segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Menos governo, mais mercado

Sem qualquer surpresa li várias notícias sobre o desempenho das empresas brasileiras de capital aberto nas bolsas de valores. Vejam abaixo trechos da notícia do Jornal do Comércio:
A Petrobras foi a empresa brasileira que mais perdeu valor de mercado em 2012, sendo ultrapassada por Ambev e Vale, segundo levantamento da consultoria Economatica divulgado nesta quinta-feira. A petrolífera estatal perdeu R$ 36,7 bilhões de valor de mercado em apenas um ano, passando de R$ 291,5 bilhões para R$ 254,8 bilhões.
A segunda maior queda foi a da OGX. A petrolífera do grupo EBX, do empresário Eike Batista, viu seu valor de mercado despencar R$ 29,8 bilhões, de R$ 44 bilhões para R$ 14,2 bilhões.
Na lista das dez empresas de capital aberto que mais perderam valor de mercado, cinco foram do setor de energia elétrica - Eletrobras (R$ 16,9 bilhões), CPFL (R$ 4,4 bilhões), Cesp (R$ 4,2 bilhões), Eletropaulo (R$ 3,8 bilhões) e Ampla Energia (R$ 2,9 bilhões). Completam o ranking da consultoria Economatica a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que perdeu R$ 4,5 bilhões, o banco Santander (R$ 4 bilhões) e a Telefônica (R$ 3,1 bilhões).
No total, as 302 empresas de capital aberto brasileiras encerraram o ano com valor de mercado de R$ 2,39 trilhões, o que aponta um crescimento de 12,34% em relação ao ano anterior, segundo a Economática. Entre as que mais cresceram, o destaque é a Ambev, que passou da terceira posição em 2011 para a liderança em 2012. A companhia cresceu R$ 76,6 bilhões - passando de R$ 187,6 bilhões para R$ 264,2 bilhões - e ultrapassou as gigantes Petrobras e Vale.
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O desempenho de Petrobras e OGX fez com que o setor de petróleo e gás fosse o mais atingido no ano passado, com perda de R$ 68,9 bilhões no valor de mercado (representando uma queda de 19,71%). Com isso, o total do segmento ficou em para R$ 280,7 bilhões. Petrobras (R$ 36,7 bilhões) e OGX (R$ 29,8 bilhões) foram responsáveis por 96% da queda.
O setor de energia elétrica foi o segundo mais atingido, com perdas de R$ 36 bilhões. Esse segmento foi bastante afetado pela proposta do governo federal de renovar os contratos de concessão que venciam entre 2015 e 2017 por mais 30 anos em troca da redução nos preços da conta de luz. O objetivo do governo é provocar uma redução de cerca de 20% no preço da energia ao consumidor. Nos cálculos das empresas, a medida provocará perdas de receitas milionárias nos próximos anos.

O que chamou minha atenção na notícia reproduzida acima não foi a queda de valor das companhias citadas, e sim o que elas têm em comum: todas as empresas com grandes quedas atuam em setores fortemente regulados ou dependentes do governo federal. Eu entendo pouco do setor de Oil & Gas, portanto não me estenderei sobre ele. Cabe apenas dizer que a queda de valor da OGX não é surpresa alguma. Isso já foi cantado por Diogo Mainardi em 2009, quando em uma de suas colunas ele escreveu que as empresas de Eike Batista "faturam tanto quanto uma padaria". É do jogo. Na bolsa, o valor de uma ação é exatamente quanto alguém estiver disposto a pagar por ela. E convenhamos, ninguém quer pagar um preço altíssimo por ações de uma empresa que faturam menos que a padaria da esquina. Nem todo investidor é bobo.
O que eu vejo com um pouco de medo é a queda das geradoras de eletricidade. O fenômeno de empresas cuja rentabilidade e confiança que entregariam dividendos satisfatórios aos acionistas apresentarem uma queda em valor de mercado tão significativa não é normal. 
A perda de valor da Eletrobrás era óbvia: foi a primeira a aceitar o absurdo da renovação dos contratos de concessão QUE NÃO HAVIAM VENCIDO! Ora, óbvio que a Eletrobrás aceitaria. Afinal, quem manda na Eletrobrás? O bando de trouxas que compraram ações da empresa, ou os mesmos espertalhões que promulgaram uma medida provisória mudando as regras do jogo aos 30 minutos do segundo tempo? Pior pra quem comprou as ações da empresa achando que teria uma administração responsável e uma política de governança decente. Investiram na ideologia, receberam seus dividendos.
E os que investiram na CESP, Eletropaulo, Ampla e outras empresas geradoras de energia de capital aberto? Esses sim são vítimas. Foram pegos de surpresa investindo em empresas seguras, com uma rentabilidade previsível, já que os contratos de venda de energia são celebrados por vários anos, com taxas de reajuste fixas (na maioria dos casos), e com administrações que, apesar de longe das ideais, ainda são muito mais responsáveis que a bandalheira que o poder público faz com a Eletrobrás.
Apesar de eu chamá-los de vítimas, a lição está dada: não invistam em um país mequetrefe como o Brasil, no qual o governo da vez pode mudar as regras da noite para o dia, rasgando contratos e jogando-os no lixo. E essa lição quem dá não sou eu, é o mercado. As pessoas tiraram seu dinheiro das empresas altamente reguladas pelo governo e partiram para pastagens mais verdes. Espero que tenham ido longe de qualquer lugar esquerdista. Qualquer um com meio cérebro e um quarto de leituras decentes sabem o que acontece quando o governo se mete na economia.
Eu não sou especialista em investimentos, mas se alguém quiser ouvir meu conselho, lá vai: quanto mais longe do governo, melhor.

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