sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ambientalismo e bruxaria

Quando eu falo que me espanto com o que vejo escrito por aí, parece que estou usando uma hipérbole, mas  asseguro a meus leitores que não é o caso: eu me espanto mesmo. Não consigo acreditar que exista uma falta de lógica tão disseminada que se estenda dos "cientistas" catastróficos que mamam na teta governamental para dinheiro que financie suas "pesquisas" ate os manés que vão às ruas para ser usados como massa de manobra das ONGs, passando pelos jornalistas que noticiam bobagens sem pensar sobre o que lêem, e pior, sobre o que escrevem. 

349 é ruim, 350 é bom, 351 é ruim

Leiam o que vai abaixo, tirada do site Planeta Sustentável, que publica ao menos uma coisa dessas por dia:
Hoje, a quantidade de CO2 na atmosfera é de aproximadamente 390 partes por milhão (ppm). E isso não é uma boa notícia. “Especialistas concordam que este nível não pode ser sustentado por muitas décadas sem consequências potencialmente catastróficas,” diz o Geos Institute, uma ONG e empresa de consultoria baseada no Oregon, que usa a ciência para ajudar pessoas a prever e reduzir a mudança do clima e a se preparar para seus efeitos.
É improvável que tenhamos concentrações atmosféricas tão baixas quanto eram (275 ppm) quando começamos a jogar poluição no ar durante a Revolução Industrial. Mas cientistas do clima e líderes ambientais concordam que 350 ppm poderia ser um limite tolerável. Antes de 2007, cientistas não sabiam qual deveria ser uma meta de redução de emissões, mas novas evidências levaram a um consenso de que ela seria de 350 ppm, se quiséssemos ter um planeta “semelhante àquele no qual a civilização se desenvolveu e para o qual a vida na Terra se adaptou,” segundo o climatologista da NASA, James Hansen.
Leiam com atenção, e guardem esses dados citados no artigo, que resumo para vocês abaixo:

  • Quando a civilização se desenvolveu, a concentração de CO2 na atmosfera era de 350ppm;
  • No início da revolução industrial a concentração era de 275ppm;
  • Agora é de 390 ppm.
Tomando como base os tais 350ppm que dizem ser a concentração de CO2 quando a civilização se desenvolveu, no começo da revolução industrial tínhamos uma concentração que representava 78,57% daquele valor de 350ppm. Uma variação de mais de 20%. E ainda assim nos desenvolvemos, com uma mudança de 75ppm ao longo de aproximadamente 10 mil anos. Agora estaríamos com uma concentração de 390ppm, ou 111,43% daquela do início da civilização. 
Uma variação de 21,43% para baixo do nível "tolerável" é aceitável, mas uma variação de 11,43% acima desse mesmo nível é inaceitável? Sinceramente, somos tão pouco adaptáveis que uma variação tão pequena em um dos menores componentes da atmosfera irá afetar não somente os humanos, como toda a vida na terra?

350 é o ideal?

Continuem lendo o texto do Planeta Sustentável:
A ONG 350.org, lançada em 2008 pelo escritor e militante ambiental Bill McKibben e outros, vem trabalhando para divulgar esta necessidade. O grupo conseguiu a adesão de milhares de estudantes voluntários em todo o mundo para mobilizar o apoio público à redução da pegada de carbono da humanidade.
McKibben, cujo livro de 1989, The End of Nature, um dos mais influentes trabalhos ambientalistas de todos dos tempos, detalhou os efeitos potenciais da mudança do clima, acredita que a meta de 350 ppm é alcançável. “Somos como o paciente que vai ao médico e descobre que está gordo, ou que seu colesterol está alto demais. Ele não morre imediatamente, mas tem risco maior de um ataque do coração ou um AVC até que mude seu estilo de vida e volte a uma zona segura,” diz ele. “O planeta está na zona de perigo porque jogamos carbono demais na atmosfera, e estamos começando a ver sinais de um problema real: geleiras derretendo, a seca que se espalha rapidamente. Precisamos correr tão rápido quanto possível de volta para a segurança.”
Utilizando a analogia do próprio McKibben, se o planeta está em uma "zona de perigo", quem é que dá o diagnóstico? Só os ambientalistas. Eles são os médicos, aqueles que sabem interpretar como ninguém o "colesterol do planeta". Aqueles que, não canso de lembrar, são os que mais lucram com a histeria generalizada sobre o ambiente. E, por incrível que pareça, eles são o grupo tratado como aquele que tem a solução para um problema hipotético que pode ser que cause efeitos adversos em um horizonte futuro indeterminado. Grande parte disso - e de muitos argumentos ambientalistas - se deve a uma premissa errada: a presunção de um "estado ideal da natureza". 
Ainda explicarei melhor em um texto posterior esse conceito, mas a presunção de um "estado ideal da natureza" é a premissa (sempre errada) que há uma determinada condição na qual a natureza estará em alguma forma de equilíbrio, na qual todos os problemas ambientais não existirão, algo como uma pax naturalis. 
O maior exemplo disso hoje em dia é o tratado de Kyoto, que determina que os países industrializados reduzam suas emissões de gases causadores de efeito estufa aos níveis de 1990. Meus leitores conseguem pensar, mas tente fazer essa pergunta a algum ambientalista: Quem diabos disse que os níveis de 1990 são os níveis ideais? Ou que 350 ppm é o ideal?

Na dúvida, 350 é o ideal

Eles não saberão responder à pergunta acima, mas vejam abaixo que o "tratamento" está pronto.
“Correr de volta” significa nada menos que transformar toda nossa estrutura energética, incluindo a forma como transportamos pessoas e bens, e como fornecemos energia a esta estrutura. De acordo com o 350.org, isto implica a construção de fazendas solares, e não minas de carvão; plantar árvores, e não derrubar florestas, aumentar a eficiência energética e reduzir o desperdício. “Chegar aos 350 significa desenvolver mil soluções diferentes – todas as quais se tornarão mais fáceis se tivermos um tratado global baseado na ciência atual e construído em torno de princípios de igualdade e justiça,” diz o grupo. “Para chegarmos a este tipo de tratado, precisamos de um movimento de pessoas que se importam o bastante com nossso futuro partilhado.”
O grupo está trabalhando na criação de um movimento internacional de militância para influenciar as dinâmicas políticas e implementar soluções que mostrem os benefícios da mudança para uma economia limpa. 350 ppm é apenas um número, mas representa a capacidade potencial da humanidade de resolver o mais premente problema que já enfrentou. Representa também uma meta para que negociadores internacionais construam um tratado eficaz sobre o aquecimento global, comenta a Scientific American.
Fácil, fácil, né? Só precisamos fazer algumas coisas pequeninas. Para facilitar, fiz um checklist do que devemos fazer, segundo nossos oniscientes "médicos do planeta":
  • Transformar toda nossa estrutura energética 
  • Construir fazendas solares
  • Plantar árvores
  • Não derrubar florestas
  • Aumentar a eficiência energética 
  • Reduzir o desperdício
  • Desenvolver mil soluções diferentes
Por que não cair nessa

Já que estou na onda dos checklists hoje, apresento abaixo minha lista de motivos pelos quais não devemos aderir às maluquices desse grupo:
  1. Não há consenso sobre a existência de aquecimento global;
  2. Mesmo que se considere que existe aquecimento global, não há consenso sobre a possibilidade das atividades humanas terem alguma influência sobre o hipotético fenômeno;
  3. Ainda que se considere que existe aquecimento global antropogênico, mesmo os cenários mais pessimistas mostram alterações pouco significativas;
  4. Essas alterações só ocorreriam daqui a 100 anos ou mais;
  5. Todos os cenários acima desconsideram a engenhosidade humana, o qual é O fator determinante para nossa sobrevivência;
  6. Não há nenhum motivo plausível para considerar que 350ppm, 275ppm ou qualquer outro número é a concentração de CO2 ideal para a vida na terra;
  7. Falem sério, a concentração de UM gás é o determinante para a vida na terra? (há mais de 20 vezes mais argônio que CO2 na atmosfera, segundo a NASA

A caça às bruxas moderna

Séculos atrás, quando não se conseguia explicar algum fenômeno natural, como colheitas ruins, se achou uma solução impressionante: bruxaria. Homens e mulheres foram mortos por pura mistificação. Hoje, não chegamos ao ponto em que se sacrifica alguém por bruxaria (exceto nos rincões menos civilizados do planeta), mas uma boa parcela da população acredita que pode atribuir quase todos os males do planeta a algo tão místico e imensurável pela ciência atual como o aquecimento global antropogênico. Contudo, apesar de não sacrificarmos pessoas, existem aqueles que pedem o sacrifício não de sua vida, mas de sua qualidade de vida. Querem que você abdique de energia elétrica barata, de comida farta e barata, de seu carro, de sua carne (aqui), e até querem taxar suas viagens. A caça às bruxas moderna substituiu a bruxaria pelo ambientalismo, essa religião estranha, na qual a mitologia é criada de acordo com a pseudo-ciência do momento. Na década de 70 precisávamos mudar nosso modo de vida por conta do resfriamento global, na década de 80 o problema era a superpopulação, na década de 90 precisávamos preservar as florestas, na década de 2000 o problema era o aquecimento global, que agora já foi alterado para "mudanças climáticas".   Em suma, nosso Malleus Maleficarum muda rapidamente, mas a religião ambientalista persevera e a punição (menos qualidade de vida) continua a mesma. 

Questione o inquisitor

Faço esse desafio aos leitores do blog: sempre que verem alguém defendendo Kyoto, ou propondo alguma ação para conter ou retardar o suposto aquecimento global, ou em relação a qualquer situação ambiental, pergunte a seu interlocutor:

"Qual seria o estado ideal da natureza?"

Desconfie de qualquer um que lhe der uma resposta diferente de "não sei". Ele acredita em bruxas. E quer colocá-lo na fogueira.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Venezuela: a utopia ambientalista

O Brasil é mesmo muito atrasado. Na Venezuela, estão em ação medidas para reduzir as emissões de carbono. Contudo, a mídia alinhada ao imperialismo yankee deturpa as notícias, como pode ser visto nessa reportagem da Veja Online:
O ditador venezuelano Hugo Chávez reconheceu neste sábado que o país continua sofrendo "graves problemas" de fornecimento de energia elétrica. "Eu sei que aqui no estado de Bolívar ainda e sobretudo em Cidade Bolívar há graves problemas, graves falhas na energia elétrica, eu sei, e aqui também, em San Félix, bom e em quase toda Venezuela", disse Chávez em um ato de campanha nesta última cidade, no sudeste do país.
Chávez, que comanda o país desde 1999, culpou a falta de investimentos durante as gestões anteriores à sua pelas carências do sistema elétrico nacional. "Apesar dos gigantescos esforços que o governo fez ainda não terminamos de recuperar, de construir um sistema elétrico nacional", disse. O tirano defendeu o plano de investimentos que realizou durante seu governo, que se encontrou em 2010 perante uma severa crise de energia elétrica, a qual chegou a paralisar setores da economia.
Obviamente a Veja deturpou o texto do anúncio do grande líder Chávez. Na verdade, o discurso original dizia que a Venezuela está implantando controles para poupar os recursos minerais e diminuir a pegada de carbono dos cidadãos. Coisa de quem, como capacho dos imperialistas, só sabe inglês e não aprendeu nada de espanhol. Ora, dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela poderia fornecer energia a toda sua população a custos baixos. Contudo, pensando no bem de todos e no cumprimento de suas obrigações constitucionais (Constituição da República Bolivariana de Venezuela, de 20/08/2012, às 17:56h) e dos tratados internacionais firmados, o companheiro Chávez colocou a nação no rumo certo: menos emissão de carbono. Opiniões contrárias são propaganda imperialista, como pode ser visto abaixo.
Segundo o tratado de Kyoto, os países industrializados (o companheiro Chávez inventou a industrialização) devem almejar que seus níveis de emissões de CO2 se igualem àqueles de 1990. Em um país como a Venezuela, onde a matriz elétrica é majoritariamente térmica a óleo, há duas formas básicas de se atingir esse objetivo: diminuir a geração de energia, ou reduzir o consumo. 
O governo Chávez, que não mede esforços, em um movimento ousado decidiu implantar simultaneamente as duas medidas. Em um plano de longo prazo, nesse anos se completam 13 anos sem investimento em novas usinas, sistemas de transmissão e distribuição. Na questão da redução de consumo, optou-se por tratar o problema na fonte, com ações de redução da população. Isso foi atingido pela diminuição sistemática da produtividade agrícola, deterioração dos meios de transporte e saneamento. O aumento da criminalidade, ainda que não planejado, auxiliou a atingir as metas estabelecidas.
Até o momento, o plano do companheiro Chávez é um sucesso. 

E o Brasil?
Já o Brasil segue no sentido contrário. O país continua investindo, por meio da iniciativa privada, em energia barata, que pode ser vendida à população a preços módicos. Recentemente, setores subordinados ao Capital aprovaram uma mudança da legislação que permite que os pequenos proprietários agrícolas possam regularizar a sua situação fundiária, em uma tentativa de submeter os campesinos ao mercado. A população de classe média, inconsciente de seu dever de classe, continua sendo iludida com um dos menores preços de alimentos do mundo, e ainda não aderiu à revolução verde. Várias campanhas de conscientização realizadas por ONGs organismos internacionais não conseguiram convencer a população brasileira que é melhor ter matas ao invés de comida barata na mesa. Aparentemente, o retrógrado povo brasileiro dá mais valor à comida dos seus filhos que ao habitat do mico-leão-dourado, apesar desse simpático animal ser um símbolo de prosperidade, como demonstrado nas cédulas do Real.
Apesar de atrasado na questão de redução de emissões, o Brasil contribuiu para a atualização da legislação venezuelana, a qual já incorporou as melhores práticas de desenvolvimento sustentável brasileiras, determinando que 80% das terras da Venezuela também serão improdutivas, a exemplo da amazônia brasileira.

Pensando no futuro
Voltando à situação venezuelana, cabe ressaltar que o planejamento do companheiro Chávez a respeito do meio ambiente e principalmente das emissões de carbono não se restringe à geração atual. Fontes do alto escalão do governo e analistas internacionais afirmam que o plano de redução de emissões de Chávez foi tão bem executado nos últimos 13 anos que mesmo que Chávez saia do poder nas próximas eleições, levará ao menos 40 anos para que a Venezuela retorne às condições de 1990.




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Atualização: Para explicar a discordância entre esse texto e os demais que já publiquei, esse texto foi originalmente escrito como tarefa para a aula de "Introdução à redação esquerdista", mas acabei publicando sem querer.