domingo, 3 de fevereiro de 2013

Explicando o óbvio

Recentemente o governo, na pessoa da ilustríssima presidente da República, anunciou seu plano eleitoral para diminuir a conta de eletricidade dos brasileiros. Segundo a governanta (adoro essa palavra), as contas da população seriam reduzidas em torno de 18% para os consumidores residenciais. A população comemora. Alguns poucos são céticos. Os mais esclarecidos riem timidamente. 
Dias depois, foi anunciado o aumento do preço da gasolina. Aí as pessoas começaram a reclamar. Juntando uma coisa com a outra, a petralhada já partiu em defesa do governo nas redes sociais, como pode ser visto na figura abaixo:



Preciso falar que isso é um monte de bobagens? Pela quantidade de gente compartilhando essa figura, aparentemente sim, então lá vamos nós.

A redução da conta de eletricidade
A redução proposta pela governanta é um subsídio. Subsídios são uma forma insidiosa de artificialmente baixar preços para os consumidores a custa de todos. A literatura a respeito disso é vasta. 
Contudo, quem paga esses subsídios? Segundo o governo, que adora utilizar um eufemismo quando faz campanha anúncios, o pagamento sairá do Tesouro Nacional. Com isso, um monte gente ficou tranquila. algo do tipo: "Ah, é o Tesouro quem pagará pela redução, então está tranquilo. Tudo foi esclarecido." O que o cidadão não pensou é que o Tesouro Nacional (e em nível maior, o governo) não gera lucro. Ele é um custo para a nação. E de que forma o Tesouro aumenta o seu caixa? A forma mais comum hoje é o aumento dos impostos pagos pelos cidadãos. Nesse caso, quem paga essa conta é o otário do brasileiro que cumpre suas obrigações tributárias.  Outra forma do Tesouro aumentar seu caixa é imprimir mais moeda, gerando, adivinhem? Inflação! 
Outro ponto relevante é que para o governo gastar, digamos, 100 reais, quanto ele precisa tomar a força dos cidadãos? O governo tem custos intrínsecos à sua própria existência, os quais somados à sua ineficiência crônica se traduzem na necessidade do governo ter que arrecadar muito mais que aquilo que realmente gasta. Não achei o número exato, mas não é mistério para ninguém que se o governo quer gastar 100 reais, ele deve tirar do cidadão muito mais que esses 100 reais. Em qualquer mesa onde o governo estiver, a única certeza é que o jogo não é de soma zero.
Digo mais: como praticamente todo mundo depende de energia elétrica, e grande parcela da população não contribui ou contribui minimamente para a arrecadação do governo, tirar dinheiro de uns para dar subsídios  é jogo eleitoral.
Resumindo, independente da "solução" que o governo achar para o novo gasto de mais de 8 bilhões anuais do Tesouro, quem vai se dar mal é o cidadão. 

A falácia da comparação entre energia elétrica e combustíveis
A campanha feita nas redes sociais e as bobagens repetidas no dia a dia é uma mentira deslavada. Isso é evidenciado quando cruzamos o aumento dos combustíveis (que ninguém duvida que seja um aumento real), com o fato que não haverá real diminuição do custo da energia, uma vez que os cidadãos pagarão por essa "redução" com o aumento de despesas do governo. Como mostrei acima, quando o governo diz que o Tesouro pagará pela redução é só outra forma de dizer que o cidadão pagará por isso.
No caso dos combustíveis, o cidadão terá um prejuízo real. Afinal, a mesma quantidade de dinheiro comprará menos combustível.
Se o cidadão pagará pela "redução" na sua própria conta de eletricidade, qual o benefício que ele terá com isso? Nenhum. Na verdade, terá prejuízo, pois o custo do governo fará com que cada real que ele tome do cidadão valha menos depois de descontados todos os custos governamentais para a aplicação desse dinheiro.
Então, qual a lógica de comparar o prejuízo da "redução" da conta de energia com o aumento do custo dos combustíveis? 

A campanha petista é falsa
Para chegar às conclusões acima, só precisei de um pouco de lógica e um mínimo de conhecimentos de economia. Sinceramente acredito que se eu consigo fazer isso, qualquer um consegue. Ainda mais na época em que vivemos, na qual o acesso a informação é fácil, e todos os livros básicos de economia estão disponíveis de graça na internet.
A campanha ainda tem a ousadia de dizer que "a direita espalha as mentiras que ela cria". Julguem como vocês quiserem quem está mentindo, mas lembrem-se que a campanha petralha nos convida a fazer contas.  Porém, aritmética não é economia. Essa é uma das primeiras lições de economia.

3 comentários:

  1. Gostei do termo petralhada, vou passar a usá-lo.

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  2. Se a redução forçada no preço da energia é razoável para a economia do país (crescimento, inflação) é um assunto.

    Outro assunto é o impacto de curto e médio prazo da redução energia/aumento da gasolina. Realmente há uma campanha para convençer o cidadão ingorante que um tira o efeito do outro. Deus me livre apoiar alguma campanha do governo, mas não tiro a razão em tentar esclarecer o assunto "na mesma moeda".

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  3. Igor, o ponto todo do texto é mostrar que uma coisa não compensa a outra. Ambas são prejudiciais ao cidadão.
    Se quiser dar uma olhada, a questão de controle de preços (e suas consequências) são explicadas de forma simples nos livros abaixo:
    http://www.amazon.com.br/Basic-Economics-Economy-Edition-ebook/dp/B0047T86CO/ref=sr_1_2?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1359907633&sr=1-2
    http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=16

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