sexta-feira, 22 de junho de 2012

Belo Monte: Qual a alternativa?

Eu realmente gosto de debater com as pessoas. Acho que o debate é salutar e engrandece todos nele envolvidos. E sou obviamente contra censurar o pensamento das pessoas. Até as pessoas de quem discordo veementemente tem o direito de se expressarem. Porém a falta de lógica nos debates, especialmente nas redes sociais, é agoniante. Só na última semana me meti em umas dez discussões sobre questões relacionadas a meio ambiente, Rio+20 e Belo Monte. Sabem qual o denominador comum em todas as discussões? O lado "ambientalista" da discussão não havia estudado o assunto. E não digo estudar no sentido de formação acadêmica, pois acho esse negócio de ficar comparando títulos a maior bobagem, mas que não se informaram minimamente sobre o assunto, somente repetindo os mantras de uma ou outra ONG ou das campanhas que circulam nas redes sociais.
Além das cinco pessoas que decidiram que era feio continuar sendo meus amigos no facebook, e dos três que me bloquearam, uma dessas discussões chamou minha atenção. Um interlocutor me perguntou o quê eu tinha a favor de Belo Monte. 
Foi uma boa pergunta. Eu já expus em vários posts aqui no blog as coisas erradas que o outro lado fala. Já falei mal das campanhas no facebook, índios palpiteiros, do ataque ao engenheiro da Eletrobrás, daqueles atores babacas e até passei um pito em uma freira. Porém nunca disse porque sou a favor dessa usina. 
Eu sou a favor de Belo Monte porque não conheço outra alternativa para adicionar 4500MW médios ao sistema no mesmo prazo, com impactos ambientais reduzidos, e com custo da energia igual ou menor. 
E vejam que interessante: como o setor de geração de energia elétrica brasileiro não é monopólio estatal, qualquer entidade privada pode elaborar seus projetos, e depois de obter todas as licenças, implantar e operar uma usina (hidrelétrica, eólica, térmica fóssil, térmica a biomassa, solar). Então, o que pergunto para todos os opositores à Belo Monte é: 
1) Qual a sua alternativa para colocar 4500MW médios no Sistema Interligado Nacional em menos tempo, com menos impacto e a um custo menor que Belo Monte?
2) Por que você ainda não está fazendo isso?

Uma ressalva: ainda não inventaram usinas movidas a sonhos.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sacolas plásticas: cai mais uma tara ambientalista

Fiquei bem contente quando vi agora a pouco a notícia que as sacolas plásticas em SP devem voltar a ser fornecidas aos consumidores sem ônus. Segue abaixo notícia da Veja Online:
O acordo que acabou com a distribuição de sacolinhas plásticas em estabelecimentos comerciais em São Paulo foi suspenso nesta terça-feira, segundo confirmou o Ministério Público do Estado. O Conselho Superior do Ministério Público decidiu por unanimidade que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava o direito do consumidor em receber gratuitamente as sacolas plásticas, não é válido e, com isso, os estabelecimentos devem voltar a distribuir as embalagens em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor.
Segundo o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), os estabelecimentos comerciais que deixarem de distribuir as sacolas gratuitamente correm o risco de serem acionados pelos órgãos de defesa do consumidor, mediante denúncia. Para a Plastivida, "o Conselho Superior do MP entendeu que existe um descompasso muito grande e que o ônus da não distribuição das sacolas plásticas está recaindo apenas sobre os consumidores", afirmou Jorge Kaimoti Pinto, advogado da entidade. Na visão do órgão, essa situação precisa ser revertida o quanto antes".
A petição contra a homologação do TAC foi uma ação movida pela Plastivida, pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idecon) e pelo SOS Consumidor. De acordo com o MP, uma nota sobre a decisão do Conselho deve ser divulgada na tarde desta quarta-feira.
Quem ganha?
Finalmente o MP está tomando uma ação visando de fato beneficiar toda a coletividade. Já havia dito em outro texto que achava essa proibição um absurdo. É uma tara ambientalista, que quer prejudicar todos baseando-se na premissa pouco ou nada discutida que o plástico é o grande vilão do... sei lá, de tudo. Da poluição dos rios, da morte das tartarugas marinhas, do aquecimento global, do desmatamento da amazônia, do preço alto do papel de seda e por aí vai. Eles sempre tem algo para reclamar.
O que os ambientalistas NÃO fazem é estudar. Pra quem acha que o planeta vai se acabar 0.0018 milésimos de segundo antes se não banirmos as sacolas, sugiro a leitura do ensaio "Recycling Miths Revisited", que está disponível aqui. Há vários outros textos sobre o assunto na net, porém esse é bem objetivo e conciso para quem quer se familiarizar com o problema - ou a falta de problema.
Por menor que seja, essa é uma vitória. Não de nenhum grupo organizado; mas do indivíduo, que poderá escolher se quer uma caixa, uma sacola plástica ou as tais bolsas ecológicas. Repito: o indivíduo poderá escolher. E aí está toda a diferença. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rio+20: Circo montado, o palhaço é você

A Rio+20 ainda não mostrou a que veio, mas os melancias já estão todos assanhados. Começou com aquela idéia absurda de criar um fundo de US$ 30 bilhões para financiar ações sustentáveis nos países em desenvolvimento. A proposta partiu de um grupo chamado de "G77+China". Essa estrovenga é uma patota de diplomatas de países em desenvolvimento, e apesar do nome, engloba 132 países (ou 131, dependendo em que página do site deles você for). Segundo seu próprio site, o grupo patrocina projetos de cooperação Sul-Sul, aquela bobagem defendida pelo Celso Amorim, o mesmo que acha que diplomatas não precisam saber inglês. Nesse grupo, o Brasil encontra-se muito bem acompanhado, junto a Afeganistão, Cuba, Irã, Sudão, Venezuela, e todo esse pessoal realmente preocupado com a liberdade dos cidadãos e a defesa do meio ambiente. 

O Rio é uma festa
Já falei em outra ocasião sobre como a Rio+20 seria cara (aqui) e inútil, mas ainda estou aguardando o fim da conferência para ver o tamanho da conta geral. Contudo, posso dizer que já acertei algumas previsões, por mais pessimistas que elas fossem. Quando falei que não serviria para nada, me disseram que era porque eu não gostava do ambiente. Como se eu pudesse ser contra o oxigênio que respiro. Vejam essa notícia:
...a primeira proposta do presidente de mesa das negociações, o sul coreano Kim Sook, foi tipicamente carioca. "Me deixe primeiramente propor que as reuniões do Comitê Preparatório tenham um código casual de vestimenta”, disse em seu pronunciamento de abertura. Tradução: homens não precisam de terno e gravata, mulheres podem usar roupas casuais.
Entre resolver o problema imaginário do aquecimento global antropogênico e o problema bem real do aquecimento dos suvacos, eles optaram por algo prático. Até gostei. Pelo menos não tentaram tungar seu dinheiro. Parece que eu sou agressivo? Vamos ver outro exemplo: Em outro texto (aqui) escrevi que a Rio+20 seria a maior rodinha de violão do mundo. Isso cinco meses atrás. Adivinhem o que aconteceu? 
Ainda não foi possível medir o resultado das negociações no primeiro dia de comitê preparatório para a Rio+20. Mesmo assim, os diplomatas ... puderam fazer uma pausa para sambar. O governo brasileiro proporcionou uma recepção aos participantes da conferência no início da noite. Os visitantes puderam beber vinho nacional, comer salgados e confraternizar ao som de uma banda tocando ao vivo o ritmo mais celebrado do Brasil. (da Veja Online)
Há mais por trás disso
Pelo que se vê acima, parece um bando de malucos inofensivos fazendo festinha. Longe disso. Assistam o trecho abaixo do Jornal Nacional de ontem (13/06/2012) e vejam que as aspirações deles são bem maiores.


Vocês viram isso mesmo. A estimativa de gastos para implantar a tal "economia verde" é de 1,3 trilhões de dólares ao ano (leiam mais aqui). Só pra lembrar quantos zeros há nisso: U$ 1.300.000.000.000,00. POR ANO!! E a cobertura jornalística, nesse caso, só serve para aumentar a desinformação. O repórter André Trigueiro parece estar competindo com o Claudio Angelo, da Folha, pra ver quem ganha o prêmio de despachante do Greenpeace do ano. A comparação entre esse gasto proposto com a tal "economia verde" e gastos militares é mera retórica vazia. Para que vocês tenham uma idéia do quanto isso custaria, a tomada do sistema financeiro da Espanha pelo Banco Central Europeu custou U$ 126.045.071.196,00 (126 bilhões de dólares, pelo câmbio de hoje). Ou seja, nem 10% do que eles pretendem gastar por ano. Outra comparação válida é em relação ao maior PIB do mundo, o dos EUA, de 15,06 trilhões de dólares. A proposta é gastar 8,63% do PIB americano na tal economia verde. Utilizando a mesma comparação, o gasto militar dos EUA fica em torno de 4,6% de seu PIB. 
O repórter mais verde da TV brasileira também falou sobre o tal fundo de 30 bilhões ao ano. Adorei a resposta do negociador-chefe brasileiro: a proposta é muito bem recebida entre os países em desenvolvimento (que receberão dinheiro), mas não bem recebida entre os países doadores. Ora, se alguém quiser me dar dinheiro, eu também receberei bem a idéia. E se alguém quiser meu dinheiro sem me oferecer nada em troca, óbvio que não receberei bem a idéia.

A utopia é deles, o dinheiro é seu
Os ambientalistas melancia estão reunidos no Rio para destruir o capitalismo em nome do ambiente, metendo a mão no seu bolso, como Thomas DiLorenzo expôs muito bem no artigo "As melancias totalitárias se encontram no Rio - e querem empobrecer você". Agora que vocês já sabem que a proposta de economia verde dos melancias custará U$ 1,3 trilhão ao ano, cabe lembrar de algo que vivo dizendo aqui: você paga essa conta. Dividindo esse montante todo por uma população global de 7 bilhões, sabem qual o custo para cada cidadão do planeta? U$ 185,71 por ano. É isso que custa a utopia deles. 

O que fazer?
Ainda não achei uma solução que eu considere ideal para evitar que esse tipo de bobagem se dissemine, mas dado o potencial danoso caso se siga por esse caminho da "economia verde", declaro, no mesmo espírito dos ambientalistas apocalípticos, que temos que fazer "algo". Entre todas as alternativas que me vieram à cabeça, me inspirei no Antônio Patriota, e tenho uma proposta que é economicamente viável e manterá os animais racionais a salvo da sanha dessa gente: Vamos pegar somente 0,01% do 1,3 trilhão que eles querem gastar por ano. São 356 mil dólares ou 734 mil reais por dia. É o suficiente para os enchermos de salgadinhos, vinho vagabundo e rodas de samba até a Rio+40. Pelo menos preservamos a próxima geração.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Fim de férias

Minha dúzia de leitores frequentes pode ficar calma. Não parei de escrever. Mas passei, como prometido, um tempo na Europa. Tenho uma ou outra coisa a escrever sobre o que vi por lá, e um putilhão de coisas a escrever sobre o que NÃO vi por lá, como APPs e Reservas Legais. Contudo, sou obrigado a pedir paciência a essa dúzia de leitores, e àqueles visitantes ocasionais que também são bem vindos. Por ter passado mais de um mês fora, tenho muito trabalho atrasado, muitos prazos para cumprir, e muitas contas a pagar. Por hora, fiquem com algumas indicações de bons textos que li mas não comentei nesse período:

Uma bela compilação de dados e argumentos, sintetizados em um documento lançado às vésperas da Rio+20.

Texto honesto, pessoal e sincero de Luis Pereira (que tenho orgulho em dizer que faz parte da dúzia que me lê), traça um histórico do código florestal entremeado das vivências de alguém que conhece mais da vida do campo que qualquer um dos mimados de Alphaville. 

Insere a grande farsa da Rio+20 em um contexto maior. Ainda que controverso, é uma boa indicação para quem acha que o movimento ambientalista mundial é uma fonte inesgotável de altruísmo.

No mais, mantenho minhas indicações de sempre. Leiam os seguintes livros:

Logo postarei algo novo. Mas estou colocando os dados em gráficos bem bonitinhos. Quem sabe assim os ambientalistas entendem algo.