domingo, 25 de março de 2012

Greenpeace no país dos outros é refresco

Vi uma notícia no G1 que sou obrigado a comentar de forma mais detalhada, até porque envolve o Greenpeace, uma das maiores fontes de baboseiras faladas sobre meio ambiente nas últimas décadas. Tomem um plasil e vejam a notícia (em itálico). 
O Greenpeace lançou na manhã desta quinta-feira (22), em Manaus (AM), uma campanha para que o governo crie uma lei com a proposta de zerar a taxa de desmatamento no Brasil.
"Desmatamento zero"?? Só pode ser coisa boa. Até me interessei. Vamos esperar pra ver do que se trata.
O evento aconteceu a bordo do navio Rainbow Warrior (Guerreiro do arco-íris, na tradução do inglês), que está atracado no Porto de Manaus, e contou com a presença do diretor-executivo mundial da organização ambiental, Kumi Naidoo.
Legal, eles trouxeram um dos manda-chuvas pra apresentar o projeto. 
De acordo com o Greenpeace, o objetivo é coletar assinaturas para levar ao Congresso Nacional a proposta de criação da lei, por meio da iniciativa popular, que reduza do desflorestamento no país, principalmente na Amazônia.
Segundo a ONG, que se juntou a outras instituições ambientais e sociais, ao menos 1,4 milhão de assinaturas serão coletadas pelo país e haverá a veiculação de vídeos sobre o tema estrelados por atores como Marcos Palmeira e Camila Pitanga.
Além de ambientalistas, eles são videntes. Ou há algum erro de reportagem ou o Greenpeace já sabe quantas assinaturas irá conseguir.
E o que falar sobre a campanha estrelada por Marcos Palmeira e Camila Pitanga? Tem gente que não aprende. Depois de participarem daquela bobagem do Gota d'Água, como se superar? Só estrelando um vídeo para o Greenpeace.
O lançamento da campanha nacional em Manaus coincide com o início do Fórum Mundial de Sustentabilidade, que segue até o próximo sábado. "As razões para lançarmos a campanha em Manaus foram muitas: a cidade está no coração da Amazônia [...] e estaremos aqui até termos certeza de que a Amazônia está definitivamente protegida para o bem de todas as gerações", disse.
Ele comentou que a presença de líderes empresariais durante o encontro é importante para que a mensagem de combate ao desmatamento seja melhor propagada. "A mensagem que eu levaria para eles é que o Brasil quer um futuro sem destruição das florestas e essa realidade começa com a lei do Desmatamento Zero".
"O Brasil quer um futuro sem destruição das florestas". Pelos últimos comentários no blog aparentemente eu sou um desmatador-capitalista-desavergonhado, mas tenho amigos conheço ambientalistas, e consultei-os hoje pela internet. Todos me disseram que podem pensar por si mesmos (duvido) e que não precisam que um sul-africano os defenda. Quem diria? Até o ambientalismo tem seus feudos.  
Economia verde e Código Florestal
Em entrevista ao G1, Kumi Naidoo afirmou que o país não precisa desmatar as florestas para se desenvolver. "O Brasil é hoje a sexta maior economia do mundo. Ele se tornou a sexta maior economia vendo uma queda no desflorestamento. Isto é uma prova de que não é preciso destruir florestas para continuar sendo forte no cenário internacional. No entanto, este país ainda é o segundo maior desmatador, depois da Indonésia".
Enquanto Naidoo está passeando no seu Rainbow (ui!) Warrior, os amazônidas e produtores rurais do país estão produzindo para que o Brasil se desenvolva. O Brasil é o segundo maior desmatador? Que tal medir qual o percentual de áreas florestais dos países? Lição de lógica gratuita: Não se desmata onde não há o que desmatar. Voltarei a esse ponto abaixo. 
Sobre o Código Florestal brasileiro, Naidoo ressaltou que as mudanças feitas são ultrapassadas. "As mudanças são todas sobre o passado: esquecer os crimes ambientais do passado e abertura de novas áreas de desflorestamento. É muito errado. A lei do Desmatamento Zero é uma iniciativa de pessoas juntas, relacionada ao futuro. A mensagem é clara: precisamos de leis para proteger a floresta e as gerações futuras", destacou.
Nossa mudança é ultrapassada? Eu também acho. Eu iria muito mais além na reforma do Código Florestal, abolindo a Reserva Legal. Enquanto os "ultrapassados daqui tem que preservar a floresta para as gerações futuras, na terra natal de Naidoo agricultura é bonito.  
Na cerimônia, a vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Sônia Guajajara, ressaltou que o Brasil vive um momento de retrocesso.
"Ontem foi aprovada a PEC 215/00, que trata da demarcação de terras indígenas, na Comissão de Constituição e Justiça, na Câmara dos Deputados. Índio sem terra não é nada, ele não existe. Queremos território, queremos biodiversidade. Esta aprovação representa somente os interesses de uma classe econômica que só pensa no capitalismo. Não podemos permitir isto", afirmou.
Escreverei um texto específico sobre isso, mas imagino que entre os três neurônios da dona Sônia, dois acham que se ela decidisse a demarcação das terras indígenas o país seria melhor. Ao menos para ela. 
De acordo com o procurador-geral da República no Pará, Felício Pontes Júnior, a lei de iniciativa popular é importante por medir o que a sociedade brasileira espera para o futuro do país.
"Nós, brasileiros, conseguimos desmatar cerca de 20% da Amazônia nos últimos anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Amazônia é menor que a media nacional e é, por si só, uma vergonha. Vivemos em um modelo de desenvolvimento predatório. Este é um grande teste de maturidade do povo brasileiro", disse.
Teste de maturidade é encarar um desafio como os amazônidas enfrentaram quando ocuparam aquela porção do território que o procurador quer que vire improdutiva. E os amazônidas passaram no teste. Já esse procurador escreveu e falou tanta bobagem sobre meio ambiente que cheguei ao ponto de (infelizmente) lembrar o nome dele sem pesquisar. E o que ele fala? Que brasileiros desmataram "20% da amazônia nos últimos anos". Quantos anos, procurador? E quais os motivos que levaram essas pessoas a desmatar? Eles o fizeram só porque são "maus" como o vírus da gripe? Ou porque o Estado do qual você é procurador, na época em que a maioria da ocupação da amazônia aconteceu, estimulou as pessoas a ocuparem aquele território? Como disse o Selso Costa, "O IDH da Amazônia é baixo justamente por que, além de haver pouca gente e ser longe dos mercados consumidores, lá há mais mato do que agricultura, pois mato por mato não gera riqueza nenhuma, ou o senhor procurador compra 'mato' na prateleira do supermercado??"
O procurador deve plantar cebolinha na sacada do seu apartamento e achar que é moleza pegar um terreno inóspito - e não se enganem, a natureza é inóspita - no meio do nada e começar a criar seus orgânicos sem nenhum dano ao meio ambiente. Os amazônidas não estão em suas terras por acidente, e não estão esperando por suas benesses, procurador. E ainda bem que não o fazem, pois pelo visto, morreriam de fome. 

Peraí! Desmatamento Zero?
Eu não sei quais os termos dessa proposta de lei que o Greenpeace quer apresentar para o bem do povo brasileiro, mas sempre desconfio de quem tem intenções muito nobres com explicações muito vagas. Desmatamento Zero? Ora, qualquer um que tenha estudado história, geografia, sociologia ou que tenha alguns neurônios sabe que não existe desmatamento zero. Odeio ter que falar o óbvio, mas a humanidade depende de produtos florestais. Por meio da ciência, e não do ativismo, desenvolvemos técnicas para produzir mais madeira em menos espaço, e assim prover a sociedade com os insumos que ela precisa. Eu não ajudei para que isso acontecesse, nem Naidoo. Mas eu não sou contra minha mesa de madeira de reflorestamento. 

E em Naidooland?
Se, conforme o que Naidoo fala, somos o segundo maior desmatador do planeta, isso não seria possível sem que tivéssemos uma das maiores áreas florestadas do planeta. Mas como falei em outro texto (link aqui), a cartilha que eles pregam para nós não se aplica ao que eles fazem. Vejam abaixo uma imagem que salvei do Google Earth. 
Lá no país do diretor-executivo do Greenpeace é assim. Por quê ele não propõe "desmatamento zero" lá?
Essa imagem acima é da África do Sul, país famoso por sua luta contra o domínio estrangeiro. É de lá que Naidoo vem para nos ensinar como devemos cuidar de nossas florestas. Ora, ele fala que nós viramos a sexta maior economia do mundo com uma diminuição do desmatamento? A grande pegadinha está em achar que a legislação ambiental ajudou a nos tornarmos uma economia forte. Nós viramos uma economia relativamente pujante não por causa da legislação ambiental, mas apesar da legislação ambiental, que é ultrapassada, com critérios arbitrários, sem embasamento científico e totalmente alheia a princípios individuais básicos, como o da propriedade.
É fácil propor desmatamento zero em um país onde praticamente toda a terra arável já está sendo utilizada, como no país natal de Naidoo. Mas se nos demos relativamente bem até agora, por qual motivo não poderíamos continuar a crescer sem desmatar, pergunta Kumi Naidoo? Desmatamos, espertão, porque temos o que desmatar (enquanto vocês já desmataram tudo), porque as pessoas precisam de um lar, de comida, de madeira, de conforto. Em suma, as pessoas precisam de uma vida digna. O que elas não precisam é do seu proselitismo hipócrita.
É moleza falar isso de dentro de seu barco, mas vá dizer isso para um cidadão que se mudou para a amazônia estimulado pelo governo, e que precisa de mais alguns hectares de pasto porque a família aumentou. Enquanto Kumi Naidoo está passeando no barquinho do arco-íris, o amazônida está de enxada na mão. São duas realidades. Enquanto o Greenpeace quer que o produtor morra de fome, ninguém diz para Naidoo e os manés do Greenpeace como eles devem viver suas vidas.
Então digo eu: voltem pra casa e resolvam seus próprios problemas.

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