domingo, 23 de setembro de 2012

Vagabundagem é falta de fome, frio e chuva

Recebi esses dias um e-mail de um amigo falando da quantidade de "categorias" em greve. Segundo ele, e pelo que verifiquei, no dia em que recebi o e-mail, estavam em greve "trabalhadores" dos correios, bancos, universidades, fiscais agrícolas e até o pessoal do supermercado da esquina da minha casa. Entendo a raiz histórica do direito de greve e até o fato que há alguns direitos que foram adquiridos pelos trabalhadores. O problema é que essa legislação é extremamente anacrônica, e leva a situações ridículas como o número de "trabalhadores" em greve. Acho que já passamos do razoável. Peguem como exemplo os bancários. Eu fui à agência do BB mais próxima da minha casa, onde encontrei dois vermelhinhos do sindicato colando cartazes  na fachada da agência. Tive com eles a seguinte conversa:

- Quais são as reivindicações dos bancários?
- Aumento de salário, diminuição de jornada e maior segurança nas agências.
- E quanto de aumento vocês estão pedindo?
- 10%
- E vocês não se contentam com menos?
- Não, isso é um direito dos trabalhadores e blablabla...
- E querem reduzir a jornada em quanto?
- 25%. Redução de 8 para 6 horas diárias.
- Deixa eu ver se entendi, menos horas, porém com aumento de salário?
- Exatamente, pois o trabalho feito pelos bancários exige muito dos trabalhadores blablabla...

Aí eu já vi que não seria atendido na agência, portanto decidi minimizar minha perda de tempo e voltar para casa. No caminho lembrei que não fiz uma pergunta muito importante: e se os bancos só aumentarem a segurança das agências? Os bancários topam voltar ao trabalho?  Ora, 10% de aumento? Quem, dentre meus leitores, especialmente aqueles que trabalham na iniciativa privada, teve 10% de aumento em um ano? E desse grupo, quem teve aumento de salário, diminuição de carga horária, e reformas no escritório? Pelo que pesquisei, dos 10% reivindicados, 5% são reajuste da inflação no período, enquanto os outros 5% seriam ganho real. Isso significa exatamente o que parece: Eles querem menos horas de trabalho, um aumento de salário, e ainda que seus empregadores invistam mais no ambiente de trabalho. Ora, longe de mim gostar de meu banco, porém até um semi-analfabeto em economia como eu sabe que se algum empresário gasta mais com mão de obra, tem que contratar mais gente para cobrir o horário de atendimento e precisa gastar mais na sua estrutura de negócios, alguém vai pagar essa conta, não? E quem é que paga por isso? No caso dos bancos, aposto a extremidade inferior do meu sistema digestivo que quem pagará a conta é o cliente. Você, eu e todos que tem uma conta em banco pagamos por isso. 

Não gosta do seu trabalho? Faça outra coisa.

Eu gosto do meu trabalho. Me orgulho dele. Também gosto e tenho muito orgulho das outras atividades que faço, como ler e também escrever aqui para vocês. Apesar de ser o meu trabalho, não sou obrigado a fazê-lo. Posso fazer outra coisa. Da mesma forma, ao invés de ler ou escrever, posso assistir a novela das 8, ou se absolutamente me negar a pensar, posso me filiar ao Greenpeace ou ao PSTU. Todos temos essa liberdade. 
Na minha criação, e mantenho isso até agora, sempre soube que eu não era obrigado a fazer o que não quisesse, desde que arcasse com as consequências. Essas pessoas obviamente pensam de forma diferente. Acho que há uma deterioração dos valores individuais em curso, e infelizmente essa deterioração está tão avançada que provavelmente metade dos que lêem esse texto já estão me xingando. Eu não entendo como uma pessoa possa achar que seu trabalho é tão mais importante que o trabalho dos outros que possa "reivindicar" algo. Veja: o trabalhador, em geral, não criou nada, não investiu em um negócio, não assumiu risco algum, somente fez o mínimo que se espera dele, que é se qualificar para algum trabalho, procurar um emprego e depois cumprir seu horário de uma forma minimamente competente ou dissimuladamente incompetente de forma que não seja demitido, e recebe um dinheiro todo mês. E quer reivindicar algo? Acho que isso é reflexo daquela postura que os pais de hoje em dia tem de dizer que cada criança é especial e que merece respeito, mas não ensinam que respeito se conquista no dia-a-dia, ao invés de ser outorgado por uma lei ou "conquistado" pelos sindicatos. 
Minha opinião é que os indivíduos precisam parar com a idéia imbecil de "reivindicações coletivas", e pensarem por si próprios. Essa idéia de "nós" contra "eles" que os sindicatos tanto defendem é mais anacrônica que tratar esquizofrenia com sanguessugas. Se bem que os sanguessugas continuam por aí, e não são muito certos da cabeça. 
Em resumo, o que penso é exatamente o que está no subtítulo. 
Você acha que seu ambiente de trabalho é ruim? Faça outra coisa.
Você acha que trabalha mais horas que deveria? Faça outra coisa.
Você acha que é mal pago? Faça outra coisa.
Tome essa escolha como um indivíduo consciente, aceite a responsabilidade por seus atos, e vá procurar algo mais adequado ao que você acha justo. Ou então se olhe no espelho e veja que provavelmente você não faz outra coisa porque não tem capacidade para arrumar outro emprego. É quase certo que você não pode mandar seu patrão às favas porque ninguém mais te quer. Senão, convenhamos, você já teria uma proposta melhor, e imagino que já estaria lá. 

Estabilidade
Já notou que as categorias que possuem estabilidade de emprego são as que mais entram em greve? Vagabundo sabe que não pode ser demitido e inventa greve, faz corpo mole no trabalho, não se atualiza, não estuda, e ainda tem o disparate de pedir mais salário por menos tempo de trabalho? Vejam as universidades, que praticamente fazem greve todo segundo semestre do ano. Minha opinião? Acabar com a estabilidade já! Fez corpo mole? Rua! Começou greve, deixando os empregadores e clientes desassistidos? Rua! Mas não, especialmente no caso do poder público, nós pagamos a conta pra vagabundo ficar em casa assistindo o "Vale a pena ver de novo" enquanto estudantes não estudam, pessoas morrem em hospitais, comida estraga nos caminhões, e os bandidos continuam soltos enquanto o trabalho policial não é feito. 
Nem todo mundo é macho o suficiente pra dizer "eu sou melhor que isso e vou procurar algo diferente ou um lugar diferente para trabalhar". Também é impraticável que alguém tenha a autocrítica pra pensar "estou fazendo um trabalho pífio, então o que ganho não é justo". Ou que alguém diga: "deixei os clientes/usuários na mão para ganhar mais dinheiro e menos trabalho, e acho que isso deve ter consequências". Então que aqueles que realmente fizeram os negócios, que criaram as empresas, que geraram os postos de trabalho, decidam por eles. E a decisão deveria ser: rua! 

A solução? Mais frio, fome e chuva.

Olhem para seus colegas. Quem aqui não tem ou teve um colega que era claramente mal formado para sua função, ou um outro que era preguiçoso, ou um que pediu para ser demitido e ficar no seguro-desemprego, ou um que vivia pegando licenças médicas, ou que vivia reclamando do patrão, mas produzia tão pouco que nem se sabia o que fazia ali ainda? Aposto que todo mundo já conheceu ao menos um desses tipos. 
Para mudar essa mentalidade, acho que o Brasil precisa de três coisas: menos legislação trabalhista, menos mamata pra vagabundo, e mais motivação para que as pessoas trabalhem. E os melhores motivadores que conheço para fazer alguém trabalhar são a fome, o frio e a chuva. Vagabundo na chuva, com fome e frio pensa que talvez esteja na hora de arrumar um trabalho. Mas o Brasil, esse país onde há tanta fartura na qual podemos nos dar o luxo de sustentar quem não quer trabalhar (vide os casos do Bolsa-Família) acabamos com os motivadores que levariam um vagabundo a trabalhar. 
Sempre se fala que a solução do país é mais educação. Uma lição importante poderia ser dada a esses vagabundos na forma de fome, frio e chuva. E cada um que escolha o que prefere.

Um comentário:

  1. Apesar de não concordar com um ou outro ponto mais extravagante, compartilho da indignação, ainda mais quando temos grevistas ganhando R$ 25.000,00 (grevistas de sangue azul, como bem disse a Dilma). É uma situação completamente estapafúrdia e agravada em partes pelo inchamento dos órgãos públicos promovido pelo governo Lula.

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