sexta-feira, 29 de março de 2013

Eletrobrás perde 10 maracanãs em 3 meses: é campeão!

Muita gente está por aí falando das perdas de capital das empresas do grupo X, do controvertido empresário Eike Batista. Uma notícia do G1 publicada na quarta-feira (27/03) apresenta:
O prejuízo consolidado das empresas de capital aberto do grupo EBX, do empresário brasileiro Eike Batista, no ano de 2012 foi de R$ 2,51 bilhões. A OGX acumulou as maiores perdas no período, de R$ 1,13 bilhões, aponta levantamento divulgado nesta quarta-feira (27) pela consultoria Economatica.
Parece muito? De fato é. Ainda mais quando se trata de empresas que emprestaram dinheiro público a juros camaradas, para depois apresentar resultados pífios. É prejuízo atrás de prejuízo. Eike adora siglas, mas umas mais que outras: IPO, PT, BNDES. 

Prejuízo pouco é bobagem
Essa notícia acima, coitada, durou pouco mais de um dia. Vejam a que saiu na Veja Online nesta quinta-feira (28/03), de que reproduzo trechos abaixo:
O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afirmou nesta quinta-feira que os efeitos da mudança do marco regulatório do setor elétrico provocados pela Medida Provisória 579 geraram perdas contábeis de 10 bilhões de reais para a empresa. Segundo ele, essas perdas contábeis ou ajustes patrimoniais podem ser divididos em quatro grupos. Do total, 3,044 bilhões de reais dizem respeito à diferença entre o valor contábil das usinas cuja renovação da concessão foi antecipada e o critério do valor novo de mercado, usado pelo governo para indenizá-las. Outros 2,798 bilhões de reais são para o cálculo sobre as usinas cuja concessão ainda não venceu.
"A contabilidade olha para frente também, e o efeito dela no futuro tem que ser jogado agora", afirmou Carvalho Neto. Outros 3,082 bilhões de reais se deram por contratos onerosos, que a empresa pretende repassar para órgãos correspondentes e 1 bilhão de reais diz respeito a valores que antes eram considerados investimentos e hoje são avaliados como despesas.
"Isso tudo é em razão da nova lei, mas agora limpamos nosso balanço para o resto da vida. O balanço foi adaptado para novas condições não só para as usinas cuja concessão foi renovada, mas também para as futuras", disse Carvalho Neto.
Costa também aproveitou a entrevista coletiva à imprensa para comentar que tanto Itaipu quanto as usinas nucleares de Angra I e II bateram recordes de produção de energia no ano passado. Segundo ele, a geração de Itaipu em 2012, que foi de 98 terawatt por hora, "é a maior geração que uma empresa já fez no mundo".
Nesta quinta-feira, a consultoria Economatica divulgou levamento que aponta o prejuízo da Eletrobras no quarto trimestre de 2012 (10,499 bilhões de reais) como o maior da história de uma companhia aberta (com capital negociado em bolsa de valores).
Só pra lembrar: o prejuízo da Eletrobrás foi "o maior da história de uma companhia aberta" no país.    É o equivalente a mais de 10 vezes o custo das reformas do Maracanã. É um terço do orçamento de Belo Monte. Isso ao mesmo tempo em que a usina de Itaipu alcançou "a maior geração que uma empresa já fez no mundo". 
Só para fazer outra comparação, a denúncia da PGR diz que todo o esquema do mensalão movimentou pouco mais de 120 milhões de reais. O prejuízo da Eletrobrás foi de mais de 87 vezes esse valor! Eu já falei em outro texto que perto da grana movimentada no setor elétrico (controlado pelo PT e PMDB), a grana do mensalão é dinheiro de cachaça.

Prejuízo sim, mas em seu benefício
Carvalho Neto admitiu que grande parte do prejuízo se deve a nova regulamentação (falei dela em outro texto). E teve a indecência de tentar nos tranquilizar dizendo que "agora limpamos nosso balanço para o resto da vida". Ora, se o governo petista teve a cara de pau de mudar as regras com contratos em vigência, como o Sr. Carvalho Neto nos garante que não os mudará novamente quando precisar de um novo factóide eleitoral, ainda mais com as eleições presidenciais do próximo ano? Carvalho Neto, muito acostumado aos círculos petistas, acha que todos somos idiotas. Petistas são assim, tentam nos convencer que perderam dinheiro para nosso bem. Afinal, eles jogaram 10 bilhões no ralo, mas agora o balanço contábil está limpo. 
Quem investir na Eletrobrás depois dessa merece mesmo perder seu dinheiro.

É só um problema de gestão
Há várias similaridades entre Eike e Carvalho Neto. Vejamos algumas: 
  • Ambos trabalham com grandes quantidades de dinheiro público;
  • Ambas empresas tem capital aberto na bolsa;
  • Um monte de trouxas investiram em empresas sob a gestão dos dois;
  • Ambos são apoiados pelo PT.
Eike será criticado. Quando Eike perde dinheiro, não consegue convencer seus acionistas que isso é para o bem deles. Pra levantar dinheiro, tem que vender uma parte de uma empresa aqui e de outra acolá. De minha parte, desde que paguem o que pegaram de dinheiro público, só quero que ele e seus acionistas colham o que plantaram, que assumam a responsabilidade pelo que fizeram, tenham lucro ou prejuízo. Mas nem todo mundo pensa assim.
Aposto que entre pessoas que se dizem esclarecidas, que acompanham as notícias, boa parte delas terá algo a dizer sobre as perdas de Eike. Falar mal de rico é praticamente um esporte nacional. Ver um rico se dando mal, aí então é assunto mais comentado que o último jogo da seleção (se lembram da Daslu?). 
Agora quando uma empresa pública como a Eletrobrás (que, como o BNDES, nem deveria existir) se dá mal, ninguém fala nada. A diferença entre eles é que no quesito desperdício de dinheiro público, Eike é amador. 
Já os petistas, esses sim são profissionais. Afinal, perdem dinheiro para o bem da população. 
O que o brasileiro não entendeu ainda é que prejuízo no poder público só se resolve de uma forma: metendo a mão no bolso da população. E enquanto o povo se regozija com o tombo do Eike, os petistas nos deixam mais pobres, metendo a mão em nossos bolsos.