quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Os antolhos esquerdistas

É notório que comunistas, socialistas, ambientalistas e outros retardados sem denominação específica que se dizem algum outro "ista" enxergam o mundo com uma ótica muito específica. Na verdade, pode-se até dizer que eles tem uma ótica parecida com aqueles cavalos de carga, que por conta dos antolhos (aquele tapa olho dos cavalos) não consegue ver nada além do que a pessoa que segura o cabresto permite. Esses esquerdistas são assim. O cabresto intelectual lhes é tão confortável que repetem os mesmos caminhos mentais sem sequer tomar conhecimento do mundo que os circunda.
Hoje me deram a dica do uma página no site do PC do B que comprova essa afirmação. Vejam o que nossos comunistas dizem lá (eles em vermelho, pra combinar):
Qual a opinião do PCdoB sobre as privatizações?
A política brasileira de privatização tem origem externa. É parte da política neoliberal, adotada pelo capitalismo desde a década de 1970. Começou pela Inglaterra, que buscou re-energizar sua economia por intermédio do fortalecimento do capital privado, da concorrência e da capitalização do Estado para controle do déficit público. A privatização abriria novos e amplos espaços para os grupos privados e, promovendo receitas extras com a venda de estatais e a concessão de serviços, permitiria ao Estado saldar suas dívidas ou investir em áreas que julgasse prioritárias.
Vejam que a idéia deles é tão torta que eles imaginam que cabe ao Estado abrir "novos e amplos espaços para os grupos privados", ou seja, a participação privada (minha, sua, ou de alguma empresa) na economia é uma mera concessão do Estado, e não um direito meu e seu de investirmos no que bem entendermos. 
As privatizações nos países mais desenvolvidos não modificaram essencialmente o quadro econômico vigente. Em países como o Brasil, as privatizações afetaram a economia, particularmente a soberania nacional. As empresas já privatizadas constituíam parte fundamental do patrimônio público construído com recursos próprios.
Dizer que as privatizações nos países desenvolvidos não modificaram a economia é uma falsificação histórica. O mesmo se repete quando o partido afirma que as privatizações afetaram a soberania nacional. Ora, como a concessão de uma estrada afeta a soberania nacional? A OHL vai fechar as rodovias se Dilma falar "¿Por qué no te callas?" para o Rei Juan Carlos? Sabem o que é uma ameaça à soberania nacional? Terras Indígenas e Unidades de Conservação em fronteiras. E o PC do B apóia essas.
Que resultou em proveito do país o dinheiro conseguido com as privatizações? Literalmente, nada. Vendendo essas empresas, ficamos mais pobres e mais dependentes.
Cadê esse dado de que a população está mais pobre? Ora, o governo do qual o PC do B faz parte da base de apoio vive falando que a população está menos pobre, que a desigualdade está diminuindo, que a classe média está crescendo, e o PC do B não concorda com nada disso? 
O ministro dos esportes, Aldo Rebelo, talvez o mais famoso político do PC do B, vive no twitter, provavelmente utilizando um celular cujo chip qualquer um com 30 reais compra na banca de jornais da esquina. Na época pré-privatização, um telefone fixo custava quase um carro. O cidadão tinha que brigar com a mulher porque adiou a reforma da cozinha pra comprar um telefone. E o PC do B diz que não houve nenhum proveito das privatizações?
O governo promove em diversas estatais diferentes tipos de reajustes prévios às suas alienações e, em alguns desses ajustes, gasta mais dinheiro do que recebe ao final da venda da estatal. Títulos públicos desvalorizados, comprados no mercado com 20%, 30% e até 40% abaixo do valor de face, são utilizados na compra de estatais com seu valor integral. Grupos econômicos estão sendo fortalecidos, conglomerados estão sendo formados, monopólios são favorecidos. Riqueza propriamente não tem surgido, pois a privatização é transferência de riqueza, não criação da mesma. Investimento estrangeiro aplicado em privatização ocupa fábrica, não a implanta.
É por isso que a Vale era uma empresa quase falimentar quando foi privatizada e agora é uma das maiores mineradoras do mundo? O PC do B diz que a privatização favorece monopólios. Eu sou da opinião que qualquer monopólio é insidioso, por isso acho que a economia deve ser tão livre quanto possível, para permitir o surgimento de concorrência. Um exemplo simples é a GVT, que implantou sua rede de telefonia e dados do zero, e inclusive fornece meu acesso a internet aqui em casa. Porém, para o PC do B, o monopólio é ruim, exceto quando é monopólio do Estado. 
A infra-estrutura do país, com a escassez do investimento público e as privatizações, está sendo deteriorada e ficando aquém da demanda exigida por um crescimento, mesmo que contido, como a insólita situação atual, por suas dimensões, marcada pela insuficiência da geração de energia elétrica, em decorrência da queda dos investimentos nestes últimos anos. A crise energética, gestada principalmente nos governos de Fernando Henrique, demonstra o grau de liquidação que alcançou o Estado nacional brasileiro. Os "investimentos" oriundos das privatizações não aumentaram sequer um megawatt a capacidade instalada no setor de energia. O governo, ao acatar as imposições do FMI, que não permitiu inversão estatal em produção e transmissão de energia elétrica, levou o sistema hidroelétrico brasileiro, moderno e seguro, ao descalabro. Diante disso, a expectativa é de queda do crescimento econômico já contido e de mais desemprego.
O trecho em destaque acima foi o que mais chamou minha atenção no "texto" do PC do B. Como assim os investimentos das privatizações não aumentaram nem 1 MW de energia no sistema? Se for assim, estou esperando para acordar de um sonho de 12 anos, pois esse é o tempo que trabalho com geração de energia e só trabalhei para a iniciativa privada. Só nas usinas que já trabalhei, a capacidade instalada (nunca parei pra contar) passa com folga 2.000MW.
Mas não acreditem em mim. Façam como eu fiz e dêem uma olhada no Atlas de Energia Elétrica do Brasil, feito pela ANEEL (disponível para download gratuito aqui), onde na página 34 se encontra o quadro abaixo:

É óbvio que nem todo aumento da geração se deve a investimentos privados, porém afirmar que sequer um 1 MW foi adicionado pela iniciativa privada não é exagero, é mentira mesmo.
O PCdoB denuncia a política de privatizações adotada pelo governo e desmascara o seu caráter antinacional, além da forma nebulosa, cheia de suspeitas, com que é realizada. No documento "Um novo rumo para o país (Pontos para um programa mínimo da oposição)", o Partido propõe que o programa do candidato da oposição às eleições presidenciais de 2002 contemple dentre os seus itens: "Suspender as privatizações de empresas e setores estratégicos para o desenvolvimento e a soberania nacionais, como a geração de energia e o saneamento. Revisão das privatizações já realizadas nos setores estratégicos".
Só chegando aqui notei que esse texto do PC do B provavelmente é um pouco velho. Isso é coerente com eles, cujas idéias a respeito de política e economia passaram ao largo de todo o Século XX, em especial os 100 milhões de mortos do comunismo (aqui). 
Já escrevi aqui no blog que qualquer um pode defender suas opiniões, porém quando precisa mentir para alcançar seus interesses, é certeza absoluta que esses interesses não são nem um pouco nobres. E para isso servem os antolhos dos esquerdistas, para impedir que o indivíduo analise e julgue o mundo ao seu redor, preso no cabresto do partido, do sindicato, da ONG e dos "movimentos" mil que afloram por aí. 
Nesse ponto o cavalo é mais esclarecido que esquerdistas, pois mesmo com seus antolhos, ao menos o cavalo olha para frente. Já os antolhos esquerdistas só permitem que eles olhem para trás.

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