sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quem é nazista?


Mal publiquei o texto em que falava que os democratas do "Movimento Arena Não" flertam mais com a ditadura que o pessoal da Arena, e o que acontece? Vejam na figura abaixo:

Uma campanha para queimar "literatura subversiva"?? Notem que a postagem, como o próprio autor fala, só foge "um pouco do tema do movimento". E isso vindo exatamente de quem? Daqueles que acusam o pessoal da Arena de nazistas e fascistas. Me lembrei dessa outra foto de um pessoal que queimava publicações com as quais não concordavam. 

Alemanha, 1933.
Uma dica: o líder desses da foto acima se chamava Adolf. 
Quem é o nazista agora?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Acuse-os do que você faz

Hoje descobri que existe na internet um tal "Movimento Arena Não". Ele é uma reação à criação (ou recriação) da Aliança Renovadora Nacional, ou ARENA, partido político da época dos governos militares do século passado. 
Já o pessoal do Movimento ARENA Não diz que a fundação do partido é uma "agressão psicológica" às vítimas do regime militar. Além disso, os idealizadores dizem que são apartidários, que seu "partido é a democracia", como pode ser visto na figura abaixo:

Descrição do Movimento ARENA Não, direto de sua página no facebook.

Olhando o estatuto do partido, eu não concordo com um monte de pontos que eles defendem, porém acho salutar que existam mais partidos de direita. Pessoalmente, concordo mais com os libertários, apesar de não ser filiado a nenhum partido. Se alguém quiser dividir ainda mais o já saturado espectro esquerdista, que crie mais partidos de esquerda também. A divergência é característica de democracias. E convenhamos, esse papo de "agressão psicológica" somente pela existência de um partido com o nome ARENA parece coisa do pessoal que defende a PLC 122 (com respeito a todos os gays por aí que não são anti-democráticos). 
Quando se fundaram os trocentos partidos de esquerda do país (praticamente todos), não houve qualquer reação. Nenhuma manifestação. Ninguém quis proibir que esses partidos existissem, apesar de alguns partidos se dedicarem mais ao roubo de dinheiro público que à representação de uma parcela da população. Afinal, democracia é legal para os "companheiros". Mas quando é para a direita, não serve, né?

As críticas à presidente
Alguns criticam o partido simplesmente pelo fato da presidente e fundadora da nova ARENA, Cibele Bumbel Baginski, ser jovem demais (23 anos), apesar de ter maioridade legal para fundar o partido. Não sei (e admito) se a tal menina não possui bagagem suficiente para compreender exatamente o que ela está fazendo ou se ela é um gênio da política. Porém, ela tem todo o direito de fundar um partido com o nome que quiser e bem atender, desde que atendidos os requisitos legais. Ainda que eu, você ou os esquerdinhas não concordem com nada que o partido propõe.
Gisele também foi criticada pois é bolsista do Prouni. Na "argumentação" de alguns energúmenos, ela não poderia ser contra cotas se é beneficiada por um programa governamental que também possui cotas. Ora, pensem comigo (é de graça):

  • Se o pagamento por um determinado serviço é compulsório, não há absolutamente nada de errado em um cidadão que paga por este serviço utilizá-lo. E aí entram SUS, defensorias públicas, atendimento policial, estradas, e por aí vai. 
  • Não há nada que impeça uma pessoa de defender pacificamente que o Estado pare de bancar educação pública, saúde pública, previdência pública. 

Ora, que contradição há em pagar por algum serviço, e de fato utilizar aquele serviço ou benesse? Dadas as práticas comuns à companheirada brasileira, daqui a pouco vão fazer um dossiê com todas as vezes em que a menina foi atendida em um hospital do SUS.

Fascistas! Quem?
Vejam a figura abaixo, direto da página do movimento contra a ARENA:

Tortura? Só contra a língua portuguesa.

Uma das taras esquerdistas mais frequentes quando querem ofender alguém é rotulá-los de fascistas ou nazistas. Ora, qualquer um com meio cérebro e algum conhecimento de política e história sabe que os nazistas e fascistas eram de... esquerda! 
Isso é somente mais uma instância da aplicação da máxima de Lênin: "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é!" Se alguém no espectro político possui afinidades com o fascismo, seria a esquerda. 

Liderando pelo exemplo
O pessoal desse movimento fala que não é contra o partido em si, mas contra o uso do nome "ARENA". Contudo, na página do ato do movimento, adivinhem:

Só eu li "Ato contra a refundação do partido Arena"?
Como eles são muito democráticos e tolerantes, não se furtam a mostrar isso ao mundo:

Ele realmente acha que a direita é fascista.
"Contra meus desafetos, o pau de arara." Uma prática bem democrática. 

Acuse-os do que você faz
Esse povo do movimento quer impedir a criação de um partido cuja ideologia eles não concordam. Contudo, impedir a criação de um partido contrário a seus ideais é uma prática típica de... ditaduras!
Fundar um partido com o nome de ARENA pode até ser um nome de mau gosto. Não é o primeiro. O Partido Progressista não tem nada de progressista nele, exceto a progressão logarítmica do saldo das contas do Maluf. Eu acho de muito mau gosto, por exemplo, que a última vez que o presidente de honra do Partido dos Trabalhadores trabalhou de verdade foi na época da ditadura. Alguns apontam que nem naquela época ele trabalhava muito.
Na página do movimento contra a ARENA, é repetida várias vezes a frase "Pense, ainda não é ilegal". Isso vem do mesmo pessoal que acha que o fascismo foi de direita, que o pau de arara é ícone da livre-expressão democrática e que querem impedir a criação de um partido que, apesar das controvérsias, não cometeu nenhuma ilegalidade desde sua (re)fundação. Acho que a frase está incompleta. Considerando que  um dos administradores da página do "Movimento Arena Não" escreveu na página "eu, um dos administradores, não acho o socialismo a solução (embora considere uma etapa de transição para um sociedade utópica e perfeita)", imagino que a frase completa seria "Pense, ainda não é ilegal. Mas espere até criarmos nossa sociedade utópica e perfeita".
Quem lê isso pode inicialmente pensar "prefiro mil ARENAs à utopia socialista". Entre uma ditadura de esquerda e uma de direita, eu prefiro uma democracia, onde a ARENA tem o direito de existir, e mesmo os idiotas que defendem essa utopia socialista tenham o pleno direito de ser idiotas.


ATUALIZAÇÃO EM 07/12/2012 - 02:19hs
Não deixem de ler o texto que escrevi logo depois desse, com as provas das tendências totalitárias desse povinho do Movimento Arena Não.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Agradeça a esquerda

Fala-se muito mal dos parlamentares no Brasil. Com razão. Segundo reportagem do portal R7, o Congresso Nacional custou 6 bilhões de reais em 2011. Isso significa R$ 684.931,51 por hora. E isso contando as 8.760 horas do ano, não aquelas 150 horas em que os parlamentares trabalham (estou sendo bonzinho).
Essa semana descobri que há uma página no site da Câmara em que há enquetes para que os visitantes dêem sua opinião sobre a pauta da Câmara. Apesar das perguntas ali expostas se referirem a uma reduzidíssima parcela do putilhão de projetos de lei que tramitam na casa, imagino que se tratem daquelas em que teoricamente a população teria mais interesse. O site, para quem quiser visitá-lo, está nesse link.

É só porcaria
Vejamos abaixo alguns dos projetos de lei que a agência de notícias da Câmara achou que seriam de maior interesse do público (os projetos vão em vermelho, meus comentários em preto): 
  • Incentivo ao uso de bicicletas (PL 6474/09): cria o Programa Bicicleta Brasil, exigindo que todas as cidades com mais de 20 mil habitantes tenham ciclovias e bicicletários.
É ridículo ter que falar isso, mas cada cidade que resolva seus problemas da forma que achar melhor. O deputado Jaime Martins (PR-MG), proponente dessa bobagem, acha que como toda cidade de mais de 20mil pessoas é igual, todas tem os mesmos problemas, para os quais, obviamente, ele tem a solução: criar ciclovias e bicicletários. Esse mané deve ter viajado para a Europa (provavelmente com o nosso dinheiro), visto umas ciclovias e bicicletários e pensado: "pô, que legal, vou obrigar todo mundo lá na Banânia a fazer o mesmo". Já de onde saiu o número mágico de 20 mil pessoas não sei. Mas pelo que vi nos dados do último Censo, isso significa que "somente" 1.651 municípios brasileiros terão que se adequar. Com o nosso dinheiro. 
  • Proteção de participantes de reality shows (PL 2812/11): proíbe as emissoras de rádio e televisão, inclusive as TVs por assinatura, de exibir situações humilhantes e degradantes em reality shows?
O deputado Edson Pimenta (PSD-BA), que provavelmente nas próximas eleições concorrerá "em defesa das periguetes, sub-celebridades, e aspirantes a sub-celebridades" quer proteger aquela parcela da população que se submete a sua própria ridicularização em rede nacional. Ora, se for para impedir que pessoas ignorantes, iletradas e sem nada na cabeça sejam humilhadas em cadeia nacional de rádio e televisão, as primeiras coisas a proibir seriam a TV Câmara e a TV Senado. 
O maior reality show da TV brasileira são a TV Câmara e a TV Senado. E convenhamos, nela também há um monte de imbecis que se humilham e degradam em cadeia nacional. Mas não é tão divertido quanto os outros reality shows, pois nesse somos lembrados que todos nós pagamos diretamente por uma programação de terceira categoria.  
  • Criminalizar flanelinhas (PL 2701/11): criminaliza a ação de flanelinhas e guardadores de carro?
Eu também detesto flanelinhas. Porém, se as polícias não conseguem prevenir furtos de veículos nem capturar os criminosos, como o deputado Fabio Trad ( PMDB-MS) sugere que elas prendam todos os flanelinhas? Coisa típica de quem ouviu o motorista (que nós pagamos, claro) reclamar dos flanelinhas e pensou "farei algo a respeito". 
Ora, se um flanelinha toma alguma ação ilegal, como ameaçar ou agredir o condutor, ou mesmo danificar o veículo, qual dessas ações não está prevista no Código Penal? Acho que o deputado não lê as bobagens que o estagiário do gabinete escreve, daí acaba apresentando uma coisa dessas.
  • Direito de greve para os servidores públicos (PL 4497/2001)?
É uma opinião controversa, mas eu defendo o direito de quem não está satisfeito procurar outro emprego. Já expus essas opiniões em outro texto. Regulamentar a greve de servidores públicos é legitimar e piorar a bandalheira já existente. Repito: não está satisfeito com seu emprego? Arrume outro. Ou então admita que você é incompetente demais para disputar uma vaga na iniciativa privada e se conforme em ser um barnabé privilegiado com estabilidade pelo resto da vida (que problema, né?).
Servidor público em greve? Greve, por exemplo, dos servidores do Ministério do Trabalho em busca de melhores condições? Isso é tão ridículo que nem vou me estender sobre o assunto.
  • Sacolas plásticas (PL 612/07): obriga supermercados a substituir sacolas plásticas convencionais por sacolas biodegradáveis?
Ai que preguiça. Já falei tanto disso (aqui e aqui) que estou meio saturado do assunto. Fui ler as justificativas para o projeto do deputado Flávio Bezerra (PMDB-CE), que tem como objetivo, segundo texto por ele apresentado: "substituir as sacolas de plástico convencional por sacolas de plástico oxi-biodegradáveis, uma vez que as sacolas convencionais não são recicláveis, e, portanto são considerados os maiores poluidores de nosso meio ambiente." Aprendi que as sacolas plásticas convencionais são "os maiores poluidores do nosso meio ambiente" (o erro de concordância é do original). Fico feliz em saber disso.
Então se acabarmos com as sacolas "convencionais", o deputado promete que tanto ele quanto seus colegas parlamentares, ongueiros, ecochatos (múltipla escolha) param de encher nosso saco com desmatamento, agrotóxicos, transgênicos, Belo Monte, e essa palhaçada toda? Se ele prometer isso, eu paro de usar sacolas plásticas "convencionais". 
  • Lei do Salto Alto (PL 1885/11): proíbe a venda de sapatos femininos com salto alto para crianças?
Dizem que o Brasil é o país da piada pronta, e esse é um caso claro. Eu juro que não inventei isso só pra adicionar comicidade ao texto. Vejam na página da Câmara. 
O deputado Décio Lima (PT-SC), muito preocupado em "zelar pela proteção à saúde e à segurança de nossas meninas", propõe (é sério, juro, o texto está nesse link) proibir a venda de sapatos com salto alto para infantes.
O que o deputado esquece é que essas crianças, que suponho não sejam crias do meretrício  (a exemplo de muitos dos pares do deputado), possuem pais. Então, deputado, confie nos pais e deixe que eles decidam o que é melhor para suas crianças. Nem todos são tão irresponsáveis quanto seu eleitorado.


O que vemos nos projetos de lei acima é só porcaria. Os porcos nos dão lombinho, costelinhas e bacon. Também nos presenteiam com bastante matéria fecal. Já os deputados dessas propostas ficam só na matéria fecal.

Falta senso de ridículo
Qual o ponto comum entre todas as propostas acima? O fato que todas as propostas possuem um viés esquerdista. Todas querem que o Estado faça "mais", quando ele sequer faz o mínimo. Que por sinal, era só o que deveria fazer.
Pelo que vai nas propostas acima, parece que os parlamentares, quanto mais fazem, mais pioram as coisas. Enquanto os parlamentares discutem o salto alto para crianças e a instalação de ciclovias, não se fala em reforma tributária. Reforma política então, nem de longe. Afinal, pra que mudar um sistema que permite que os parlamentares gastem nosso dinheiro com propostas idiotas como as acima e saiam ilesos?
Minha sugestão era que cada cidadão deveria ter como hobby ridicularizar um parlamentar por mês. Já seria suficiente para eles pararem com essas porcarias.

Falta direita no país
Como já está claro em um dos textos mais lidos do blog:
A esquerda prega o "bem comum" através da centralização do poder nas mãos de um Estado gigantesco, onipresente e controlador, a direita acredita no poder de realização e liberdade individuais, que cada pessoa tenha liberdade para seguir seus próprios interesses.

A esquerda prega o controle ferrenho do mercado em nome do "bem comum", a direita acredita que cada um sabe o que é melhor para si e é capaz de gerir seus recursos em prol de si próprio e sua família.

A esquerda prega que "intelectuais" esclarecidos, benevolentes e bem intencionados sabem o que é melhor para a sociedade inteira, a direita acredita que cada indivíduo é capaz de cuidar de sua própria vida.

A esquerda prega que a moralidade do Estado deve substituir e sobrepor-se a quaisquer valores da sociedade, a direita acredita que os valores judeo-cristãos serviram à sociedade ocidental muito bem até agora.
No Brasil esquerdista, sem qualquer oposição ideológica significativa, o que vemos é isso aí. Propostas inúteis, absurdas, que não somente diminuem a estatura moral do Congresso, mas diminuem a moral e o bem estar de qualquer um que esteja consciente que paga caro por isso. E sem dúvida, cada uma dessas propostas irá precisar de mais dinheiro para o Estado. Dinheiro seu, que concordando ou não com esse texto ou com as propostas acima, vai pagar por essa coisa toda.
As pessoas podem não saber em quem votar -- a julgar pelo fato que os nem-tão-ilustres acima foram eleitos -- mas sabem de uma coisa: elas querem seu dinheiro, o fruto de seu trabalho, em seus bolsos -- não na conta do governo. Afinal, ninguém sabe melhor do que eu preciso que eu mesmo. E ninguém sabe melhor do que você precisa que você mesmo. Infelizmente, até onde sei não temos um parlamentar sequer que defenda reduzir o Estado e dar mais liberdade de decisão para o indivíduo. Liberdade para colher os frutos do seu sucesso, e ter de arcar com as consequências de seu fracasso, se for o caso. Países sérios são assim. Já nas repúblicas bananeiras, como o Brasil, trata-se o cidadão como um incapaz, que precisa viver sob a tutela do Estado. 
Nesse conto de fadas às avessas que é o Brasil, sustentamos o lobo mau, entregamos o fruto de nosso trabalho a ele, e somos gratos quando ficamos com as migalhas. Agradeça a esquerda.