sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Defendam o trabalhador: acabem com o 13º

O décimo terceiro salário é uma daquelas coisas que o brasileiro médio nunca pensou a respeito e não compreende suas consequências, mas acha lindo. Não é. Tende-se a pensar no décimo terceiro como um abono, um presente do patrão, um direito do trabalhador, outorgado pelo Estado, e ai de quem se pronunciar contra ele. 
Contrário ao que a maioria dos defensores do 13º afirmam, essa forma de remuneração não é boa para o trabalhador, não é justa, e quem defende o 13º, ao contrário do dito por aí, está tirando dinheiro do trabalhador.
Partindo do princípio que um empregador pense em todos os seus custos com mão de obra, ele terá que a soma dos gastos com a remuneração do trabalhador serão os 13 salários anuais, mais os tributos e outros custos incidentes. Todos esses custos determinam quanto o empregador deve reservar ao longo de um ano para manter o funcionário. Digamos que esse bolo que é a reserva de capital que o empregador deve ter a sua disposição para pagar o empregado seja dividido em 12, 13, 16, 25 ou 52 fatias, isso não aumenta o tamanho do bolo. Então, acreditar que o empregador está pagando mais para o empregado é ilógico. 
Muitos argumentam que o 13º constituiria um reforço ao final do ano. Uma analogia simples mostra que não é bem assim. Digamos que todo o salário do trabalhador seja convertido exclusivamente em comida. Alguém acharia justo que ele passasse fome 3 dias por mês durante onze meses para em dezembro comer o dobro todo dia? Eu não aceitaria. Ou 3 dias por mês sem teto para em dezembro morar num duplex? A ideia do reforço perde ainda mais força quando sabemos que esse dinheiro do 13º não vem do nada, e sim é descontado mensalmente do trabalhador para pagar um capilé a ele no final do ano. 
Agora vamos para a parte mais chocante para os que nunca pensaram no assunto: o 13º efetivamente tira dinheiro do trabalhador! Mostrarei com um exemplo simples.
Digamos que um trabalhador ganhe mil reais por mês. No final do ano, ele ganhará um 13º salário, totalizando 13mil reais. Agora digamos que ao invés de receber esses 13mil reais em 13 parcelas, com 2mil em dezembro, ele receba esse mesmo montante em 12 parcelas iguais de R$1.083,33. Digamos que ele invista esses R$ 83,33  em uma poupança, e faça isso com os R$83,33 "excedentes" a cada mês posterior. Em dezembro, utilizando o rendimento da poupança do ano de 2013, ele terá não 13mil reais, e sim R$13.112,37. Note que o trabalhador, investindo esse dinheiro, termina o ano com R$ 112,37 a mais, somente pelo fato que foi ele, e não o empregador, que guardou o dinheiro em uma poupança. O gráfico abaixo mostra a diferença:



Na situação atual, o empregador, que sabe que terá que pagar isso ao empregado no final do ano, faz exatamente isso: guarda mensalmente esse dinheiro e o investe, só que no final do ano, fica com os dividendos da aplicação desse dinheiro, pagando ao empregado mais um salário. Isso parece pouco? Para alguém com uma renda de mil reais, aposto que R$ 112,37 devem pagar uma conta de luz, encher o tanque do carro ou mesmo o presente de natal da mulher. Agora pensem pelo lado do empresário que tem mil funcionários: são mais de cem mil reais, limpinhos, ao final do ano, sem ter que trabalhar uma única hora a mais para isso.
O 13º salário é de fato uma conquista, mas se você é trabalhador, pode ter certeza que essa conquista não é sua. E quem defende a manutenção do 13º está tirando dinheiro do bolso do trabalhador.