segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rejeitados nº2: Movimento Passe Livre: pombos jogando xadrez

Mais um texto da série de artigos que escrevo pros jornais de SC e que (quase) invariavelmente são rejeitados. Esse trata de uma ocorrência em que os democratas do Movimento Passe Livre, como bem escreveu o pessoal do Laranjas, despejaram "20 quilos de ideologia de esquerda na escadaria da Prefeitura de Florianópolis". Para saber mais sobre o assunto, vocês podem consultar esse link ou esse link.
Para sua informação, esse artigo foi escrito em meia hora no dia 07/11/2013 e enviado logo a seguir para o Diário Catarinense, que imagino não tenha gostado muito dele. O artigo é pequeno pois o DC pede que os artigos tenham bem menos caracteres que eu teria usado se fosse criticar esse pessoal sem limite de tamanho.


Movimento Passe Livre: pombos jogando xadrez

Em uma ação que representa um novo ponto baixo na política da capital catarinense, meia dúzia de elementos do Movimento Passe Livre (MPL) vandalizaram a escadaria da Prefeitura Municipal. Segundo esses primados da democracia, a ação seria uma retribuição ao que recebem diariamente. 
Ao observador atento, a ação não deveria causar qualquer espanto. É somente a materialização do melhor que o grupo tem a oferecer à cidade. Afinal, ao longo de todos os anos de existência do grupo, sua produção intelectual se confundiu com produção intestinal em todas as suas ações. Afinal, o que esse grupo já fez pelo cidadão comum a não ser causar transtornos? Entre fechamento de terminais, paralisação de ruas, depredação de patrimônio público, badernas em vias públicas e confrontos urbanos, qual foi, objetivamente, o benefício que a população teve por conta das ações desse grupo?
Sua única proposta, a tarifa zero no transporte público, ignora um princípio básico de economia: não existe almoço grátis. Hoje, quem utiliza o transporte público paga pelo serviço (subsidiado, diga-se de passagem), conforme seu uso. No caso da tarifa zero, todos pagariam a tarifa do transporte público, quer o utilizem ou não. Ainda que o caso do transporte “socializado” seja uma reivindicação setorial, não se pode esquecer que outras nações, em outras épocas, já tentaram esse modelo de gestão estatal na qual o produto do trabalho do cidadão era administrado por um governo central. As nações que adotaram essas práticas acabaram em miséria: material, moral, e cultural. 
Se a ação do MPL passa uma mensagem, é essa: o MPL não é um interlocutor aceitável. É como um pombo jogando xadrez: não sabe o que está fazendo à mesa, derruba as peças, defeca no tabuleiro e ainda sai de peito estufado.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ativistas? Não: piratas! Inocentes? Não: adultos!

Um dos assuntos mais entediantes do noticiário é a detenção de 30 ecochatos do Greenpeace pela marinha russa. Eles foram detidos e conduzidos à Rússia, onde aguardam julgamento por pirataria.
O Greenpeace começou uma campanha pela libertação dos 30 ongolóides, com o argumento que eles foram presos injustamente. Eu já cansei de falar que o Greenpeace mente, mas lá vou eu para mais um texto batendo no mesmo assunto.

Ativistas ou piratas?
Kumi Naidoo, o atual guru do Greenpeace, afirmou o seguinte:
“Hoje faz 30 dias que nosso navio foi apreendido e nossos 30 amigos foram presos. Agora, eles enfrentam a absurda acusação de pirataria..."
Como eu acho que até contumazes imbecis tem direito ao benefício da dúvida, fui atrás da definição de pirataria. Encontrei um ótimo artigo de Daiana Seabra Venancio, publicado na Revista da Escola de Guerra Naval (íntegra aqui) que define o que é pirataria marítima. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar de 1982:

“ARTIGO 101 - Definição de pirataria

Constituem pirataria quaisquer dos seguintes atos:

a) todo ato ilícito de violência ou de detenção ou todo ato de depredação cometidos, para fins privados, pela tripulação ou pelos passageiros de um navio ou de uma aeronave privados, e dirigidos contra:
i) um navio ou uma aeronave em alto mar ou pessoas ou bens a bordo dos mesmos;
ii) um navio ou uma aeronave, pessoas ou bens em lugar não submetido à jurisdição de algum Estado;
b) todo ato de participação voluntária na utilização de um navio ou de uma aeronave, quando aquele que o pratica tenha conhecimento de fatos que dêem a esse navio ou a essa aeronave o caráter de navio ou aeronave pirata;
c) toda a ação que tenha por fim incitar ou ajudar intencionalmente a cometer um dos atos enunciados nas alíneas a) ou b).”
Então vamos dar uma olhada se os "ativistas" estavam praticando pirataria ou se foram presos só por estar passeando no Ártico.

Créditos da foto: Greenpeace.
Reparando na foto, nota-se que os "ativistas" do Greenpeace estavam tentando embarcar sem serem convidados na embarcação russa. Notem o jato de água vindo da parte superior da fotografia. Até onde sei, uma mangueirada de água fria não é uma das formas de convidar alguém para entrar em sua propriedade privada. Nem aqui, nem na Rússia.
Estranhamente, além da foto, o próprio Greenpeace postou um vídeo que prova que seus "ativistas" estavam abordando a embarcação russa sem serem convidados. 


Apresentadas as provas (produzidas pelos réus, diga-se de passagem), se o júri dos meus seis leitores me permitir, passarei a tratar os supostos "ativistas" pela denominação que os atribui a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar: piratas.

Estado ongueiro é Estado burro
O G1 está dando bastante atenção para o assunto (será que foi lá que o Cláudio Ângelo pousou?), onde encontrei a notícia que a Holanda pediu a liberação dos ativistas piratas:
A Holanda iniciou uma ação judicial por considerar que Moscou deveria ter pedido sua permissão para deter a embarcação do Greenpeace, que navegava com uma bandeira holandesa.
Vamos às falácias:
1) Caso a embarcação estivesse em águas territoriais russas, não há nenhuma obrigação da Rússia de pedir permissão para deter uma embarcação de qualquer bandeira. Porém, tudo indica que a embarcação estava em águas internacionais, o que nos leva ao ponto seguinte;
2) Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar de 1982:

“ARTIGO 105 - Apresamento de um navio ou aeronave pirata

Todo Estado pode apresar, no alto mar ou em qualquer outro lugar não submetido à jurisdição de qualquer Estado, um navio ou aeronave pirata, ou um navio ou aeronave capturados por atos de pirataria e em poder dos piratas e prender as pessoas e apreender os bens que se encontrem a bordo desse navio ou dessa aeronave. Os tribunais do Estado que efetuou o apresamento podem decidir as penas a aplicar e as medidas a tomar no que se refere aos navios, às aeronaves ou aos bens sem prejuízo dos direitos de terceiros de boa fé.”
Opa, então isso quer dizer que, SE os ativistas piratas do Greenpeace estavam em alto mar ou fora da jurisdição de qualquer Estado, então, qualquer Estado pode apresar o navio pirata. Nesse caso, do que a Holanda está reclamando? Pelo visto a "onda verde" na Holanda saiu das "coffee shops" e já se alastrou pela diplomacia. Ou os diplomatas holandeses aderiram a uma droga bem pior: o onguismo bocó.

E o Brasil com isso?
Essa prisão corretíssima da Rússia só vem ganhando uma cobertura tão extensa no Brasil porque um dos piratas presos é uma senhorita de nacionalidade brasileira. Ana Paula Alminhana Maciel, bióloga, foi detida pelos russos. Como nenhuma estupidez que acontece no mundo passa sem apoio brasileiro, começou por aqui uma campanha para que as nossas autoridades atuassem a favor da liberação de Ana Paula. Afinal, quem não se comoveria com a foto abaixo, de Ana Paula, tadinha, enjaulada injustamente somente por ter defendido aquilo em que acreditava, sem nenhuma noção do que fazia?

"Me salva mamãe!!"

Além de mim, aparentemente mais ninguém. Então, atendendo ao instinto materno, que fez a mãe de Ana Paula? Procurou o ilustre Tarso Genro. Afinal, ninguém melhor para tratar uma pirata como "ativista" que aquele que trata assassino por "preso político". O assunto tomou tal proporção que até a presidente Dilma (terrorista da VAR-Palmares, ou na novilíngua petista: "presa política") resolveu interceder pela moça. Segundo informa novamente o G1, Dilma mandou o Itamaraty dar assistência para Ana Paula
Ora, mas por que motivo deveria o Itamaraty dar assistência para Ana Paula? Ela foi presa injustamente? Já mostrei que não. Ela teve seus direitos humanos violados? Segundo sua mãe: 
"Na maneira do possível ela está bem. Não está sendo maltratada. Disse que sai para caminhar uma hora por dia, e que o Greenpeace está dando toda a assessoria da parte higiênica e coisas para eles comerem fora do horário. O Greenpeace está fazendo tudo que você possa imaginar. Ela está tentando, na maneira do possível, passar o tempo lendo e escutando música"
Convenhamos, se passar o tempo lendo e escutando música for violação de direitos humanos, eu tenho que ser indiciado ao Tribunal de Haia por crimes contra mim mesmo, de tanto que a prisão dela se parece com meus finais de semana. 
Então, só imagino, como afirmei anteriormente, que as autoridades estejam defendendo Ana Paula porque ela está realmente arrependida, não? Vejam o arrependimento abaixo:
Mensagem por clemência: "Save the Arctic!"
Infelizmente, caro leitor, não me parece ser o caso dela pedir clemência. Essa foto acima é de Ana Paula na audiência na qual pedia para responder o processo em liberdade. Na verdade, o escárnio à corte russa, o sorriso mal contido por estar frente às câmeras da imprensa permite inferir que aquele momento será mais um troféu, mais uma das memórias que Ana Paula guardará na memória como uma de suas vitórias. Ora, se ela está tão a vontade para zombar da corte russa na audiência que definiria sua liberdade, alguém ainda acha que tanto a pirata quanto o Greenpeace tem algum interesse em sua liberdade? Do ponto de vista da causa que ambos defendem, quanto mais tempo ela permanecer presa, melhor. 
Objetivamente contribuindo para a estratégia de divulgação do Greenpeace estão os pais de Ana Paula. Aparentemente, o que eles querem é a filha de volta. Contudo, as reportagens que tratavam da família de Ana Paula permitem um insight nas práticas da menina que virou pirata. Uma das reportagens tem como título: "Mãe de brasileira detida na Rússia diz que Greenpeace é a profissão da filha". A mesma reportagem informa sobre Ana Paula:
Tripulante de embarcações do Greenpeace desde 2006, a bióloga foi detida na segunda viagem que fez pela ONG ambientalista, no Caribe, durante um protesto do Greenpeace contra a caça de baleias.
outra reportagem apresenta as seguintes informações:
Mas, como já lembrou Rosângela Maciel, a ausência nunca foi empecilho para que mãe e filha se entendessem: as duas já ficaram três anos e meio sem se ver, quando Ana Paula se casou com um ambientalista italiano e decidiu morar em Portugal, onde o casal comprou uma quinta na vila de Vale dos Prazeres, a oeste de Lisboa, e chegou a sonhar em fincar raízes. Lá, os dois começaram a cultivar o solo e a plantar oliveiras. Mas o ativismo de ambos – e as viagens, especialmente de Ana Paula – fez com que a empreitada não desse certo. O casamento se desfez em quatro anos.

...

Apenas uma vez na vida teve uma atividade formal, quando atuou como estagiária na Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre em equipes de prevenção à dengue. O estágio era obrigatório.
Não sei se vocês tem a mesma impressão que eu, mas me parece que Ana Paula nunca foi uma moça lá muito "famíia", nem muito chegada em trabalho. A vocação dela, me parece, era a pirataria travestida de ativismo. Porém, como toda mãe morre de amor pelos filhos, lá vai a mãe de Ana Paula pedir:

Dona Rosângela quer sua menina de volta. Quer aquela menina que com 15 aninhos levava os bichinhos da rua para casa. Aquela menina não existe mais. Ana Paula é uma mulher adulta: formada, viajada, casada, divorciada. Que decidiu virar pirata por sua conta e risco. A Ana Paula de hoje, a que zomba da corte russa, a que sorri ao "dar sua mensagem" na audiência em que podia ser libertada, não é mais a menina que fez um minizoo na casa da família. Ela é a adulta criada por sua mãe como a própria Dona Rosângela admite:
- Eu nunca questionei a vocação dela, nunca critiquei as opções que fez e nem usei a minha preocupação, de mãe, para estimulá-la a mudar de ideia. Sempre dei força para que seguisse o seu caminho, fosse qual fosse – diz a mãe.
Que Ana Paula sofra as consequências das escolhas que fez. E Dona Rosângela, não se finja de inocente. Quem apóia a vocação da filha para o banditismo não pode reclamar das consequências.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rejeitados nº1: O fim da moratória à construção civil

Resolvi postar aqui os artigos que os jornais de SC rejeitaram. Como são artigos para jornais de circulação regional, a maioria dos artigos trata de questões de Florianópolis e região. Também tenho que seguir as limitações de caracteres dos veículos onde pretendia publicá-los. Eles podem estar desatualizados, pois tratam de notícias da época em que foram escritos.
Não sei porque os artigos foram rejeitados: conteúdo em desacordo com a linha editorial, linguagem forte, ou simplesmente por estarem mal escritos. Julguem por si mesmos.
O artigo abaixo foi escrito em 14/03/2013.


O fim da moratória à construção civil

Circulam nas redes sociais manifestações contrárias ao fim da moratória à construção civil em Florianópolis, determinada pelo prefeito César Souza Jr. Dizem os cidadãos que defendem a moratória que é necessário mais planejamento, que o prefeito não está cumprindo as promessas de campanha, e que está beneficiando o setor da construção civil.
A moratória de fato prejudica aqueles empreendedores que atuam de forma irregular ou buscam benesses do poder público de formas ilícitas. Porém, para quem atua na ilegalidade, um ou outro revés é esperado. Assim como o traficante prevê que certas quantias de drogas ou dinheiro serão confiscadas pela polícia, o empreendedor que atua na ilegalidade já espera perder algumas batalhas.
Quem defende a moratória está tão focado nas ilegalidades que deixa de enxergar todo o resto dos empreendedores que atuam na mais estrita legalidade. E esses que atuam de forma honesta e idônea, que não esperam um revés quando agem corretamente, são os reais prejudicados. 
Reivindicar que promessas de campanha sejam cumpridas é um direito do eleitor, assim como querer o melhor para sua cidade. Porém, esse direito do cidadão não pode se contrapor aos interesses legítimos de pessoas físicas e jurídicas que sigam as leis e normas estabelecidas.
Nenhum cidadão honesto é contra punir quem age na ilegalidade. Se há irregularidades em alvarás, licenças ambientais, zoneamento irregular ou beneficiamento de uns e outros, que essas irregularidades sejam apuradas e os responsáveis punidos.
Eu não tenho uma solução simples e fácil para o problema. Mas sei que qualquer solução aceitável não pode prejudicar quem age corretamente para punir quem está na ilegalidade.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Eletrobrás perde 10 maracanãs em 3 meses: é campeão!

Muita gente está por aí falando das perdas de capital das empresas do grupo X, do controvertido empresário Eike Batista. Uma notícia do G1 publicada na quarta-feira (27/03) apresenta:
O prejuízo consolidado das empresas de capital aberto do grupo EBX, do empresário brasileiro Eike Batista, no ano de 2012 foi de R$ 2,51 bilhões. A OGX acumulou as maiores perdas no período, de R$ 1,13 bilhões, aponta levantamento divulgado nesta quarta-feira (27) pela consultoria Economatica.
Parece muito? De fato é. Ainda mais quando se trata de empresas que emprestaram dinheiro público a juros camaradas, para depois apresentar resultados pífios. É prejuízo atrás de prejuízo. Eike adora siglas, mas umas mais que outras: IPO, PT, BNDES. 

Prejuízo pouco é bobagem
Essa notícia acima, coitada, durou pouco mais de um dia. Vejam a que saiu na Veja Online nesta quinta-feira (28/03), de que reproduzo trechos abaixo:
O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afirmou nesta quinta-feira que os efeitos da mudança do marco regulatório do setor elétrico provocados pela Medida Provisória 579 geraram perdas contábeis de 10 bilhões de reais para a empresa. Segundo ele, essas perdas contábeis ou ajustes patrimoniais podem ser divididos em quatro grupos. Do total, 3,044 bilhões de reais dizem respeito à diferença entre o valor contábil das usinas cuja renovação da concessão foi antecipada e o critério do valor novo de mercado, usado pelo governo para indenizá-las. Outros 2,798 bilhões de reais são para o cálculo sobre as usinas cuja concessão ainda não venceu.
"A contabilidade olha para frente também, e o efeito dela no futuro tem que ser jogado agora", afirmou Carvalho Neto. Outros 3,082 bilhões de reais se deram por contratos onerosos, que a empresa pretende repassar para órgãos correspondentes e 1 bilhão de reais diz respeito a valores que antes eram considerados investimentos e hoje são avaliados como despesas.
"Isso tudo é em razão da nova lei, mas agora limpamos nosso balanço para o resto da vida. O balanço foi adaptado para novas condições não só para as usinas cuja concessão foi renovada, mas também para as futuras", disse Carvalho Neto.
Costa também aproveitou a entrevista coletiva à imprensa para comentar que tanto Itaipu quanto as usinas nucleares de Angra I e II bateram recordes de produção de energia no ano passado. Segundo ele, a geração de Itaipu em 2012, que foi de 98 terawatt por hora, "é a maior geração que uma empresa já fez no mundo".
Nesta quinta-feira, a consultoria Economatica divulgou levamento que aponta o prejuízo da Eletrobras no quarto trimestre de 2012 (10,499 bilhões de reais) como o maior da história de uma companhia aberta (com capital negociado em bolsa de valores).
Só pra lembrar: o prejuízo da Eletrobrás foi "o maior da história de uma companhia aberta" no país.    É o equivalente a mais de 10 vezes o custo das reformas do Maracanã. É um terço do orçamento de Belo Monte. Isso ao mesmo tempo em que a usina de Itaipu alcançou "a maior geração que uma empresa já fez no mundo". 
Só para fazer outra comparação, a denúncia da PGR diz que todo o esquema do mensalão movimentou pouco mais de 120 milhões de reais. O prejuízo da Eletrobrás foi de mais de 87 vezes esse valor! Eu já falei em outro texto que perto da grana movimentada no setor elétrico (controlado pelo PT e PMDB), a grana do mensalão é dinheiro de cachaça.

Prejuízo sim, mas em seu benefício
Carvalho Neto admitiu que grande parte do prejuízo se deve a nova regulamentação (falei dela em outro texto). E teve a indecência de tentar nos tranquilizar dizendo que "agora limpamos nosso balanço para o resto da vida". Ora, se o governo petista teve a cara de pau de mudar as regras com contratos em vigência, como o Sr. Carvalho Neto nos garante que não os mudará novamente quando precisar de um novo factóide eleitoral, ainda mais com as eleições presidenciais do próximo ano? Carvalho Neto, muito acostumado aos círculos petistas, acha que todos somos idiotas. Petistas são assim, tentam nos convencer que perderam dinheiro para nosso bem. Afinal, eles jogaram 10 bilhões no ralo, mas agora o balanço contábil está limpo. 
Quem investir na Eletrobrás depois dessa merece mesmo perder seu dinheiro.

É só um problema de gestão
Há várias similaridades entre Eike e Carvalho Neto. Vejamos algumas: 
  • Ambos trabalham com grandes quantidades de dinheiro público;
  • Ambas empresas tem capital aberto na bolsa;
  • Um monte de trouxas investiram em empresas sob a gestão dos dois;
  • Ambos são apoiados pelo PT.
Eike será criticado. Quando Eike perde dinheiro, não consegue convencer seus acionistas que isso é para o bem deles. Pra levantar dinheiro, tem que vender uma parte de uma empresa aqui e de outra acolá. De minha parte, desde que paguem o que pegaram de dinheiro público, só quero que ele e seus acionistas colham o que plantaram, que assumam a responsabilidade pelo que fizeram, tenham lucro ou prejuízo. Mas nem todo mundo pensa assim.
Aposto que entre pessoas que se dizem esclarecidas, que acompanham as notícias, boa parte delas terá algo a dizer sobre as perdas de Eike. Falar mal de rico é praticamente um esporte nacional. Ver um rico se dando mal, aí então é assunto mais comentado que o último jogo da seleção (se lembram da Daslu?). 
Agora quando uma empresa pública como a Eletrobrás (que, como o BNDES, nem deveria existir) se dá mal, ninguém fala nada. A diferença entre eles é que no quesito desperdício de dinheiro público, Eike é amador. 
Já os petistas, esses sim são profissionais. Afinal, perdem dinheiro para o bem da população. 
O que o brasileiro não entendeu ainda é que prejuízo no poder público só se resolve de uma forma: metendo a mão no bolso da população. E enquanto o povo se regozija com o tombo do Eike, os petistas nos deixam mais pobres, metendo a mão em nossos bolsos. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pela identidade negra


Do estudo da genética aprendemos que o indivíduo é intrinsecamente ligado a seus ancestrais pelo nascimento e herança. Ele é ligado da mesma forma a seus descendentes. Pela primeira vez em nossa história, o povo negro encontrou uma unidade maior que jamais tivera. Inúmeros preconceitos foram quebrados, muitas barreiras foram derrubadas, malignas tradições foram eliminadas e símbolos antigos foram expostos como insensatos.
O branco inventou a mais ridícula frase já elaborada, que “qualquer um com semblante humano é igual”. Ele usa essa idéia para enganar outros povos, e de fato é o maior oponente a esta idéia, já que enxerga a si próprio e seus semelhantes como o “povo escolhido”, a qual os demais devem se subordinar.
Uma das características peculiares dos brancos é a aversão ao trabalho físico. Sua própria aparência não o predestina ao trabalho físico.  Mas como resultado de gerações de endogamia e de mistura racial, o branco atingiu seu objetivo. Ele prefere o comércio, deixando o trabalho para os outros. O que eles possuem hoje foi ganho largamente ao custo da menos astuta nação negra por meio das mais repreensivas manipulações.
Milhares de negros foram feitos miseráveis pelos brancos e reduzidos à pobreza. Nós certamente não culpamos unicamente o branco pelas catástrofes econômicas e espirituais. Quando se considera a alienação da vida intelectual brasileira pelos brancos, sua corrupção da justiça de forma que somente um entre cada cinco juízes são negros, a dominância do exercício da medicina, sua predominância entre professores universitários, em resumo, o fato que todas as profissões intelectuais são dominadas pelos brancos, há de se admitir que nenhum povo com auto-estima  toleraria isso por muito tempo.
As medidas tomadas até agora foram feitas somente para aliviar as piores condições, ou seja, para reduzir o excesso numericamente inaceitável de brancos em várias áreas.  Os brancos devem se adaptar ao trabalho construtivo respeitável, como outros povos fazem, ou irão cedo ou tarde sucumbir a uma crise de inimagináveis proporções.
Antes ser alto e alvejado por um raio que um aleijado protegido dos raios e da tempestade.

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Você pode defender o que quiser, como eu defendo. Porém, é prudente saber as raízes do pensamento que motivam sua adesão a um movimento ou outro.
Eu não escrevi uma frase sequer do texto acima. Absolutamente todas as frases são traduções de discursos e escritos dos nazistas.  Cada vez que você ler “branco” no texto acima, substitua por “judeu”. Faça o mesmo com cada “negro”, colocando um “alemão” em seu lugar. Qualquer referência ao Brasil, substitua por Alemanha.  E releia o texto.
Se ao final desse exercício você ainda se identificar com o movimento que defende a segregação racial no Brasil, aprenda a falar alemão e raspe sua cabeça. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Explicando o óbvio

Recentemente o governo, na pessoa da ilustríssima presidente da República, anunciou seu plano eleitoral para diminuir a conta de eletricidade dos brasileiros. Segundo a governanta (adoro essa palavra), as contas da população seriam reduzidas em torno de 18% para os consumidores residenciais. A população comemora. Alguns poucos são céticos. Os mais esclarecidos riem timidamente. 
Dias depois, foi anunciado o aumento do preço da gasolina. Aí as pessoas começaram a reclamar. Juntando uma coisa com a outra, a petralhada já partiu em defesa do governo nas redes sociais, como pode ser visto na figura abaixo:



Preciso falar que isso é um monte de bobagens? Pela quantidade de gente compartilhando essa figura, aparentemente sim, então lá vamos nós.

A redução da conta de eletricidade
A redução proposta pela governanta é um subsídio. Subsídios são uma forma insidiosa de artificialmente baixar preços para os consumidores a custa de todos. A literatura a respeito disso é vasta. 
Contudo, quem paga esses subsídios? Segundo o governo, que adora utilizar um eufemismo quando faz campanha anúncios, o pagamento sairá do Tesouro Nacional. Com isso, um monte gente ficou tranquila. algo do tipo: "Ah, é o Tesouro quem pagará pela redução, então está tranquilo. Tudo foi esclarecido." O que o cidadão não pensou é que o Tesouro Nacional (e em nível maior, o governo) não gera lucro. Ele é um custo para a nação. E de que forma o Tesouro aumenta o seu caixa? A forma mais comum hoje é o aumento dos impostos pagos pelos cidadãos. Nesse caso, quem paga essa conta é o otário do brasileiro que cumpre suas obrigações tributárias.  Outra forma do Tesouro aumentar seu caixa é imprimir mais moeda, gerando, adivinhem? Inflação! 
Outro ponto relevante é que para o governo gastar, digamos, 100 reais, quanto ele precisa tomar a força dos cidadãos? O governo tem custos intrínsecos à sua própria existência, os quais somados à sua ineficiência crônica se traduzem na necessidade do governo ter que arrecadar muito mais que aquilo que realmente gasta. Não achei o número exato, mas não é mistério para ninguém que se o governo quer gastar 100 reais, ele deve tirar do cidadão muito mais que esses 100 reais. Em qualquer mesa onde o governo estiver, a única certeza é que o jogo não é de soma zero.
Digo mais: como praticamente todo mundo depende de energia elétrica, e grande parcela da população não contribui ou contribui minimamente para a arrecadação do governo, tirar dinheiro de uns para dar subsídios  é jogo eleitoral.
Resumindo, independente da "solução" que o governo achar para o novo gasto de mais de 8 bilhões anuais do Tesouro, quem vai se dar mal é o cidadão. 

A falácia da comparação entre energia elétrica e combustíveis
A campanha feita nas redes sociais e as bobagens repetidas no dia a dia é uma mentira deslavada. Isso é evidenciado quando cruzamos o aumento dos combustíveis (que ninguém duvida que seja um aumento real), com o fato que não haverá real diminuição do custo da energia, uma vez que os cidadãos pagarão por essa "redução" com o aumento de despesas do governo. Como mostrei acima, quando o governo diz que o Tesouro pagará pela redução é só outra forma de dizer que o cidadão pagará por isso.
No caso dos combustíveis, o cidadão terá um prejuízo real. Afinal, a mesma quantidade de dinheiro comprará menos combustível.
Se o cidadão pagará pela "redução" na sua própria conta de eletricidade, qual o benefício que ele terá com isso? Nenhum. Na verdade, terá prejuízo, pois o custo do governo fará com que cada real que ele tome do cidadão valha menos depois de descontados todos os custos governamentais para a aplicação desse dinheiro.
Então, qual a lógica de comparar o prejuízo da "redução" da conta de energia com o aumento do custo dos combustíveis? 

A campanha petista é falsa
Para chegar às conclusões acima, só precisei de um pouco de lógica e um mínimo de conhecimentos de economia. Sinceramente acredito que se eu consigo fazer isso, qualquer um consegue. Ainda mais na época em que vivemos, na qual o acesso a informação é fácil, e todos os livros básicos de economia estão disponíveis de graça na internet.
A campanha ainda tem a ousadia de dizer que "a direita espalha as mentiras que ela cria". Julguem como vocês quiserem quem está mentindo, mas lembrem-se que a campanha petralha nos convida a fazer contas.  Porém, aritmética não é economia. Essa é uma das primeiras lições de economia.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Modelo Dilma de concessão: explicando Belo Monte

Introdução
Relutei em escrever esse texto por um bom tempo, mas como era a continuação lógica dos dois textos anteriores que escrevi, um mostrando que as empresas que mais perderam valor na bolsa em 2012 eram de setores regulados pelo governo federal e outro sobre como o Modelo Dilma para o setor elétrico é um fracasso, vi que não poderia continuar adiando. Afinal, qual evento atestou o sucesso do modelo Dilma senão o leilão de Belo Monte?
Caso vocês não tenham lido os textos anteriores, eu os recomendo como uma introdução a este. Caso não queiram lê-los, espero que este texto seja suficientemente claro para fazer sentido sozinho. 

A interferência no leilão
O leilão de Belo Monte foi o verdadeiro teste do modelo de leilão regressivo, e em minha opinião, falhou miseravelmente. Já o governo disse que foi um sucesso. A iniciativa privada, antes interessadíssima em investir na geração de energia, abandonou o leilão, obrigando o governo a cooptar estatais para formar dois grupos interessados fictícios, a fim de provar a viabilidade do "Modelo Dilma". Quem duvidar disso, pode ver a composição societária dos dois consórcios "interessados" na obra (vide aqui no original):
1º Consórcio: Norte Energia (nove empresas):
Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), com 49,98%
Construtora Queiroz Galvão S/A, com 10,02%
Galvão Engenharia S/A, com 3,75%
Mendes Junior Trading Engenharia S/A, com 3,75%
Serveng-Civilsan S/A, com 3,75%
J Malucelli Construtora de Obras S/A, com 9,98%
Contern Construções e Comércio Ltda, com 3,75%
Cetenco Engenharia S/A, com 5%
Gaia Energia e Participações, com 10,02%
2º Consórcio: Belo Monte Energia (seis empresas):
Andrade Gutierrez Participações S/A, com 12,75%
Vale S/A, com 12,75%
Neoenergia S/A, com 12,75%
Companhia Brasileira de Alumínio, com 12,75%
Furnas Centrais Elétricas S/A, com 24,5%
Eletrosul Centrais Elétricas S/A, com 24,5%

Na ocasião do leilão, o primeiro consórcio (Norte Energia) ganhou o certame. Notem que nenhum dos dois consórcios, a primeira vista, possuía uma participação societária majoritariamente estatal. O Consórcio Norte Energia, a priori, apresenta como estatal somente a CHESF com 49,98% de participação. Já o Consórcio Belo Monte Energia apresenta, na visão dos incautos, 49% de participação estatal. Isso permitiu, à época, que o governo afirmasse que o leilão foi um sucesso e prova que o "Modelo Dilma" funcionava sem afastar a iniciativa privada. Obviamente o conceito de livre concorrência é algo estranho a petistas, já que a CHESF competia contra Eletrosul e Furnas, e as três são subsidiárias da Eletrobrás.
O sucesso do modelo Dilma é uma total inverdade. Explico minha afirmação: como a iniciativa privada não se interessou por Belo Monte, já que todo mundo e mais alguns sabiam que o orçamento do governo (19 bilhões de reais) era furado, o que Dilma fez foi obrigar as estatais sob comando de seus subordinados (e, portanto, sob seu comando) a embarcarem nesse barco furado, cooptando no caminho algumas empresas que suspeito tinham interesses em determinadas benesses que o governo federal poderia lhes oferecer em troca do favor.
Assim, o governo pode legitimar o resultado do leilão, afirmando que havia empresas privadas dispostas a investir em Belo Monte. Isso contrariava tanto as críticas que afirmavam que Belo Monte seria feita inteiramente com dinheiro público quanto aqueles que viam no Modelo Dilma uma forma de iniciar uma reestatização do setor elétrico, transferindo para o poder público mais poder de decisão, e consequentemente, de contratações no bom e velho estilo público, na qual os amigos da quadrilha sempre saem ganhando às expensas da população. Infelizmente, estava certo quem apostou que o governo federal queria mesmo era mandar na maior obra do país, e colocar seus apadrinhados para gerir os recursos, abrindo a porteira para todas as práticas desastrosas (corrupção, improbidade administrativa, superfaturamento etc.) tão comuns em obras públicas brasileiras.
Querem a maior prova disso? Vejam a composição acionária da Norte Energia hoje, diretamente de seu site:


Aos ingênuos, a Norte Energia continua sendo majoritariamente da iniciativa privada, com 49,98% de participação direta da Eletrobrás ou suas subsidiárias. Porém, qualquer um com uma conexão à internet e um pouco de disposição pode pesquisar e ver que, na verdade, o governo detém atualmente 88,98% de controle sobre a Norte Energia. Segue abaixo a conta que fiz para chegar a esse número:
  • 49,98% da Eletrobrás e subsidiárias, subordinadas ao PT;
  • 10% da Petros, presidida por Luís Carlos Fernandes Afonso, condenado por improbidade administrativa cometida no período em que era secretário de Finanças do governo de Marta Suplicy;
  • 10% da Funcef, presidida por Carlos Alberto Caser, ligado ao senador Wellington Dias, do PT (óbvio!);
  • 10% da Belo Monte Participações, ou Neoenergia, cuja composição societária mostra que o governo federal possui 61% da empresa (11,99% do Banco do Brasil mais 49,01% da Previ);
  • 9% da Vale, presidida por Murilo Ferreira, que assumiu no lugar de Roger Agnelli, desafeto de Lula e Dilma, por indicação de, adivinhem (?): Previ e BNDESPar.
Será que só eu notei que de todas as empresas do consórcio original que venceu o certame, a ÚNICA que continua na composição acionária de Belo Monte é a CHESF?
Alguém mais acha que teve rolos grandes (de dinheiro, talvez) nessa estória toda?

Os indícios
Alguém ainda tem a coragem de dizer que essa usina é privada? Dados os fatos e a participação majoritariamente estatal em Belo Monte, surgem alguma hipóteses:
  1. O orçamento da obra era subestimado, e a iniciativa privada saiu ao ver que não teria lucro.
  2. Problemas internos das empresas as forçaram a sair do consórcio.
  3. A intençao desde o início era que Belo Monte fosse pública.
Analisando cada uma das hipóteses, temos que a primeira é parcialmente verdadeira. Afinal, todas as grandes construtoras do país afirmaram que seria impossível implantar Belo Monte no orçamento previsto pelo governo. Porém, não foi por isso que as empresas privadas saíram do consórcio. Afinal, se a informação que o orçamento era subestimado e a venda da energia naqueles preços daria prejuízo era pública e notória, como que alguns dos maiores empresários do país entrariam nessa furada? Nessa hipótese, se tomarmos a premissa (orçamento errado + valor da energia vendida baixo = prejuízos) como verdadeira, a iniciativa privada sequer entraria nesse leilão.
A hipótese que problemas internos das empresas as forçaram a sair do consórcio pode parecer plausível, já que mesmo as melhores e maiores empresas passam por uma ou outra dificuldade. Isso inclusive é verdade no caso das empresas do Grupo Bertin, que reestruturou toda sua área de energia. Porém, acreditar que 8 empresas, incluindo algumas que tiveram lucro líquido e que estão de vento em popa saíram por dificuldades internas é muita credulidade. 
Já a hipótese que a intenção era que Belo Monte fosse pública desde o início do processo ganha força quando a confrontamos com alguns fatos importantes, nominalmente, o ranço esquerdista de Dilma e do PT em relação às concessões. Como parar um processo que vinha dando certo desde meados da década de 1990 teria um alto custo político, o que se fez foi continuar com o programa de concessão; porém com regras tão esdrúxulas que ninguém na iniciativa privada fosse pleitear essas concessões, e o poder público, nas mãos do PT, fosse o encarregado de comandar a gastança.

Dica aos opositores da usina
A maior oposição que se fez à usina de Belo Monte até o momento foi concentrada na área ambiental e na questão indígena, apesar da usina causar relativamente poucos impactos (face sua geração de energia) e não atingir nenhuma terra indígena. Aos opositores, minha dica é essa: parem com essa bobagem. Se há alguma irregularidade na usina, ela está nas maracutaias feitas para que o governo pudesse "gerir" a bolada que será utilizada na implantação da usina. Ou seja, se há irregularidades, elas estão nos arranjos políticos que podem ter sido feitos para que a iniciativa privada entrasse no leilão e depois entregasse sua participação ao controle do PT. Lembrem que o orçamento já passou de 19,6 bilhões em 2010 para 25,8 bilhões em 2011. E não para de crescer.

O que é o Modelo Dilma
Já falei isso em outro texto, mas vou repetir de forma mais clara: o "Modelo Dilma" de concessão no setor elétrico nada mais é que o fortalecimento da participação do partido (no caso, o PT e aliados) na gastança de dinheiro público.
O que aconteceu foi a troca de um modelo de concessão no qual os riscos eram do empreendedor e você pagava pela energia que consumisse (modelo anterior) para um modelo no qual o PT pega o dinheiro de nossos impostos, injeta nas estatais geridas por eles, para fazer obras pelas quais você terá que pagar a energia do mesmíssimo jeito. Ou seja, antes você pagava pelo consumo. Agora você continuará tendo que pagar pelo seu consumo, porém também tem que pagar pela obra e por algum custo "imprevisto" quando o dinheiro passa pelas mãos dos indicados do PT e camarilha. Perto do que o setor elétrico movimenta, a grana do mensalão é dinheiro de cachaça.
O que para nós pagadores de impostos é uma tragédia, para eles é um sucesso.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O legado de Dilma

A impressão de Dilma como boa gestora, divulgada à exaustão durante a campanha eleitoral e ainda repetida por alguns desavisados, é uma farsa. Sempre que ouço que Dilma é uma boa gestora, digo que essa impressão se deve principalmente ao fato que todas as ações que ela tomou como gestora depois de ter algum poder ou foram varridas para baixo do tapete (alguém lembra da Erenice?) ou seus efeitos demorariam a aparecer, já que o governo se move na velocidade típica de um quelônio. Sendo assim, o legado de Dilma demoraria a aparecer. Dez anos depois da estréia de Dilma em algum lugar de relevo, ele está aparecendo, e de uma forma preocupante. Tentarei mostrar algumas facetas do legado de Dilma.

O jabuti no poste
Ontem o G1 noticiou
"O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), formado pela cúpula do governo federal na área de energia, se reúne na próxima quarta-feira (9), em Brasília, para discutir o nível dos reservatórios de usinas hidrelétricas do país, o mais baixo dos últimos dez anos.". 
Quem é essa cúpula? A Veja informa
"O CMSE é formado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)."
Notem que no tal comitê estão exatamente as pessoas que Dilma e o PT trazem consigo desde o governo Lula: Edson Lobão pelo MME (piada de mal gosto), a ANP (aparelhada), a EPE (aparelhada), e o ONS (aparelhado). Provavelmente Lobão (que encabeçará a reunião) será o bode expiatório da vez, mas como ele é um jabuti no poste, espero que as pessoas lembrem quem o colocou lá: a gestora Dilma!

O modelo Dilma de leilão

Tentarei, de forma simplificada, mostrar a diferença entre os dois modelos.

O modelo anterior
  1. A União é detentora do potencial hidrelétrico.
  2. Os interessados fazem ofertas em um leilão público pelo uso desse potencial. Quem pagar mais leva.
  3. O governo da vez faz o que quiser com o dinheiro.
  4. O vencedor tem que construir a usina em um certo prazo. O custo é do empreendedor.
  5. Depois de pronta a usina, a energia é vendida em valores de mercado. Qualquer prejuízo é problema do empreendedor.
O modelo atual
  1. A União é detentora do potencial hidrelétrico.
  2. O governo da vez define o preço máximo (teto) da venda da energia. Entre os interessados, quem oferecer vender a energia por um preço menor leva a usina.
  3. O governo não ganha nada.
  4. O vencedor constrói a usina tentando atingir o preço de venda assumido por ele em leilão.
  5. Depois de pronta a usina, a energia deve ser vendida no preço acordado no leilão. Os prejuízos (em teoria) são pagos pelo empreendedor.
As diferenças
  1. Tanto no modelo anterior quanto no atual, a União é detentora do potencial hidrelétrico (Art. 20 da Constituição).
  2. No modelo antigo, cada um estimava quanto iria gastar e quanto valia a pena pagar pelo potencial. No modelo novo, o governo faz um orçamento, normalmente abaixo de todas as estimativas de mercado, que diz quanto o empreendedor deve gastar para implantar a usina.
  3. No modelo antigo, o governo colocava algum dinheiro em caixa. No modelo novo, o governo gasta fazendo propaganda, como se tivesse obtido algum lucro na transação.
  4. No modelo antigo, o empreendedor tinha que fazer a usina, tentando minimizar custos para que o preço da energia no final não fosse muito alto. No modelo novo, como o preço da energia é fixo, vale mais investir em lobby para aumentar o preço da venda da energia do que investir em melhores métodos construtivos, logística, planejamento, ou coisas irrelevantes como meio ambiente e compensações sociais.
  5. No modelo anterior, caso o preço da energia estivesse abaixo do preço que ele poderia oferecer e o empreendedor tivesse prejuízo, ele não tinha ninguém a culpar além de si mesmo. No modelo atual, esse princípio deveria ser o mesmo. Ou seja, problema de quem investiu. Mas isso não funciona, já que pelo modelo atual nenhum empreendedor sério acredita que os orçamentos do governo estão certos, o que quer dizer prejuízo certo, já que não é possível vender a energia por valores de mercado, e sim pelo preço-teto fixado no leilão, baseado no orçamento do governo. Por isso na maioria dos leilões (como Belo Monte) a maior parte das empresas que arcarão com o prejuízo são estatais. Em resumo, o prejuízo fica para nós, contribuintes. Você paga a conta.
O golpe nas geradoras
Em setembro Dilma tentou reduzir com uma canetada o custo da energia elétrica atacando os geradores de energia. Isso em um país no qual os encargos e tributos correspondiam (em 2008, segundo a ANEEL) a 33,45% da conta de luz que o cidadão paga. Ora, se Dilma quisesse baixar o custo da energia, bastava cortar esses 33,45% de encargos e impostos. Mas não, ela preferiu atacar o setor privado, com resultados desastrosos, como discuti em outro texto. Depois que as geradoras mandaram Dilma pro PT que a pariu, a governanta (adorei esse trocadilho) anunciou que usaria recursos do Tesouro para bancar a queda de preço pretendida por ela. Dilma consegue uma proeza incrível com essa fala: nos trata como tolos se fazendo de tola. De onde vem o dinheiro do Tesouro? Dos cidadão pagadores de impostos. Ou seja, quem vai pagar mais essa conta é você.

O golpe no seu bolso
A falta de investimentos privados, que estão diminuindo no setor, somados à lentidão do conjunto MME/ANEEL/EPE, agora quase plenamente aparelhados por apaniguados políticos e incompetentes de outras fontes, coincidiram com um ano de poucas chuvas. O resultado? Ativação das térmicas emergenciais. Dilma e seus subordinados dizem que não há problema, já que as térmicas conseguirão manter a carga. Porém, o que não falam é qual será o custo disso. Estimativas iniciais colocam o custo em 3,2 bilhões de reais. Quem pagará por isso, cidadão, é você

O golpe no seu ouvido
Em dezembro de 2012, indagada se havia um risco de racionamento de energia elétrica, Dilma afirmou o seguinte: "Eu acho ridículo dizer que o Brasil corre risco de racionamento. Ridículo. É ridículo". É Dilma mostrando a melhor capacidade que tem como gestora: ganhar discussões na base do grito. 

O legado de Dilma
Por mais que sua torcida fique exaltando as supostas qualidades da governanta, está na hora dos cidadãos de bem, que pagam por toda essa bandalheira, se tocarem que Dilma é um desastre. Vamos chamar as coisas pelo nome: o legado de Dilma é uma porcaria, e o pior: uma porcaria com a qual teremos que viver durante muitos anos. Se somadas todas as ações de Dilma no setor de energia, acho que regredimos 20 anos em 10. Mais uns 20 anos do PT no poder, e estaremos iluminando nossas casas com lamparinas a óleo de baleia.

O futuro do Modelo Dilma, disponível para aquisição no Mercado Livre.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Manutenção do código em progresso

Update: manutenção finalizada. Os comentários no blogger não devem mais sobrescrever os comentários feitos pelo Facebook.



Este post não existe.

Menos governo, mais mercado

Sem qualquer surpresa li várias notícias sobre o desempenho das empresas brasileiras de capital aberto nas bolsas de valores. Vejam abaixo trechos da notícia do Jornal do Comércio:
A Petrobras foi a empresa brasileira que mais perdeu valor de mercado em 2012, sendo ultrapassada por Ambev e Vale, segundo levantamento da consultoria Economatica divulgado nesta quinta-feira. A petrolífera estatal perdeu R$ 36,7 bilhões de valor de mercado em apenas um ano, passando de R$ 291,5 bilhões para R$ 254,8 bilhões.
A segunda maior queda foi a da OGX. A petrolífera do grupo EBX, do empresário Eike Batista, viu seu valor de mercado despencar R$ 29,8 bilhões, de R$ 44 bilhões para R$ 14,2 bilhões.
Na lista das dez empresas de capital aberto que mais perderam valor de mercado, cinco foram do setor de energia elétrica - Eletrobras (R$ 16,9 bilhões), CPFL (R$ 4,4 bilhões), Cesp (R$ 4,2 bilhões), Eletropaulo (R$ 3,8 bilhões) e Ampla Energia (R$ 2,9 bilhões). Completam o ranking da consultoria Economatica a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que perdeu R$ 4,5 bilhões, o banco Santander (R$ 4 bilhões) e a Telefônica (R$ 3,1 bilhões).
No total, as 302 empresas de capital aberto brasileiras encerraram o ano com valor de mercado de R$ 2,39 trilhões, o que aponta um crescimento de 12,34% em relação ao ano anterior, segundo a Economática. Entre as que mais cresceram, o destaque é a Ambev, que passou da terceira posição em 2011 para a liderança em 2012. A companhia cresceu R$ 76,6 bilhões - passando de R$ 187,6 bilhões para R$ 264,2 bilhões - e ultrapassou as gigantes Petrobras e Vale.
... 
O desempenho de Petrobras e OGX fez com que o setor de petróleo e gás fosse o mais atingido no ano passado, com perda de R$ 68,9 bilhões no valor de mercado (representando uma queda de 19,71%). Com isso, o total do segmento ficou em para R$ 280,7 bilhões. Petrobras (R$ 36,7 bilhões) e OGX (R$ 29,8 bilhões) foram responsáveis por 96% da queda.
O setor de energia elétrica foi o segundo mais atingido, com perdas de R$ 36 bilhões. Esse segmento foi bastante afetado pela proposta do governo federal de renovar os contratos de concessão que venciam entre 2015 e 2017 por mais 30 anos em troca da redução nos preços da conta de luz. O objetivo do governo é provocar uma redução de cerca de 20% no preço da energia ao consumidor. Nos cálculos das empresas, a medida provocará perdas de receitas milionárias nos próximos anos.

O que chamou minha atenção na notícia reproduzida acima não foi a queda de valor das companhias citadas, e sim o que elas têm em comum: todas as empresas com grandes quedas atuam em setores fortemente regulados ou dependentes do governo federal. Eu entendo pouco do setor de Oil & Gas, portanto não me estenderei sobre ele. Cabe apenas dizer que a queda de valor da OGX não é surpresa alguma. Isso já foi cantado por Diogo Mainardi em 2009, quando em uma de suas colunas ele escreveu que as empresas de Eike Batista "faturam tanto quanto uma padaria". É do jogo. Na bolsa, o valor de uma ação é exatamente quanto alguém estiver disposto a pagar por ela. E convenhamos, ninguém quer pagar um preço altíssimo por ações de uma empresa que faturam menos que a padaria da esquina. Nem todo investidor é bobo.
O que eu vejo com um pouco de medo é a queda das geradoras de eletricidade. O fenômeno de empresas cuja rentabilidade e confiança que entregariam dividendos satisfatórios aos acionistas apresentarem uma queda em valor de mercado tão significativa não é normal. 
A perda de valor da Eletrobrás era óbvia: foi a primeira a aceitar o absurdo da renovação dos contratos de concessão QUE NÃO HAVIAM VENCIDO! Ora, óbvio que a Eletrobrás aceitaria. Afinal, quem manda na Eletrobrás? O bando de trouxas que compraram ações da empresa, ou os mesmos espertalhões que promulgaram uma medida provisória mudando as regras do jogo aos 30 minutos do segundo tempo? Pior pra quem comprou as ações da empresa achando que teria uma administração responsável e uma política de governança decente. Investiram na ideologia, receberam seus dividendos.
E os que investiram na CESP, Eletropaulo, Ampla e outras empresas geradoras de energia de capital aberto? Esses sim são vítimas. Foram pegos de surpresa investindo em empresas seguras, com uma rentabilidade previsível, já que os contratos de venda de energia são celebrados por vários anos, com taxas de reajuste fixas (na maioria dos casos), e com administrações que, apesar de longe das ideais, ainda são muito mais responsáveis que a bandalheira que o poder público faz com a Eletrobrás.
Apesar de eu chamá-los de vítimas, a lição está dada: não invistam em um país mequetrefe como o Brasil, no qual o governo da vez pode mudar as regras da noite para o dia, rasgando contratos e jogando-os no lixo. E essa lição quem dá não sou eu, é o mercado. As pessoas tiraram seu dinheiro das empresas altamente reguladas pelo governo e partiram para pastagens mais verdes. Espero que tenham ido longe de qualquer lugar esquerdista. Qualquer um com meio cérebro e um quarto de leituras decentes sabem o que acontece quando o governo se mete na economia.
Eu não sou especialista em investimentos, mas se alguém quiser ouvir meu conselho, lá vai: quanto mais longe do governo, melhor.