terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ativistas? Não: piratas! Inocentes? Não: adultos!

Um dos assuntos mais entediantes do noticiário é a detenção de 30 ecochatos do Greenpeace pela marinha russa. Eles foram detidos e conduzidos à Rússia, onde aguardam julgamento por pirataria.
O Greenpeace começou uma campanha pela libertação dos 30 ongolóides, com o argumento que eles foram presos injustamente. Eu já cansei de falar que o Greenpeace mente, mas lá vou eu para mais um texto batendo no mesmo assunto.

Ativistas ou piratas?
Kumi Naidoo, o atual guru do Greenpeace, afirmou o seguinte:
“Hoje faz 30 dias que nosso navio foi apreendido e nossos 30 amigos foram presos. Agora, eles enfrentam a absurda acusação de pirataria..."
Como eu acho que até contumazes imbecis tem direito ao benefício da dúvida, fui atrás da definição de pirataria. Encontrei um ótimo artigo de Daiana Seabra Venancio, publicado na Revista da Escola de Guerra Naval (íntegra aqui) que define o que é pirataria marítima. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar de 1982:

“ARTIGO 101 - Definição de pirataria

Constituem pirataria quaisquer dos seguintes atos:

a) todo ato ilícito de violência ou de detenção ou todo ato de depredação cometidos, para fins privados, pela tripulação ou pelos passageiros de um navio ou de uma aeronave privados, e dirigidos contra:
i) um navio ou uma aeronave em alto mar ou pessoas ou bens a bordo dos mesmos;
ii) um navio ou uma aeronave, pessoas ou bens em lugar não submetido à jurisdição de algum Estado;
b) todo ato de participação voluntária na utilização de um navio ou de uma aeronave, quando aquele que o pratica tenha conhecimento de fatos que dêem a esse navio ou a essa aeronave o caráter de navio ou aeronave pirata;
c) toda a ação que tenha por fim incitar ou ajudar intencionalmente a cometer um dos atos enunciados nas alíneas a) ou b).”
Então vamos dar uma olhada se os "ativistas" estavam praticando pirataria ou se foram presos só por estar passeando no Ártico.

Créditos da foto: Greenpeace.
Reparando na foto, nota-se que os "ativistas" do Greenpeace estavam tentando embarcar sem serem convidados na embarcação russa. Notem o jato de água vindo da parte superior da fotografia. Até onde sei, uma mangueirada de água fria não é uma das formas de convidar alguém para entrar em sua propriedade privada. Nem aqui, nem na Rússia.
Estranhamente, além da foto, o próprio Greenpeace postou um vídeo que prova que seus "ativistas" estavam abordando a embarcação russa sem serem convidados. 


Apresentadas as provas (produzidas pelos réus, diga-se de passagem), se o júri dos meus seis leitores me permitir, passarei a tratar os supostos "ativistas" pela denominação que os atribui a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar: piratas.

Estado ongueiro é Estado burro
O G1 está dando bastante atenção para o assunto (será que foi lá que o Cláudio Ângelo pousou?), onde encontrei a notícia que a Holanda pediu a liberação dos ativistas piratas:
A Holanda iniciou uma ação judicial por considerar que Moscou deveria ter pedido sua permissão para deter a embarcação do Greenpeace, que navegava com uma bandeira holandesa.
Vamos às falácias:
1) Caso a embarcação estivesse em águas territoriais russas, não há nenhuma obrigação da Rússia de pedir permissão para deter uma embarcação de qualquer bandeira. Porém, tudo indica que a embarcação estava em águas internacionais, o que nos leva ao ponto seguinte;
2) Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar de 1982:

“ARTIGO 105 - Apresamento de um navio ou aeronave pirata

Todo Estado pode apresar, no alto mar ou em qualquer outro lugar não submetido à jurisdição de qualquer Estado, um navio ou aeronave pirata, ou um navio ou aeronave capturados por atos de pirataria e em poder dos piratas e prender as pessoas e apreender os bens que se encontrem a bordo desse navio ou dessa aeronave. Os tribunais do Estado que efetuou o apresamento podem decidir as penas a aplicar e as medidas a tomar no que se refere aos navios, às aeronaves ou aos bens sem prejuízo dos direitos de terceiros de boa fé.”
Opa, então isso quer dizer que, SE os ativistas piratas do Greenpeace estavam em alto mar ou fora da jurisdição de qualquer Estado, então, qualquer Estado pode apresar o navio pirata. Nesse caso, do que a Holanda está reclamando? Pelo visto a "onda verde" na Holanda saiu das "coffee shops" e já se alastrou pela diplomacia. Ou os diplomatas holandeses aderiram a uma droga bem pior: o onguismo bocó.

E o Brasil com isso?
Essa prisão corretíssima da Rússia só vem ganhando uma cobertura tão extensa no Brasil porque um dos piratas presos é uma senhorita de nacionalidade brasileira. Ana Paula Alminhana Maciel, bióloga, foi detida pelos russos. Como nenhuma estupidez que acontece no mundo passa sem apoio brasileiro, começou por aqui uma campanha para que as nossas autoridades atuassem a favor da liberação de Ana Paula. Afinal, quem não se comoveria com a foto abaixo, de Ana Paula, tadinha, enjaulada injustamente somente por ter defendido aquilo em que acreditava, sem nenhuma noção do que fazia?

"Me salva mamãe!!"

Além de mim, aparentemente mais ninguém. Então, atendendo ao instinto materno, que fez a mãe de Ana Paula? Procurou o ilustre Tarso Genro. Afinal, ninguém melhor para tratar uma pirata como "ativista" que aquele que trata assassino por "preso político". O assunto tomou tal proporção que até a presidente Dilma (terrorista da VAR-Palmares, ou na novilíngua petista: "presa política") resolveu interceder pela moça. Segundo informa novamente o G1, Dilma mandou o Itamaraty dar assistência para Ana Paula
Ora, mas por que motivo deveria o Itamaraty dar assistência para Ana Paula? Ela foi presa injustamente? Já mostrei que não. Ela teve seus direitos humanos violados? Segundo sua mãe: 
"Na maneira do possível ela está bem. Não está sendo maltratada. Disse que sai para caminhar uma hora por dia, e que o Greenpeace está dando toda a assessoria da parte higiênica e coisas para eles comerem fora do horário. O Greenpeace está fazendo tudo que você possa imaginar. Ela está tentando, na maneira do possível, passar o tempo lendo e escutando música"
Convenhamos, se passar o tempo lendo e escutando música for violação de direitos humanos, eu tenho que ser indiciado ao Tribunal de Haia por crimes contra mim mesmo, de tanto que a prisão dela se parece com meus finais de semana. 
Então, só imagino, como afirmei anteriormente, que as autoridades estejam defendendo Ana Paula porque ela está realmente arrependida, não? Vejam o arrependimento abaixo:
Mensagem por clemência: "Save the Arctic!"
Infelizmente, caro leitor, não me parece ser o caso dela pedir clemência. Essa foto acima é de Ana Paula na audiência na qual pedia para responder o processo em liberdade. Na verdade, o escárnio à corte russa, o sorriso mal contido por estar frente às câmeras da imprensa permite inferir que aquele momento será mais um troféu, mais uma das memórias que Ana Paula guardará na memória como uma de suas vitórias. Ora, se ela está tão a vontade para zombar da corte russa na audiência que definiria sua liberdade, alguém ainda acha que tanto a pirata quanto o Greenpeace tem algum interesse em sua liberdade? Do ponto de vista da causa que ambos defendem, quanto mais tempo ela permanecer presa, melhor. 
Objetivamente contribuindo para a estratégia de divulgação do Greenpeace estão os pais de Ana Paula. Aparentemente, o que eles querem é a filha de volta. Contudo, as reportagens que tratavam da família de Ana Paula permitem um insight nas práticas da menina que virou pirata. Uma das reportagens tem como título: "Mãe de brasileira detida na Rússia diz que Greenpeace é a profissão da filha". A mesma reportagem informa sobre Ana Paula:
Tripulante de embarcações do Greenpeace desde 2006, a bióloga foi detida na segunda viagem que fez pela ONG ambientalista, no Caribe, durante um protesto do Greenpeace contra a caça de baleias.
outra reportagem apresenta as seguintes informações:
Mas, como já lembrou Rosângela Maciel, a ausência nunca foi empecilho para que mãe e filha se entendessem: as duas já ficaram três anos e meio sem se ver, quando Ana Paula se casou com um ambientalista italiano e decidiu morar em Portugal, onde o casal comprou uma quinta na vila de Vale dos Prazeres, a oeste de Lisboa, e chegou a sonhar em fincar raízes. Lá, os dois começaram a cultivar o solo e a plantar oliveiras. Mas o ativismo de ambos – e as viagens, especialmente de Ana Paula – fez com que a empreitada não desse certo. O casamento se desfez em quatro anos.

...

Apenas uma vez na vida teve uma atividade formal, quando atuou como estagiária na Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre em equipes de prevenção à dengue. O estágio era obrigatório.
Não sei se vocês tem a mesma impressão que eu, mas me parece que Ana Paula nunca foi uma moça lá muito "famíia", nem muito chegada em trabalho. A vocação dela, me parece, era a pirataria travestida de ativismo. Porém, como toda mãe morre de amor pelos filhos, lá vai a mãe de Ana Paula pedir:

Dona Rosângela quer sua menina de volta. Quer aquela menina que com 15 aninhos levava os bichinhos da rua para casa. Aquela menina não existe mais. Ana Paula é uma mulher adulta: formada, viajada, casada, divorciada. Que decidiu virar pirata por sua conta e risco. A Ana Paula de hoje, a que zomba da corte russa, a que sorri ao "dar sua mensagem" na audiência em que podia ser libertada, não é mais a menina que fez um minizoo na casa da família. Ela é a adulta criada por sua mãe como a própria Dona Rosângela admite:
- Eu nunca questionei a vocação dela, nunca critiquei as opções que fez e nem usei a minha preocupação, de mãe, para estimulá-la a mudar de ideia. Sempre dei força para que seguisse o seu caminho, fosse qual fosse – diz a mãe.
Que Ana Paula sofra as consequências das escolhas que fez. E Dona Rosângela, não se finja de inocente. Quem apóia a vocação da filha para o banditismo não pode reclamar das consequências.

2 comentários:

  1. Que bom que você voltou!! O artigo ótimo e muito bem escrito!!

    Parabéns!

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    1. Obrigado AF. Estou escrevendo algo muito maior. Com tempo, talento e dedicação (me faltam os três) ano que vem terá bastante texto meu para ler. Dessa vez na Amazon.

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