cansaria de ser tratada como o "câncer do planeta", como muitos ambientalistas se referem aos humanos. 
E sabem o que é mais estranho? Não pareço estar sozinho nisso. Não raro recebo uma ou outra mensagem ou converso com pessoas que também estão de saco cheio de todo esse papo ambientalista. E mesmo aqueles ambientalistas que ainda não perderam todas as faculdades mentais conseguem entender que ser contra o ambientalismo não é ser contra o ambiente. Porém, quando eu falo que sou contra o ambientalismo parece que sou a favor da paralisia infantil. Esse é um pensamento equestre.  
Essa dicotomia que eles pregam, "nós" contra "eles", é falsa! Ser contra o ambientalismo não é ser contra o ambiente, não é ser contra o oxigênio, a água, os animais e plantas. Ser contrário ao ambientalismo é combater uma doutrina que, no fundo, é contra o ser humano. Precisamos defender os humanos, mesmo contra aqueles que, pela qualidade das idéias, nunca deveriam ter descido das árvores.