quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O porquinho atrapalhado do Greenpeace


Eu não gosto do Greenpeace. Entre suas práticas estão cooptar crianças, plantar notícias falsas na imprensa, criar umas campanhas ridículas, falar de falecidos como se fossem filiados, incitar baderna e espalhar inverdades aos quatro ventos. Como gostar de uma entidade que tem essas práticas quase como se fossem um norte moral? Eu sei exatamente porque não gosto deles. E quem gosta e apóia o Greenpeace, sabe porque o faz?
Li uns dias atrás um texto no site dos ecotalibãs (link aqui) que me espantou. E não pelo fato que eles falaram alguns absurdos (isso eles sempre fazem), mas porque concordei com alguns pontos. Abaixo, o texto comentado, com o texto deles em vermelho-melancia:

Direto da pocilga
Onde abundam alternativas, vigora desperdício

Foi realizado nesta terça-feira (6), na Câmara dos Deputados, o VI Simpósio Amazônia: Desenvolvimento Regional Sustentável. Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, alertou os presentes para o desperdício de potencial energético no Brasil, um país que abunda em recursos alternativos.
Achei o máximo! Minha dissertação de mestrado também fala de potencial de energia desperdiçado. No meu caso, o desperdício de energia que poderia ser gerada com mais Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), uma fonte de energia alternativa. 
“A Amazônia possui um potencial de bioeletricidade que é completamente desperdiçado. Vira fumaça nas madeireiras o que poderia virar energia.
Leitão não se contenta em falar em termos generalistas: quer ser específico. E defende a geração de energia elétrica por termoelétricas a biomassa. Ótimo. Acho a biomassa uma das fontes de energia elétrica mais viáveis técnica e economicamente, além de ser uma ótima alternativa para a geração descentralizada, sobretudo na Amazônia. Nem parece que Leitão é do Greenpeace.
Além disso, o Brasil é o país do sol e do vento, principalmente na região nordeste.
Isso aí é só o mantra ambientalista. Essas fontes não se sustentam sozinhas. Estou pra ver alguém montar uma eólica ou solar sem subsídios. 
Outro exemplo são os lixões a céu aberto. Temos mais de 20 milhões de habitantes na Amazônia que poderiam ser beneficiados com o aproveitamento dos lixões para produção de energia, também com geração de crédito de carbono. Mas o governo não conseguiu ainda transformar isso em política pública”, afirmou.
Incineração de lixo para gerar energia elétrica? Notem que ele (diretor de Políticas Públicas do Greenpeace) inclusive lamenta que isso não seja uma política pública. Não poderia concordar mais.
Segundo estudo da Agência Internacional de Energia, citado no Seminário, o Brasil possui o segundo pior desempenho em termos de economia de energia dos países do G-20, ficando à frente apenas da Arábia Saudita. O país conquistou tal colocação, pois reduziu apenas 22,7% a sua intensidade energética. Em comparação, a China, primeira colocada no ranking, teve uma redução de 66%.
Comparar o Brasil com a China é uma comparação intelectualmente desonesta, algo típico dos ambientalistas. Ora, a China reduz a intensidade energética porque lá, se não tem energia, você vai reclamar com quem? O mesmo governo que manda na bagaça toda? Se os membros da nomenklatura chinesa quiserem, eles reduzem o consumo em até mais que 66%. É só deixar a população sem energia. Como se eles se importassem.
“As prioridades do Plano Energético vão para onde se investe o dinheiro. E o dinheiro vai para o petróleo. Mas que política é essa que o governo não consegue dizer se é viável, se vai dar retorno? Vamos gastar 749 bilhões no pré-sal. Estamos destinando todo o recurso do país para investir num combustível do passado, enquanto o país tem alternativas possíveis. Mas novos paradigmas não são considerados. Vamos discutir se ferrovia é uma alternativa viável? Não, isso não interessa”, contestou Sérgio Leitão.
Eu não sei se alguém transcreveu errado, mas vindo dos ecochatos, acho que não. Então, se entendi bem (o texto está em algo parecido com português), nada de investir em petróleo. Afinal, temos alternativas possíveis, como o... a... Mas deve ser pessimismo meu, pois podemos abandonar o petróleo, a exemplo de... de quem mesmo? Ah é, nenhum país do mundo abandonou o petróleo. 
Outro ponto criticado foi a flexibilização, por parte do governo federal, das normas de licenciamento para liberação de empreendimentos de infraestrutura. De acordo com o diretor do Greenpeace, o Plano Decenal de Energia do Ministério das Minas e Energia para o período de 2011 a 2021 prevê que uma área de 6.456km2 será inundada para viabilizar o fornecimento de energia para as 34 novas usinas hidrelétricas no país. Segundo ele, isso equivale ao somatório dos territórios de dez capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Recife e Maceió.

“Grandes reservatórios inundam as terras onde vivem milhares de pessoas, destruindo suas vidas, seus projetos de futuro. O Brasil vive um paradoxo. É na democracia que se destrói a lei, porque não se tem a capacidade para fazê-la ser cumprida. Assim foi com o Código Florestal, e assim será com o licenciamento de grandes empreendimentos”, completou Sérgio Leitão.
Babe deve ter notado que falou algumas coisas sérias que contrariam a ideologia ambientalista e ficou com medo de perder o emprego. Daí desandou a falar bobagens. E como agradar o patrão? Dá porrada nas hidrelétricas. Afinal, essa é a ideologia que eles defendem aqui. 
O que eles não gostam é de fazer cálculos. E não gostam que vocês façam também, por isso usam essas comparações do tipo "aqui cabem 5 cidades", como se eles fossem apoiar a construção de uma cidade. Mas comparar a área de hidrelétricas com as capitais, tem mais efeito que afirmar: a área atingida pelas hidrelétricas equivale à área onde vivem 497 putilhões de mosquitos ou 3 montilhões de ratos. Afinal, quem apóia o Greenpeace normalmente mora nas cidades, e nunca conheci alguém que gostasse de mosquitos ou ratos (aposto que nem o pessoal do MAB gosta deles, e eles odeiam hidrelétricas).
Utilizando a área apresentada no texto a ser inundada (6.456 km²) e dividindo pelo total da área brasileira segundo o IBGE, de 8.515.767,049 km², isso quer dizer que em 10 anos serão utilizados absurdos 0,076% da área do país para atender 100% da população e das atividades econômicas que precisam de energia. A mim não parece muito. Eu empenharia 0,076% do meu apartamento para garantir energia elétrica por 10 anos. Trocaria sem dúvida o vaso de plantas na sacada (que só dá trabalho) por 10 anos do ar condicionado, que me ajuda a trabalhar, dormir e manter os mosquitos longe. 
Mas o discurso não parou por aí. Como já estava todo atrapalhado, Leitão resolveu chafurdar na pocilga do "pensamento" ambientalista e soltou a pérola "É na democracia que se destrói a lei, porque não se tem a capacidade para fazê-la ser cumprida. Assim foi com o Código Florestal, e assim será com o licenciamento de grandes empreendimentos”. Ou eu e todos os autores que li estamos enganados, ou na democracia as leis são alteradas de acordo com os anseios da sociedade, por meio das instituições. Falar que o Código Florestal foi destruído é de uma infelicidade incrível, assim como supor que o licenciamento de grandes empreendimentos é fácil ou flexível. A fala do Babe do Greenpeace demonstra toda a inexperiência que ele tem com licenciamento ambiental. 

Contradição documentada
Quem já leu qualquer outro texto meu sobre ambientalismo verá que não há novidade alguma em ambientalistas falando bobagem. Claro que aparece uma coisa ou outra de novidade, mas normalmente os mantras são os mesmos "salvem isso", "protejam aquilo", "nos deem mais dinheiro", "proíbam algo que o pessoal precisa" ou "vamos pôr um imposto em algo que as pessoas gostam". A novidade foi ver um membro do Greenpeace (um diretor) falando em derrubar árvores na Amazônia e queimar lixo para gerar energia elétrica. 
Já estava até falando com um amigo meu que trabalha com termoelétricas a biomassa, sugerindo que ele anexasse a fala de Leitão nos estudos ambientais de seus empreendimentos (Greenpeace apoiando biomassa, essa é nova); quando me deparei com outro texto no site do Greenpeace sobre incineração, no qual lê-se:

DEMANDAS DO GREENPEACE 
Os seguintes pontos devem estar presentes nas estratégias para estímulo à prevenção, reutilização e reciclagem, e, portanto, para a diminuição dos impactos adversos na saúde humana causados pelo manejo de resíduos: 
•  Plano de eliminação de toda e qualquer forma de incineração industrial até 2020, incluindo a incineração de resíduos sólidos urbanos.  Essa meta está de acordo com as exigências da Convenção de OSPAR de eliminação das emissões e descargas de quaisquer substâncias perigosas até 2020. [grifo meu]

Acho feio quando alguém se contradiz de uma forma tão clara e documentada. Como no caso do Greenpeace acho a contradição divertida, aqui vai outro link onde se lê os pais de Babe em campanha contra a incineração. Nesse, o título já entrega: "Lixo: Incineração não é a solução". 
Suspeito que Babe vai para a fila do seguro-desemprego, e não pelas bobagens que falou sobre democracia ou por não apresentar nenhuma idéia para substituir o petróleo, e sim pelos mesmos motivos com os quais concordei em alguns pontos com ele: ele quer beneficiar a população. Se o pior acontecer, eu me prontifico a indicar um amigo meu que trabalha com biomassa. Se precisar, Babe, deixa um comentário aqui no blog.

O que quer o Greenpeace?
Lamento informá-los que não tenho uma resposta com certeza para a pergunta acima. Porém eu tenho uma  hipótese razoável. Os ambientalistas em geral gostam de dizer que ninguém atua para proteger o ambiente. Eles criticam os órgãos ambientais, os empreendedores, os técnicos, o governo, a população e até mesmo outras ONGs (brigam até entre eles). E o fazem com um propósito específico: se apresentar para a sociedade como se fossem os únicos preocupados com o ambiente. Assim, inviabilizam o debate, apresentando somente suas idéias como se fossem a verdade absoluta. O Greenpeace é especialista nisso. Arrisco dizer que eles tem mais gente trabalhando em divulgação e propaganda que realizando estudos técnicos sérios. 

Na contramão da sociedade
O Greenpeace bola tantas campanhas para aproveitar a comoção da vez que nunca se aprofunda em nenhum assunto, ou consegue qualquer benefício palpável para a sociedade ou mesmo para o ambiente que eles pregam defender. Mas a organização só cresce, movida a ideologia barata, mistificação e campanhas mentirosas. O objetivo deles está sendo alcançado. Já os da população são secundários. Na visão deles, a população não sabe o que quer. Quem sabe são os iluminados das ONGs, que querem mandar na sua vida.
Aposto que os amazônidas preferem energia elétrica confiável e barata, resolvendo os problemas dos lixões e criando empregos na geração de biomassa que o proselitismo das campanhas que hoje são a principal atividade das ONGs. Infelizmente, isso não acontecerá enquanto as ONGs em geral e o Greenpeace em particular não trocarem a ideologia pela ciência, a mistificação por dados e as campanhas por estudos. Por enquanto, eles preferem tratar a nós como animais irracionais, e nossos ouvidos como esterqueiras.