terça-feira, 13 de março de 2012

E quem defende os humanos?

Fiquei sem publicar algo por um tempo, o que gerou algumas reclamações de um terço da minha meia dúzia de leitores. Esse hiato se deu em parte pela carga de trabalho, que está alta, e uma constatação: não há muito o que comentar nas notícias que saíram recentemente. Não que faltem novidades relacionadas à questão ambiental, mas o problema é que não quero ser repetitivo. Quase todas as notícias tratam da mesma coisa: alguém (geralmente a ONU) está dizendo que algo que fazemos está errado, e que o mundo vai acabar.
Não sei se é a proximidade da Rio+20, falta de proteína animal ou consumo excessivo daquela erva que o ex-ministro de meio ambiente gosta, mas os ambientalistas estão repetindo as mesmas notícias. Vejam alguns exemplos de notícias que separei nesse tempo que fiquei sem publicar:
O que todas elas possuem em comum? Todas são pautadas pelo discurso ambientalista. Caso tenham estômago para lê-las, me respondam: o que elas são, além de mais e mais variações dos mesmos mantras ambientalistas? 
  • "O homem está acabando com o planeta"
  • "Temos um problema de superpopulação"
  • "Precisamos mudar nossos hábitos ou o acabaremos com o ambiente"
  • "O aquecimento global [antropogênico, claro] está mudando tudo"
Fica uma dica pra algum historiador ou jornalista que queira fazer uma pesquisa interessante: vejam com que frequência essas notícias se repetem. Parece-me que periodicamente as mesmas notícias aparecem. Só isso já seria um trabalho de pesquisa razoável. Se quiserem se aprofundar, podem fazer também uma análise do discurso, e atestar um fenômeno que ao menos lá fora já foi em grande parte explicado (vide post sobre livros recomendados): a falta de conteúdo do discurso ambientalista. Citando do The Greening: "Environmentalism is a mile wide and an inch deep."
Eu até entendo que os grandes jornais e portais não publiquem nada muito crítico aos ambientalistas. Normalmente suas editorias de "Ambiente" só possuem dois tipos de notícias: aquelas culpando os humanos de qualquer coisa que os ambientalistas digam que acontece, e as histórias de bichinhos. Por exemplo, eu abri a página do "G1 Natureza" alguns minutos atrás e o que vi? Uma história sobre golfinhos encalhados, outra sobre uma perereca imune a fungos (até achei legal), uma sobre a apreensão de répteis, e uma notícia incrivelmente importante sobre a transmissão ao vivo pela internet do nascimento de um condor. Na parte de baixo da página, uma história inteira com fotos sobre os ursos polares do zoológico de Moscou brincando na neve. Como uma amiga diz, é a "mastofauna carismática". Eu não entendo muito de jornalismo, e imagino que os editores saibam qual seu público e o que ele deseja ler, como as fotos dos ursinhos polares. Mas e nas matérias que se querem "científicas", ou mesmo nos artigos de opinião, custava ter alguém que não seja ambientalista "desde criancinha" escrevendo ao menos um contraponto? 
Não sei se é uma quimera quixotesca, mas imaginei que o cidadão comum - membro da raça humana - fosse se cansar de ser culpado por tudo que os ambientalistas dizem que acontece ao planeta. Você usa energia elétrica? Bandido! Carrega suas compras em sacolas plásticas? Irreponsável! Come carne? Assassino! Vai para o trabalho de carro? Burguês! Defende a comida barata que o agronegócio produz? Herege! Um dia, imaginei que a população se cansaria de ser tratada como o "câncer do planeta", como muitos ambientalistas se referem aos humanos. 
E sabem o que é mais estranho? Não pareço estar sozinho nisso. Não raro recebo uma ou outra mensagem ou converso com pessoas que também estão de saco cheio de todo esse papo ambientalista. E mesmo aqueles ambientalistas que ainda não perderam todas as faculdades mentais conseguem entender que ser contra o ambientalismo não é ser contra o ambiente. Porém, quando eu falo que sou contra o ambientalismo parece que sou a favor da paralisia infantil. Esse é um pensamento equestre.  
Essa dicotomia que eles pregam, "nós" contra "eles", é falsa! Ser contra o ambientalismo não é ser contra o ambiente, não é ser contra o oxigênio, a água, os animais e plantas. Ser contrário ao ambientalismo é combater uma doutrina que, no fundo, é contra o ser humano. Precisamos defender os humanos, mesmo contra aqueles que, pela qualidade das idéias, nunca deveriam ter descido das árvores.

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