segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rejeitados nº2: Movimento Passe Livre: pombos jogando xadrez

Mais um texto da série de artigos que escrevo pros jornais de SC e que (quase) invariavelmente são rejeitados. Esse trata de uma ocorrência em que os democratas do Movimento Passe Livre, como bem escreveu o pessoal do Laranjas, despejaram "20 quilos de ideologia de esquerda na escadaria da Prefeitura de Florianópolis". Para saber mais sobre o assunto, vocês podem consultar esse link ou esse link.
Para sua informação, esse artigo foi escrito em meia hora no dia 07/11/2013 e enviado logo a seguir para o Diário Catarinense, que imagino não tenha gostado muito dele. O artigo é pequeno pois o DC pede que os artigos tenham bem menos caracteres que eu teria usado se fosse criticar esse pessoal sem limite de tamanho.


Movimento Passe Livre: pombos jogando xadrez

Em uma ação que representa um novo ponto baixo na política da capital catarinense, meia dúzia de elementos do Movimento Passe Livre (MPL) vandalizaram a escadaria da Prefeitura Municipal. Segundo esses primados da democracia, a ação seria uma retribuição ao que recebem diariamente. 
Ao observador atento, a ação não deveria causar qualquer espanto. É somente a materialização do melhor que o grupo tem a oferecer à cidade. Afinal, ao longo de todos os anos de existência do grupo, sua produção intelectual se confundiu com produção intestinal em todas as suas ações. Afinal, o que esse grupo já fez pelo cidadão comum a não ser causar transtornos? Entre fechamento de terminais, paralisação de ruas, depredação de patrimônio público, badernas em vias públicas e confrontos urbanos, qual foi, objetivamente, o benefício que a população teve por conta das ações desse grupo?
Sua única proposta, a tarifa zero no transporte público, ignora um princípio básico de economia: não existe almoço grátis. Hoje, quem utiliza o transporte público paga pelo serviço (subsidiado, diga-se de passagem), conforme seu uso. No caso da tarifa zero, todos pagariam a tarifa do transporte público, quer o utilizem ou não. Ainda que o caso do transporte “socializado” seja uma reivindicação setorial, não se pode esquecer que outras nações, em outras épocas, já tentaram esse modelo de gestão estatal na qual o produto do trabalho do cidadão era administrado por um governo central. As nações que adotaram essas práticas acabaram em miséria: material, moral, e cultural. 
Se a ação do MPL passa uma mensagem, é essa: o MPL não é um interlocutor aceitável. É como um pombo jogando xadrez: não sabe o que está fazendo à mesa, derruba as peças, defeca no tabuleiro e ainda sai de peito estufado.